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(pt) [FAG:] Solidariedade ao povo boliviano!

Date Wed, 17 Sep 2008 10:48:42 +0200 (CEST)



Na Bolívia se joga o futuro da América Latina!

Os acontecimentos que se sucedem em Bolívia deixam aos anarquistas
organizados na FAG em sentido de alerta. O problema não é a defesa de um
governo com perfil nacionalista e raízes indígenas. O tema em pauta é a
defesa incondicional da luta popular dos povos latino-americanos.

Viemos acompanhando e tendo contatos orgânicos com os companheiros
bolivianos desde o verão de 2003, portanto, antes da vitória popular na
Guerra do Gás, antes da derrubada de Gonzalo Sanchez de Losada, antes da
derrubada do presidente que o sucedeu Carlos Mesa e muito antes da vitória
eleitoral do MAS.

Desde aquele ano ficou nítido para a FAG que na Bolívia o jogo político
era duro sem limites legais ou institucionais. A luta para a construção do
Poder Popular tem várias vertentes, e no momento, o governo de Evo Morales
e Álvaro Garcia Linera expressa parte da vontade popular em retomar a
soberania definitiva sobre seu território ancestral. Evo não faz o que
quer e nem governa com os banqueiros, como faz o ex-metalúrgico Lula. Hoje
o país que derrotou o neoliberalismo dezenas de vezes se vê diante de seu
maior desafio. O conjunto de povos e nacionalidades ancestrais do antigo
vice-reinado do Alto Peru, as sociedades tradicionais quéchuas, aymaras,
guaranis, tupis e dezenas de outras etnias, os descendentes vivos na
mestiçagem das cidades, as heróicas resistências mineiras, cocaleras, de
El Alto, de Cochabamba, o combate de rua em La Paz esquina por esquina
derrotaram o inimigo diversas vezes. Este povo fez da organização do
tecido social, da prática de justiça comunal e alianças de base o baluarte
da derrota de um sistema de partidos políticos podres, corrompido com as
experiências privatizadores dos anos ?80; com pedras e dinamites venceu
nas ruas o Exército que operou sob o comando do general traficante Hugo
Banzer; no avanço da prática cooperativista contesta a presença nefasta de
transnacionais do petróleo e derivados, incluindo a odiosa presença
subimperialista brasileira no país hermano.

Agora a luta é intestina e defronta a oligarquia da chamada Meia Luna,
dominante nos departamento de Tarija, Beni, Pando, Chuquisaca e comandado
pelos latifundiários da soja e narcotraficantes de Santa Cruz contra os
interesses do povo. O governo de Morales é um alvo, mas a meta dessa gente
é a destruição da organização popular e das alternativas indigenistas, das
formas tradicionais e comunitárias de controle da vida social, da re
apropriação popular do subsolo e das riquezas naturais. A dita luta por
autonomia nada mais é do que a vontade política de uma oligarquia aliada
das transnacionais, de um intento de golpe patrocinado pelo Departamento
de Estado, CIA e DEA e financiado com o dinheiro roubado do povo
boliviano. As multidões de homens e mulheres que lutam por ?autonomia?
são, em sua grande maioria, empregados, afiliados políticos e cabos
eleitorais destes oligarcas. A situação de desobediência civil e não
governo é enorme na Bolívia. Por esquerda, os protestos sociais são cada
vez mais duros e as metas de reivindicações obrigam a Morales a fazer o
que a maioria do povo organizado propõe. Mas, por direita, a oligarquia
que também saiu vitoriosa no referendo revocatório dos governos nacional e
departamentais, joga todas as suas forças no caos, no locaute e no
bloqueio econômico. Eles não querem pagar impostos para o governo de La
Paz , querem se apropriar das riquezas nacionais para si, da mesma forma
que os bancos sugam nosso PIB e que a burocracia escualida chupava o
sangue da Pedevesa venezuelana até a vitória do povo em abril de 2002.
Companheiras e companheiros, na Bolívia hoje se luta uma batalha contra a
oligarquia, batalha esta que faz parte da guerra do povo latino-americano
contra os grilhões do imperialismo sob o manto macabro da globalização.

Temos algo a aclarar. É preciso expressar que a FAG como organização não
se filia na defesa de nenhum governo de tipo estatal ou burguês. Nosso
apoio, desde há muito é para com o processo levado a cabo pelos povos que
reivindicam a herança bolivariana e artiguista, é ao lado da vontade
política das instituições sociais e entidades de base que peleiam
arduamente contra a burocracia crescente na Venezuela e as vacilações
típicas de dirigentes com carisma, mas sem a organicidade e a devida
obediência ao povo como fazem os verdadeiros militantes socialistas.
Enfim, nossa luta é ao lado da Conaie equatoriana, da Anmcla venezuelana,
da COR heróica de El Alto e de todo o movimento popular da Bolívia.

O impasse político do governo Morales deveria ser resolvido indo além das
possibilidades legais. Existe uma esquerda popular muito mais à esquerda
do que o recalcitrante vice-presidente Linera e dos burocratas de sempre
oscilando entre as universidades latino-americanas e os governos com
vernizes nacionalistas. À esquerda do MAS está a ex-guerrilha do Movimento
E.G. Pachakuti, está a Coordenação Regional de El Alto, estão as
instituições sociais de tipo Justiça Comunitária, existe um enorme tecido
social organizado que não vai entregar o país e a terra ancestral para os
herdeiros de Cortez e Pizarro.
Outra Batalha de Ayacucho; outro Levantamento de 1809
Em 1809, a valentia e a hombridade dos jovens bolivianos não reconheceram
a pretensão de Carlota Joaquina de governar os vice-reinados. Esta decisão
apontou o rumo da libertação da América no coração do Continente. A
resposta realista veio rápida, quando o governador de Potosí, leal ao
colonialismo, ocupou militarmente as cidades rebeldes. Em 1824, na Batalha
de Ayacucho, a reação sai derrotada política e militarmente. A
independência política não garantiu a libertação dos povos, com Poder
Popular, Autogestão e Federalismo Político. Quase 190 anos depois e
vivemos o mesmo embate. No avanço do poder do povo, na transformação do
Estado nacional em espaço público e sob controle direto, no desmonte dos
aparatos burgueses de regulação social, a direita aparece com toda a sua
cara. Hoje é na Bolívia, em 2002 foi na Venezuela, por três vezes nos
últimos 11 anos o povo do Equador derrubou um presidente, em dezembro de
2001 a garra argentina derrotou o neoliberalismo e todo o seu projeto de
desmonte da vida em sociedade. Hoje a guerra dos povos latino-americanos
rumo à sua libertação livra a Batalha na Meia Lua boliviana.


Que a oligarquia saia derrotada!

Que a CIA-DEA-Departamento de Estado dos EUA saiam derrotados!

Que o povo boliviano ultrapasse os limites do governo nacional e avancem
no rumo do Poder Popular!

Porque o neoliberalismo e o imperialismo são a mesma coisa imunda!

Porque o Poder Popular na América Latina se constrói na luta!

Toda a solidariedade ao povo Boliviano!

O futuro do país Hermano será quéchua, aymara, guarani, tupi e popular ou
não será!

A América Latina nunca se rende!

Poder Popular, Autogestão Social e Federalismo Político!

Porto Alegre, 13 de setembro de 2009,

Federação Anarquista Gaúcha (FAG) ? Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) ?
aliança estratégica com a Federação Anarquista Uruguaia (FAU).



http://www.vermelhoenegro.org/fag

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