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(pt) 100 anos CNT-AIT [ca, en, ru, de, pl]

Date Sun, 7 Nov 2010 11:27:57 +0100


CNT, 100 anos de anarcossindicalismo (1910-2010)

No dia 1º de novembro de 1910, no local barcelonês do Círculo de
Bellas Artes, foi constituída a CNT (Confederación Nacional del
Trabajo). Esta organização, herdeira da regional espanhola da 1ª
Internacional, (1870), nasceu do próprio seio do Movimento Operário
como a primeira organização sindical autônoma neste país.
Assumindo o tema internacionalista "a emancipação dos trabalhadores
será obra dos próprios trabalhadores, ou não será", a CNT se tornou
depositária da rebeldia popular que, como uma corrente soterrada, se
opõe ao poder ao longo dos tempos, para emergir triunfante em momentos
concretos desde o império médio egípcio à Revolução Francesa, embrião
dos únicos processos históricos em que a humanidade avançou
notoriamente pela senda da liberdade, da justiça, da igualdade, da
dignidade e do progresso.

Sobre o simples acordo de criar uma organização operária independente
dos poderes políticos, religiosos e econômicos, como condição
indispensável para melhorar as condições de vida dos trabalhadores até
o fim da exploração, a CNT começou sua atividade anarcossindicalista.
Em poucos anos aglutinou a maioria do movimento operário, conseguindo
importantes conquistas sociais e econômicas que já constituem um
legado de valor incalculável para a sociedade atual.

A jornada de trabalho de oito horas, a jornada semanal de de trinta e
seis horas, a erradicação do trabalho infantil, a igualdade da mulher
e a incorporação aos afazeres diários de valores como a solidariedade,
o federalismo, a ecologia, o feminismo, o amor livre, o
antimilitarismo, o ateísmo..., hoje tão em voga, são parte deste legado
que alcançou seu zênite na Revolução Social de 1936, quando a utopia -
o comunismo libertário - foi convertida em modo de vida cotidiano de
todos os territórios libertos.

A reação do capitalismo mundial permitiu ao exército fascista de
Franco converter este sonho revolucionário em um pesadelo de centenas
de milhares de pessoas perseguidas, assassinadas e desaparecidas após
a vitória golpista em 1939. Mas nem um só dos culpados - todos
conhecidos, alguns políticos na ativa - daquele regime de terror, um
dos mais criminosos da história, foi tão sequer publicamente
reprovado, graças ao vergonhoso pacto de impunidade com o franquismo
que a esquerda nacional democrática (PSOE, PCE, UGT e CCOO) selou em
seus acordos de rendição ao capital, conhecidos como "a transição
espanhola" (1977).

Em que pese a tudo, o povo seguiu defendendo, muitas vezes com sua
vida, os simples princípios do anarcossindicalismo: independência,
autonomia, federalismo, autogestão, assembleia, solidariedade e ação
direta, ou seja, auto-organização para rejeitar toda ingerência de
partidos políticos ou outras instituições econômicas, religiosas etc.
nos assuntos operários. Greves, manifestações, repressão e tortura
foram a crônica diária da ditadura (1939-1976), até que com o seu
desaparecimento o movimento operário voltou iludido para reconstruir
sua almejada CNT (1977). Vivemos novos anos de incessantes conquistas
operárias. As jornadas de Montjuich, ou San Sebastián de los Reyes,
balizaram o poderoso renascer confederal na década de 1970.

O avanço do movimento operário, de novo auto-organizado pela CNT,
mediante lutas exemplares como a greve dos postos de gasolina de 1978,
provocou a reação do capitalismo, desta vez apoiado no Estado
democrático e em seu aparato institucional (governos, partidos,
juízes, burocracias sindicais, ...). O êxito sindical da CNT foi
reprimido policialmente (Caso Scala, 1978) e junto a campanhas de
silenciamento e propaganda difamatória nos meios de comunicação,
geraram consequências desastrosas para o movimento operário deste
país.

A debilitação da presença anarcossindicalista no movimento operário
possibilitou a perda dos direitos adquiridos após uma longa e dura
luta sindical, pela desregularização e precarização trabalhista
implantadas com a pior das corrupções que assolam o país: a Corrupção
Sindical. Uma corrupção oficialmente silenciada, que perverte o
sindicalismo em geral aos olhos dos trabalhadores, mas que é
protagonizada fundamentalmente pelos sindicatos institucionais - CCOO
e UGT -, cujos "yuppies" sindicais cobram subsídios e somas
milionários dos governos e das empresas como pagamento por sua
traição, por aceitar todas as medidas que são adotadas em defesa do
capital e de seu crescente acúmulo de benefícios (EREs, Reformas
Trabalhistas, demissão livre...).

Apesar de tudo, milhares de trabalhadores e trabalhadoras seguimos
hoje nessa genuína organização operária a qual chamamos de CNT,
mantendo-se exclusivamente com nossos próprios meios, convertendo-se
assim no único exemplo vivo de sindicalismo de classe, capaz de
enfrentar a opressão e o controle social, a destruição ecológica do
planeta e a superexploração econômica, aspectos todos inerentes ao
capitalismo.

2010 tem para nós uma conotação especial: cumpre-se um século de
existência da CNT. É o centenário de um povo e a inestimável luta de
milhares de pessoas, que ao longo destes cem anos se dotaram de uma
ferramenta exemplar, exemplo para a classe operária mundial, por sua
cultura própria, capacidade auto-organizativa, luta radical, extensão
popular e realizações revolucionárias com vistas a construir uma
sociedade antiautoritária e solidária.

Estes ideais conformam a nobre causa para a qual aqui e agora te convidamos.

www.cnt.es

www.cob-ait.net
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