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(pt) Carta de Reapresentação do Núcleo da RECC de São Paulo

Date Fri, 7 Aug 2020 09:11:48 +0300


Depois de 2 anos da carta de apresentação do Comitê de Propaganda da RECC-FOB de São Paulo, trazemos um novo documento, atualizado em relação à situação atual de nossa militância e do novo contexto local, nacional e mundial, para introduzir e oficializar a criação do nosso núcleo de luta estudantil. ---- São Paulo é uma das cidades mais importantes do mundo. Um centro econômico e financeiro, uma metrópole em constante movimento e que atrai todo tipo de turista, imigrante e curiosos em geral. É a maior cidade das américas e do hemisfério sul e a 4ª mais populosa do mundo, sendo uma das mais diversificadas etnicamente. Uma região que se destaca no país, é a cidade brasileira mais influente no mundo no que se refere a economia, política e cultura.

Por conta disso, o que acontece em São Paulo percorre o país e o mundo, principalmente movimentações sociais, revoltas e manifestações. O levante de junho de 2013 foi um exemplo importante da grandiosidade e da influência que os movimentos sociais e políticos da cidade de São Paulo exercem em todo o país. A luta contra a Copa, as ocupações secundaristas, as greves contra Temer e os movimentos antifascistas de resistência a Bolsonaro. São Paulo sempre esteve presente na luta e na linha de frente.

Uma cidade em constante revolta, com uma vida política e cultural extremamente ativa e constante, São Paulo tem, apesar disso, um grande revés: a predominância da socialdemocracia e de seus sindicatos aparelhados a partidos reformistas, como o PT, PSOL, a CUT e a UNE, por exemplo, desempenha um papel deplorável de impedir a radicalização e a difusão da luta e da revolta. Assim, apesar de existirem vários movimentos e iniciativas populares, independentes e combativas, e do descontentamento e da raiva popular crescente, percebe-se um desfalque organizacional que possa dar sentido e força revolucionária a estes anseios.

Dentre as principais preocupações da cidade estão o combate à violência policial e ao avanço do conservadorismo, contra os grupos bolsonaristas e neonazistas, e contra a miséria, enfrentando os projetos neoliberais, entreguistas e anti-povo dos governos municipais, estaduais e federais, que retiram investimento na educação e saúde e priorizam a ajuda a bancos e o armamento das polícias e guardas municipais. Grupos reformistas e oportunistas só se movem quando podem tirar proveito da situação e as forças revolucionárias e populares infelizmente estão pouco agrupadas e articuladas para fazerem frente a isso.

Durante todo processo de luta recente na cidade, o começo da mobilização é marcado pela massificação, pelo rompimento com o peleguismo e a socialdemocracia. Mas logo em seguida a massa combativa é afastada da luta e mandada de volta ao seu cotidiano explorador pelos "líderes" oportunistas que se aproveitam da movimentação popular para cooptar e para promover seus partidos.

Agora grupos pelegos pautam o Impeachment, dito popular, do presidente Jair Bolsonaro e fecham os olhos para os outros problemas do atual governo, como um vice-presidente militar e golpista e a falta de uma alternativa popular e revolucionária para o país que possa garantir um futuro para nosso povo. Recusam a luta combativa contra a extrema-direita e contra o racismo policial porque preferem o embate legalista que não chegará a nenhum lugar, coisa que eles bem sabem! Enquanto isso, nossa juventude, quando não morta ou encarcerada, está fadada a trabalhar até morrer, endividada até o último fio de cabelo, sobrecarregada com a rotina de trabalho que impede uma dedicação maior aos estudos. A reforma da previdência, a reforma trabalhista, a carteira verde e amarela, a reforma do ensino médio, as dezenas de cortes de bolsas estudantis, o desrespeito às leis de cotas, a total falta de autonomia estudantil e a militarização do ensino. Tudo isso coloca a juventude no centro da luta: tiraram tanto de nós que perdemos o medo.

Diante desse cenário político e social, se torna mais do que necessária a organização classista, combativa e independente em São Paulo, tanto pela importância da cidade para os movimentos sociais do país e do mundo, quanto pela urgência de enfrentamento às forças reacionárias e pelegas da região. Diante da atual crise econômica, sanitária e política, que aprofunda e aprofundará ainda mais as contradições do capitalismo, que salva os lucros da grande burguesia brasileira e que usa a classe trabalhadora como escudo, para se proteger, e como escada, para continuar em cima da pirâmide social, nos deparamos com um déficit organizacional de décadas. Os estudantes e trabalhadores brasileiros foram arrancados da luta por muitos pelegos oportunistas, mas seu potencial combativo segue vivo no coração de cada um de nós e já passou da hora de reavivá-lo. Esta organização deve se opor tanto à socialdemocracia quanto ao neoliberalismo, já que ambos prejudicam a classe trabalhadora e seus filhos. É urgente a sua emergência como uma alternativa realmente revolucionária.

Compreendemos a necessidade da organização do Núcleo da RECC (Rede Estudantil Classista e Combativa) na cidade de São Paulo já que a educação não está de forma alguma separada do resto da sociedade e reflete em muito suas desigualdades e opressões, seja reproduzindo preconceitos e ideias dominantes nas escolas e permitindo a continuação do status quo, seja negando educação ao filho pobre enquanto o filho rico recebe todos os incentivos para seguir sua vida acadêmica. Além disso, vemos também, no movimento estudantil e na organização escolar e universitária, a reprodução das estruturas burocráticas e autoritárias do Estado, dos sindicatos pelegos e das entidades estudantis aparelhadas, totalmente distantes das bases, jogando com os interesses e demandas da classe trabalhadora e seus estudantes. Não podemos seguir escravos de uma educação que não nos liberta! Um povo ignorante é instrumento cego da sua própria destruição!

A RECC, portanto, surge como uma alternativa em São Paulo, atuando em universidades privadas, onde muitos estudantes vêm de famílias da classe trabalhadora, são bolsistas ou trabalham para poder pagar as mensalidades abusivas que aumentam a cada ano, e em universidades públicas, cada vez mais ameaçadas pelos governos neoliberais e negacionistas que detestam ver a juventude educada e conscientizada. Além disso, a Rede atuará no meio secundarista, há anos a mais importante frente de resistência pela educação na cidade, e em cursinhos populares de preparação para o vestibular, meios de resistência libertária e popular que incentivam a educação solidária e libertadora entre o povo.

Por fim, iniciaremos nossa atuação em São Paulo, visando a organização dos estudantes da classe trabalhadora, adotando como princípios de base os seguintes:

* AÇÃO DIRETA: Para conquistar direitos e alcançar mudanças, os estudantes e trabalhadores devem tomar seu destino em suas próprias mãos. A luta deve ser feita através de protestos, ocupações, greves, piquetes etc, sem terceirizar e entregar nosso poder e nossa indignação! Não esperamos centros acadêmicos, partidos e "líderes" nos dizerem o que fazer, nós debatemos e fazemos! Ação direta não quer dizer, necessariamente, ação violenta, e sim o povo sendo agente das próprias mudanças.

* AUTONOMIA: A luta é e sempre será nós por nós! Já vimos que grupos estudantis e sindicais que se aliam ao governo e a partidos eleitoreiros perdem o rumo, tendem ao autoritarismo e se desvinculam da base. Nossa luta é a dos de baixo e será construída pela base. Defendemos a autonomia militante, lutando sem a influência de partidos, políticos ou governos, garantindo nossa liberdade de ação e ideias, e a autonomia popular, o povo se auto organizando, para que ele saiba que não depende de ninguém além dele mesmo para ser livre!

* DEMOCRACIA DE BASE: Hoje existe uma prática burocrática e antidemocrática de grupos e partidos que dominam várias organizações estudantis. Nós acreditamos que as decisões devem ser tomadas de baixo para cima, e não o contrário. Defender isso significa dizer que os estudantes têm maior poder de decisão do que as diretorias de grêmios e centros acadêmicos. Diretorias, comissões e outras entidades representativas não devem nunca colocar seus interesses acima dos interesses dos estudantes! Seu dever é representar os estudantes, não decidir por eles! Juntando nossos princípios de ação direta e autonomia, defendemos a democracia de base, com as assembleias como instância superior de deliberação e organização.

* AUTODEFESA POPULAR: Defender-se é um direito fundamental. Somos atacados diariamente pela polícia, assassina e racista, e vemos o crescimento do terrorismo de extrema-direita e de suas milícias. Precisamos nos defender, por todos os meios necessários.

* APOIO MÚTUO E SOLIDARIEDADE: Mas nossa defesa vai além da questão física: defenderemos nossas escolas, nossos companheiros e nossos bairros de todas as formas possíveis. Nossa organização mesmo já é uma forma de autodefesa! Temos que nos ajudar, apoiar mutuamente um ao outro e estender nossa mão solidária ao nosso povo. Só assim poderemos criar um mundo novo e deixar para trás este contra qual lutamos.

* CLASSISMO: Acreditamos que a sociedade é dividida em classes. De um lado temos os capitalistas (os donos de grandes empresas, de grandes propriedades de terra, donos dos bancos) que têm interesses diferentes da nossa classe, a classe trabalhadora (composta pela maioria da população que trabalha/trabalhou diariamente para tirar seu sustento ou que está desempregada). Os trabalhadores, apesar de serem os responsáveis por toda a produção, recebem apenas uma pequena parcela da riqueza, ficando a maioria nas mãos de burgueses!

* CONTRA TODA OPRESSÃO CAPITALISTA: Sabemos que a estrutura patriarcal e supremacista branca atinge diretamente a população mais pobre. Por isso se faz necessário que essas parcelas da sociedade, que são maioria numérica e minoria apenas em questão de direitos, se organizem em movimentos combativos, a fim de garantir minimamente seus direitos sociais e políticos como condições mínimas para sobreviverem e, assim, poderem lutar pela superação da sociedade capitalista, patriarcal e racista. Neste sentido, de imediato, defendemos a autodefesa das populações mais vulneráveis, como mulheres, negros, indígenas e a população LGBT+ para garantirem sua sobrevivência. Porém autodefesa não apenas no sentido físico, de confronto direto, mas também no sentido político, munindo os mais oprimidos de teorias que possibilitem sua emancipação, e material, para que se tornem autônomas e independentes do sistema que os oprime.

* PELA ALIANÇA ESTUDANTIL-TRABALHADORA: Acreditamos que os estudantes que fazem parte da classe trabalhadora devem se organizar e lutar junto à sua classe. Nossa educação precarizada é o resultado dos interesses dos patrões e seus governadores, para quem não passamos de meros operários descartáveis. Mas seguiremos lutando por uma educação libertadora, que nos incentive a pensar, não a obedecer, lado a lado com a luta pela libertação de todo o povo trabalhador.

* ANTI-GOVERNISMO: Além de mantermos nossa autonomia frente aos governos, devemos sempre lutar contra eles, mesmo os que se dizem de "esquerda". Organizações aparelhadas, como UNE, UBES e UMES, se interessam apenas pelo seu próprio poder, na sua perpetuação e na sua expansão, sem pensar no bem dos estudantes. Quando seu partido está no governo, estes grupos fecham os olhos aos retrocessos e deixam de lutar. Quando estão fora do governo, brecam a luta e direcionam as massas para seus interesses: voltar ao governo!

* ANTIRREFORMISMO: Nós recusamos a luta pelo governo, nosso objetivo é muito maior. O sistema capitalista é um sistema baseado na opressão e na desigualdade, sem ricos e pobres o sistema capitalista acaba. Sendo assim, se quisermos o fim das desigualdades não temos que lutar simplesmente para reformar o sistema capitalista, mas sim para que ele acabe e para que algo novo e melhor seja erguido em seu lugar.

Em resumo, a RECC pretende essencialmente duas coisas: impulsionar a luta combativa dos estudantes pelos seus direitos, por autonomia, investimento e liberdade estudantil, mas além disso, incentivar e propagar a via revolucionária, a única que poderá libertar a educação, o trabalho e todo nosso povo. Dito isto, seguimos a linha de pensamento histórico do sindicalismo revolucionário, começada pela Associação Internacional dos Trabalhadores, e concretizada na Carta de Amiens, que define a tarefa sindical, revolucionária e militante em duas, uma de reivindicações imediatas e outra sobre mudanças sociais mais profundas[1]:

* DEFENDER A EDUCAÇÃO PÚBLICA, LAICA E GRATUITA: Lutamos agora contra os retrocessos, os cortes de investimento, os ataques à autonomia estudantil e docente, a precarização, a privatização, a militarização e a incursão religiosa na educação. Apenas a luta combativa e organizada dos estudantes pode defender e garantir direitos.

* QUEREMOS UMA EDUCAÇÃO NOVA, POPULAR, AUTÔNOMA E LIBERTADORA: Nossa luta vai além da defesa da educação que temos hoje, que cumpre os requisitos mínimos de uma educação libertadora mas não alcança respaldo nas camadas populares e não permite autonomia real para estudantes e professores. Temos que mudar nossas escolas e universidades, quebrar seus muros e servir ao povo! Lutamos por uma educação que chegue às periferias, industrias e bairros, que não seja tutelada por governo ou empresário nenhum e que tenha como objetivo principal o bem-estar, o desenvolvimento e a libertação popular!

Por fim, é importante ressaltar que a RECC não faz recorte ideológico, tendo como modelo estratégico, organizativo e programático o Sindicalismo Revolucionário[2], podendo ingressar marxistas, anarquistas ou qualquer estudante que se identifique com os princípios da organização. Também não fazemos recorte religioso, de gênero ou étnico-racial, considerando e prezando pela diversidade dos estudantes da classe trabalhadora.O Núcleo de militância da RECC em São Paulo convida todos os estudantes comprometidos com as causas da classe trabalhadora a nos conhecer e a criar conosco um movimento que visa uma educação de qualidade, do povo, pelo povo e para o povo, a serviço da classe trabalhadora e da nossa libertação!

Avante a juventude combativa! Viva o sindicalismo revolucionário! Viva a luta combativa popular! Por um movimento estudantil combativo e revolucionário! Viva a Rede Estudantil Classista e Combativa!

Mande um email pra gente: redesp@protonmail.com

[1]https://pt.wikipedia.org/wiki/Carta_de_Amiens

[2]https://lutafob.files.wordpress.com/2019/01/sr-e-suas-diferen%C3%A7as-com-os-demais.pdf

https://www.facebook.com/notes/recc-sp/recc-sp-carta-de-reapresenta%C3%A7%C3%A3o-do-n%C3%BAcleo-da-recc-de-s%C3%A3o-paulo/142917487348155/
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