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(pt) federacao anarquista gaucha: Que não nos esqueçamos quem são nossos verdadeiros heróis!

Date Sun, 27 Sep 2020 09:54:50 +0300


O 20 de setembro marca o Dia do Gaúcho. Muitos exaltam os feitos da Revolução Farroupilha, mas poucos conhecem a história além da versão contada pelos de cima, porque propositalmente ela não aparece nos livros. Sabemos que não convém ao sistema que o povo conheça sua história, conheça seus verdadeiros heróis. Sabemos também que a memória coletiva é importante para mantermos viva uma memória, história e lembrança, pois ela também cria e reproduz lugares sociais, imaginários e significados. Assim, quando se está narrando e resgatando o que foi a Revolução Farroupilha, e se esconde ou não se conta bem quem foram os Lanceiros Negros ou o que foi o Massacre de Porongos, por exemplo, isso não é por acaso. Há uma razão ideológica por trás. Assim, precisamos recontar essa história, desde baixo, para que se possa conhecer melhor o nosso passado e redescobrir os laços que ligam o povo indígena e o povo negro e a cultura gaúcha, pois ela também nos pertence e tem origem das nossas veias.

Antes de entrar no histórico da Revolução Farroupilha, acreditamos ser importante, enquanto gaúchas(os), fazer esse resgate de quem foi o Gaúcho. Precisamos desconstruir essa figura do gaúcho enquanto sujeito branco, tradicionalista e burguês, que foi criada em cima de apropriações culturais e distorções históricas. O Gaúcho, do qual temos orgulho e que carregamos no nome, era e é o pobre, mestiço, sem-terra, marginalizado, que vivia na região dos pampas sul-americanos. Um sujeito miscigenado, mas que carregava predominantemente uma herança cultural ameríndia (Guarani, Charrua, Minuano e Kaingang). Os gaúchos viviam à margem da nova ordem estabelecida pela violenta colonização europeia, pois haviam sido retirados das terras onde viviam coletivamente e em liberdade, tornando-se homens sem pátria e sem lei, muito temidos pelos estancieiros. Fazer memória a essa identidade livre e rebelde do Gaúcho é mantermos viva, em nossos corações e em nossa veias, as nossas origens. É também resgatar a importância do negro e do indígena para a formação do povo gaúcho e do Rio Grande do Sul.

Um dos mais antigos registros do gaúcho, exposta no Centro Cultural Atahualpa Yupanqui em Buenos Aires (ARG)
Durante anos, a Revolução Farroupilha vem sendo ensinada nas escolas mostrando o "heroísmo" dos comandantes brancos e escondendo o fato de que centenas de negros participaram efetivamente da revolução, sendo friamente exterminados em busca da liberdade. De 1835 a 1845 ocorreu um dos maiores conflitos regionais, que ficou conhecido, no Rio Grande do Sul, como Revolução Farroupilha. Um conflito disparado pelos grandes proprietários de terras por divergências em questões econômicas, políticas e ideológicas, dando início a uma guerra contra o governo imperial. No entanto, foi o povo gaúcho, indígenas, pobres e negros escravizados, que foi enviado para os campos de batalha, pra lutar e morrer na guerra covarde e de traições dos estancieiros. Assim foi com os Lanceiros Negros, que protagonizaram, por 10 anos, as batalhas ao lado dos farrapos. Eram negros escravizados recrutados junto aos estanceiros (seus "donos") que, com muita bravura, sem escudos e se protegendo do mau tempo usando poncho de lã, que servia como cama, cobertor e agasalho. Eles lutavam com muita sede de ganhar, pois a condição era que, ao final da guerra, eles conseguissem a tão sonhada liberdade. Assim entramos na parte da história tão omitida. No final da guerra em 1845, os farrapos e os imperiais se preparavam para assinar o tratado de paz (tratado do Poncho Verde), mas discordavam num ponto: a libertação dos Lanceiros Negros. O Império não aceitava a prometida liberdade e queriam que eles voltassem à condição de escravos.

Ilustração de Thiago Krening
A solução para esse impasse resultou no Massacre de Porongos, o último conflito da guerra, onde os líderes farrapos decidiram virar as costas e trair os lanceiros que pelearam com tanta bravura durante a revolução, numa emboscada combinada entre David Canabarro e Duque de Caxias. No dia 14 de novembro de 1844, os farroupilhas desarmaram as tropas de Lanceiros Negros e os imperiais atacaram-nos covardemente, de surpresa. A traição resultou na morte de centenas de lanceiros negros. Os lanceiros foram dizimados e mortos brutalmente, e os que restaram vivos foram novamente forçados à condição de escravizados. Como o destino dos lanceiros negros era o maior impasse para que o tratado de paz fosse selado, após esse extermínio tramado, a "paz" da sociedade escravocrata volta a reinar a preço de sangue inocente. Mais um triste episódio da história gaúcha e um desonroso final para uma revolução que tanto nos enche de "orgulho". Os ditos "heróis" farroupilhas são covardes traidores. No 20 de Setembro, temos que lembrar que povo que não tem virtude acaba por escravizar.

Que tenhamos aprendido com nossos antepassados que não devemos entrar no jogo de nossos inimigos, pois a história nos mostra que a traição é certa. Há mais de 500 anos, o nosso povo negro e indígena é resistência nesse Brasil, mesmo sendo sob o nosso sangue e suor que ergueram essa dita "civilização". A perseguição, extermínio, violações e marginalização sobre os nossos povos se mantêm como um projeto de Estado que está em curso há séculos nesse país. Sabemos que a peleia pela nossa verdadeira libertação ainda é longa e ela depende somente da nossa organização, luta e resistência. Pois sabemos que é somente o nosso povo organizado que vai conquistar uma vida digna e um mundo novo.

Nossos heróis não viraram estátua, eles morreram lutando contra os que viraram!

Salve os Lanceiros Negros, presentes hoje e sempre na história do povo Gaúcho!

https://federacaoanarquistagaucha.wordpress.com/2020/09/20/que-nao-nos-esquecamos-quem-sao-nossos-verdadeiros-herois/
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