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(sup) ZAPPA 10 ANOS - ZAPPA 100 ANOS

From "Francisco Trindade" <ft@franciscotrindade.com>
Date Sat, 29 Nov 2003 21:55:58 +0100 (CET)


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A - I N F O S N E W S S E R V I C E
http://www.ainfos.ca/
http://ainfos.ca/index24.html
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Zappa morreu há dez anos.
Para chamar a atenção para este facto divulgamos o nosso texto
"Zappa ou a Função Social da Música" escrito em 1990 e que se encontra no
site http://www.franciscotrindade.com
ZAPPA 10 ANOS - ZAPPA 100 ANOS
ZAPPA SEMPRE!

ZAPPA OU A FUNÇÃO SOCIAL DA MÚSICA.

"Que farás
Se te deixarmos ir para casa
E o plástico estiver todo derretido
E o Cromo também...
Quem são os polícias do cérebro?
Que farás
Quando o rótulo se desprender
E o plástico estiver todo derretido
E demasiado mole o cromo...
Quem são os polícias do cérebro?
Que farás
Se as pessoas que conhecias
Forem o plástico derretido
E o cromo também?
Quem são os polícias do cérebro?

Frank Zappa "Freak Out", 1966

Se há algum músico e compositor que poderemos chamar de
incómodo, pela sua música e fundamentalmente pelas letras das suas
canções, esse é, sem dúvida, Frank Zappa. Fundador do grupo
norte-americano Mothers of Invention, desde 1964 que Zappa tem massacrado
o sistema burguês capitalista, liberal norte-americano, aquilo que é
comumente conhecido por american way of life, através de dois tópicos que
sistematicamente encontramos nas suas letras: a crítica social e o sexo.
É o aspecto da crítica social que nos interessa aqui sublinhar, embora o
outro não seja se somenos importância.
Basicamente até 1968 as letras das canções eram simples,
claras
e evidentes (como diria Descartes) que qualquer pessoa as poderia
entender. No entanto, a partir dessa altura modifica-se a música e também
a mensagem dos textos. Zappa quer que o ouvinte de capacidades medianas
consiga apanhar alguma coisa, pois ele acredita numa função utilitária e
interveniente da sua música.
É o caso por exemplo do seguinte texto, extraído da obra
Joe's
Garage act.II de 1979: "Afinal foi descoberto/ que Deus/ Não queria que
nós fossemos/ Todos iguais/ Estas foram/ Más notícias/ Para os governos
do Mundo/ Que pareciam em oposição/ À doutrina da/ Servidão separada e
Controlada/ A Humanidade deveria ser feita mais Uniformemente/ Se/ o
futuro/ Funcionasse/ Vários caminhos foram procurados/ Para que
ficássemos todos ao mesmo nível/ Mas, infelizmente/ A Igualdade não foi
conseguida/ Foi por esta altura/ Que alguém/ Veio com a ideia da/
Criminalização Total.
Baseada no princípio de que/ Se todos nós éramos
delinquentes/
Poderíamos finalmente ficar iguais/ Até um certo grau/ Aos olhos da Lei/
Os nossos legisladores calcularam sagazmente/ Que a maioria das pessoas
era/ Demasiado preguiçosa para praticar/ Um verdadeiro crime/ Por isso,
novas leis foram feitas/ Para tornar possível a qualquer um/ Violá-las a
qualquer hora do dia ou da noite/ E/ Uma vez desrespeitadas todas as
leis/ Nós seríamos todos do mesmo grande e feliz clube/ Ali mesmo, junto
ao
Presidente/ Os mais glorificados industriais/ E as grandes cabeças do
clero/ De todas as nossas religiões preferidas/
Criminalização Total/ Foi o maior ideal do seu tempo/ E foi
grandemente popular/ Excepto para aquelas pessoas/ Que não quiseram ser
delinquentes ou criminosas,/ Por isso, naturalmente tinham de ser/ Todos
levados a isso por truques.../ O que é uma das razões pela qual/ A
Música/ foi finalmente declarada/ Ilegal.
Os Mothers of Invention sempre foram um grupo crítico
consciente
da realidade. Opõem-se ao sistema instituído na medida em que as suas
canções não tentam convencer o auditório da inexistência dos problemas.
Zappa considera que o seu trabalho contribui para um melhor
esclarecimento político das pessoas. Pensa que o ideal será poder contar
com um público consciente, social e politicamente, isto é, um público
comprometido que sinta o que há a fazer. É aliás exactamente isso que
Zappa diz numa entrevista dada em 1968 em Hollywood: "Queremos contribuir
para um maior esclarecimento político das pessoas. A maior parte dos
jovens norte-americanos não pensa em termos de política. Advém daí que
dispõe de muito tempo livre e tenta passá-lo da melhor forma possível.
Por isso, creio que seria um grande passo obrigá-los a raciocinar."


Procurar pelo link Arte e Literatura
Segue-se excerto do texto que pode ser lido na íntegra em
http://www.franciscotrindade.com.
Responsável técnico máximo, como de costume
José Carlos Fortuna.

Saudações proudhonianas
Até breve
Francisco Trindade




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