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(pt) "O que estão comemorando os de cima?": Intervenção anarquista em uma festa na Embaixada do México n a Grécia

Date Mon, 22 Nov 2010 22:13:48 +0100



"O que estão comemorando os de cima?": Intervenção anarquista em uma festa
na Embaixada do México na Grécia
Na quinta-feira, 18 de novembro, companheiros e companheiras da Assembléia
Solidária, do movimento anarquista, anti-autoritário e libertário, de
ocupações, centros sociais liberados e as assembléias de bairro, assim
como solidários com a luta zapatistas e os rebeldes no México, realizaram
uma intervenção na instituição Kakogiannis em Atenas, na estréia de um
filme que fazia parte das comemorações da Embaixada do México na Grécia
pelos 100 anos da Revolução Mexicana.

Para esta festa ?dos de cima? foi selecionada uma data um dia antes do dia
17 de novembro, época da fundação do EZLN, e dois dias antes do dia 20 de
novembro, dia do começo da Revolução Mexicana de 1910.

O evento, que contou com membros de outras embaixadas da América Latina,
bem como funcionários do Ministério da Cultura da Grécia, ia começar com
os discursos de M. Cacoyannis e do encarregado de negócios da Embaixada do
México (por causa da morte recente do embaixador) no lobby do prédio. A
falação do encarregado de negócios da Embaixada do México foi interrompida
antes mesmo de começar, pelos gritos e palavras de ordem dos companheiros
e companheiras, exibindo duas faixas denunciando a guerra de "baixa
intensidade" (que não é de baixa intensidade) contra as comunidades
zapatistas e os rebeldes no México, como o papel cúmplice da instituição
Kakogiannis, que, sob o pretexto de intercâmbio cultural, não hesita em
colaborar com as embaixadas dos países responsáveis pelo assassinato de
milhares de lutadores, como no México e Israel.

Foram espalhados e distribuídos folhetos [leia abaixo]. Também não
faltaram algumas pequenas discussões com vários dos presentes, que não
acreditavam como ?os de baixo? conseguiram "poluir" sua festa, alterar a
ordem e a segurança deles, lembrando-lhes que as mãos do Poder político,
parte da qual são eles mesmos, estão manchadas com o sangue dos lutadores,
desde a conquista, há mais de 518 anos atrás até hoje.

A intervenção terminou com a leitura do folheto num megafone (onde alguns
dos presentes cantaram o hino nacional mexicano), logo após os
companheiros se retiraram gritando slogans em grego e castelhano,
manifestando a sua solidariedade com os rebeldes zapatistas e os lutadores
no México: "Das ruas de Atenas, das montanhas do México, os rebeldes estão
por todos os lados", "EZLN", "Irmãos zapatistas não estão sozinhos,
compartilhamos de uma luta comum", "Liberdade para os presos políticos",
"Zapata vive, a luta continua?, "Os rebeldes têm direito e não os bandidos
e os mansos" etc.

A seguir o texto do panfleto que foi distribuído e lido.
100 anos da Revolução Mexicana
O que estão comemorando os de cima?
Duzentos anos desde a luta pela independência e cem a partir da Revolução
Mexicana, quando os povos do México, os camponeses e indígenas do norte e
do sul, deram o seu sangue, o que é exatamente o que estão celebrando os
de cima?

O que está comemorando o falido estado mexicano, quando com uma mão
homenageia os "heróis nacionais", que seus antepassados ideológicos
assassinaram, e com a outra reprime, intimida e persegue como "criminosos"
indígenas zapatistas que continuam a luta de Emiliano Zapata, Pancho Villa
e Flores Magon por "Terra e Liberdade"?

O que estão comemorando o governo mexicano, os partidos políticos, a
mídia, embaixadas, bancos, instituições culturais e empresas
multinacionais organizadoras das celebrações?

Por acaso estamos comemorando o novo colonialismo, a contra-revolução do
capitalismo global está dominando a situação política, econômica e
cultural atual?

Estão comemorando o fato de que desde há mais de 518 anos estão
humilhando, matando e explorando os povos indígenas?

Estão comemorando a guerra diária e sem fim que estão fazendo contra ?os
de baixo? em Chiapas, Atenco, Oaxaca, Guerrero, Juarez, Mitzakán, em todo
o país?
Estão comemorando a violência, o terrorismo, a pobreza, a injustiça, a
desigualdade social e a morte que semeiam por toda parte? Estão
comemorando a supressão dos direitos sociais e liberdades, conquistados
com a independência e a Revolução?

Estão comemorando o despejo de comunidades e seus movimentos, os ataques
armados e assassinatos de ativistas sociais e de solidariedade de todo o
mundo pelo exército, a polícia e grupos paramilitares? Οu os
seqüestros, as torturas e as sanções exterminadoras, os incêndios e a
destruição de casas e plantações, as prisões e violações?

Ou estão comemorando os 50 milhões de pessoas pobres, as centenas de
presos políticos, dos quais metade são indígenas, as milhares de mulheres
que estão sendo assassinadas em diferentes partes do país só porque são
mulheres, os muitos imigrantes que são maltratados e morrem na fronteira
com os EUA, os jovens massacrados pelo fogo cruzado entre o exército e os
traficantes de drogas que formam parte do sistema político?

Porque estão contentes os de cima? Por estar saqueando a terra, a água e a
vida dos de baixo, por estar destruindo terras e culturas com programas de
ecoturismo, com estradas, imóveis, minas, barragens, as sementes
transgênicas e os parques eólicos? Por entregar ao poder do dinheiro a
saúde, a educação, a terra comunitária e os recursos naturais, por violar
os direitos dos trabalhadores, camponeses e estudantes, para reprimir e
criminalizar as lutas sociais de milhares de lutadores?

Nesta festa, a festa dos de cima, os de baixo não têm nenhum lugar.
Nossa comemoração é o "Basta já!" que gritaram nossos irmãos, os
zapatistas, com sua rebelião em 1994. É a luta dos oprimidos em Oaxaca,
Atenco, Guerrero, Cidade do México, em todo o país, que armados com
dignidade furiosa optam pelo caminho da resistência e rebeldia. E então
agora, ali e aqui, seguimos neste caminho.
Junto com os que estão lutando desde 100, 200, 500 anos, celebrando o
poder da rebelião que não se vende, não se entrega e não sucumbi, mas que
leva a luta até o final.

Estamos celebrando o "nós" dos de baixo, que constrói aqui e agora, não
num futuro distante, um outro mundo, lutando contra o Poder político e
econômico, contra as instituições hierárquicas e os mecanismos de controle
de desinformação da mídia.

Estamos celebrando a luta por uma vida em liberdade, justiça, dignidade e
companheirismo, a luta auto-organizada que não se encaixa em aniversários
falsos e instituições cúmplice, a luta que estão dando os de baixo contra
a barbárie capitalista, contra todas as formas de poder, nas ruas, bairros
e rincões invisíveis do mundo, onde quer que vivam, façam o que façam, e,
por isso, são invencíveis.

Solidariedade com as comunidades zapatistas!
Liberdade para os presos políticos!
Fotos: http://athens.indymedia.org/front.php?lang=el&article_id=1226547
agência de notícias anarquistas-ana

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