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(pt) [Espanha] Entrevista com Juan Pablo Calero , coordenador do livro "Cem Imagens para um centenário?

Date Sun, 18 Jul 2010 09:11:23 +0200


Conversamos sobre o livro "Cem Imagens para um centenário. CNT (1910-2010)" com o
historiador, professor e militante libertário Juan Pablo Calero, coordenador da
obra, que foi publicada recentemente pela Fundação Anselmo Lorenzo como parte do
centenário da CNT. Calero é o autor de obras como "Isabel Muñoz Caravaca", uma
biografia desta militante socialista e pioneira do feminismo, que teve um importante
trabalho educativo em Guadalajara, bem como uma excelente tese de doutoramento, "Um
Século de Guadalajara, 1833-1931". Em breve virá a luz um outro livro seu sobre os
cinco ministros anarquistas durante a Guerra Civil Espanhola.
Pergunta > Como surge a idéia de "Cem Imagens para um centenário. CNT (1910-2010)"?
Juan Pablo Calero < O projeto nasceu das reuniões de trabalho da Fundação Anselmo
Lorenzo, que desde 2006 começou a antecipar diversas propostas para a celebração do
centenário da CNT. A Fundação aceitou com entusiasmo minha sugestão e agora, após 15
meses de trabalho, o livro veio à luz.

Pergunta > O que você destacaria neste trabalho?

Calero <O esforço colaborativo de quase uma centena de pessoas espalhadas por vários
países. Cerca de 70 autores, alguns convidados não puderam enviar sua colaboração,
devido a problemas de saúde, mais de uma dezena de amigos que generosamente
emprestaram as suas imagens ou propuseram textos; outros que desenharam,
diagramaram, traduziram textos ou corrigiram o livro... É um esforço conjunto e
desinteressado de tanta gente que, não por causalidade, é refletido em um livro
sobre a história da CNT.

Pergunta > O livro aborda a história do movimento libertário, desde as origens,
retornando ao começo do industrialismo na Espanha, até hoje. Porque este modo de
datação e não o próprio centenário da CNT?

Calero < O objetivo era fazer uma viagem pela história dos trabalhadores
anarquistas. A CNT só é o resultado final de um longo caminho que os trabalhadores
de orientação anarquista iniciaram em 1868 com a fundação da seção espanhola da
Internacional, que por sua vez adquiriu o legado das lutas empreendidas pelos
trabalhadores desde 1836, ano que chegou ao fim o sistema gremial. Não é possível
entender a trajetória da CNT sem conhecer suas raízes.

Pergunta > O que o livro pode aportar ao contexto historiográfico atual?

Calero < Acho que o valor principal deste livro é a diversidade de abordagens.
Tivemos a colaboração de historiadores, mas também de sociólogos, economistas,
educadores, advogados... Não é possível cobrir a história da CNT desde um ponto de
vista exclusivamente laboral, renunciando a estudar as suas propostas educativas,
econômicas, sociais, culturais, recreativas... Os trabalhadores anarquistas
ofereceram uma alternativa para a sociedade espanhola de seu tempo e para a vida de
suas classes populares. Estudar a CNT é estudar seus Ateneus, suas escolas, editoras
e jornais, suas cooperativas de consumo, suas sociedades de recreação e
excursionistas, etc.

Pergunta > Como você observa o trabalho dos historiadores comprometidos com o
movimento libertário?

Calero < Creio que muitos historiadores estudam a CNT e o movimento libertário em
geral desde pressupostos e com ferramentas que não são sempre válidos para
analisá-lo. Por exemplo, os grupos de afinidade que serviram de canal orgânico aos
anarquistas por longos períodos de nossa história contemporânea nos deixam um vazio
documental, a sua presença não pode ser resumida em longas listas de sociedades de
trabalhadores ou greves trabalhistas; muitos estudiosos no lugar de rastrear outros
vestígios reduzem ou subestimam a presença e atividade libertária.

Pergunta > Você acha que este livro pode contribuir para a recuperação da memória?

Calero < A memória histórica, no que tem de conhecimento e recordação do passado da
CNT e, acima de tudo, dos esquecidos e perdedores da Guerra Civil e de todas as
batalhas, sempre gozou de boa saúde. Gostaria de lembrar que, na divisão que a CNT
sofreu em 1979, os anarco-sindicalistas eram conhecidos como "os históricos",
revelando, assim, um evidente desprezo, por parte daqueles que se acreditavam
"renovadores", com relação ao peso específico de nossa história e ao valor que nós
dávamos a essa memória. Deste ponto de vista, este livro é mais uma contribuição
para essa memória particular, o tesouro dos anarco-sindicalistas. Outra coisa é o
que se chama de memória histórica desde um ponto de vista legal, promovida e
subsidiada pelo Estado. A partir dessa perspectiva, não temos nada que fazer ou
dizer; para lembrar os meus, para estudar o seu passado e divulgá-lo aqui e agora
não precisamos da permissão de ninguém. A única coisa que está sendo requerida ao
Estado é que abra as fossas e as valetas. No entanto essa tarefa, que deve ser
realizada, necessariamente, com amparo legal, não é cumprida, preferindo-se os fogos
de artifício.

Fonte: Jornal CNT N&#730; 369 - julho de 2010

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