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(pt) 86 da morte de Nestor Makhno: avançar na única direção possível ao plataformismo, o bakuninismo (ca, en, fr, pt) por União Popular Anarquista - UNIPA

Date Wed, 29 Jul 2020 09:25:44 +0300


Introdução ---- Em junho de 1926, a publicação na França de um documento intitulado "Plataforma de Organização da União Geral dos Anarquistas" (assinado pelo grupo de exilados russos Dielo Trouda), causou um profundo impacto e mal estar entre anarco-comunistas, anarco-sindicalistas e individualistas, especialmente na Europa. ---- Entre os que assinavam o documento estavam o camponês Nestor Makhno, principal liderança do Exército Insurgente da Ucrânia, e Piotr Archinov, um operário e guerrilheiro, ambos veteranos da revolução e da guerra civil russa (1917-1921). O documento convocava a reorganização do anarquismo revolucionário, a luta ideológica contra o individualismo desorganizador e criação de uma organização anarquista internacional.

Errico Malatesta, um dos principais anarco-comunistas da época, se pronunciou de maneira clara e categórica contra os pressupostos estabelecidos pela Plataforma: "Ora, sendo a organização proposta tipicamente autoritária, não só não facilitará a vitória do comunismo anarquista, como falsificará o espírito anarquista e resultará no contrário do que esperam seus organizadores". Vóline, um anarco-comunista russo exilado na França escreveu o seguinte: "Concluindo, o único ponto original na Plataforma é seu revisionismo em direção ao Bolchevismo, escondido pelos autores..."

A Plataforma de Organização era um documento que apontava para três tarefas fundamentais: o desenvolvimento de uma teoria anarquista como base da organização internacional; a maior precisão da estratégia e programa globais para a revolução socialista a partir da crítica da experiência da degeneração burocrática da revolução russa de 1917; a crítica da função que os anarquistas tinham desempenhado no movimento de massas e a apresentação de uma linha revolucionária de ação.

Essas tarefas colocadas pelos autores da Plataforma de Organização não foram realizadas. E nisso reside em grande parte as razões do declínio histórico do anarquismo, que assim como Makhno e Archinov apontaram, continuaria sendo marginal em relação às lutas das massas camponesas e operárias caso não enfrentasse tais tarefas.

A Plataforma tinha também os seus limites. A reação dos anarco-comunistas, individualistas e anarco-sindicalistas denunciava os Plataformistas como algo "estranho ao anarquismo". Os "plataformistas" foram acusados de "desviarem-se do anarquismo", de trilharem uma perigosa fronteira com o "bolchevismo" e com as ideologias "autoritárias".

Mas na realidade, os Plataformistas, ao contrário do que seus críticos afirmavam, não estavam "rompendo" com o "anarquismo em geral". E sim com o revisionismo (representado pelas auto-proclamadas "correntes"). Os plataformistas também achavam que estavam criando uma proposta nova. Na realidade, eles apenas estavam recuperando, de forma parcial, a concepção bakuninista originária da Primeira Internacional que foi renegada pelo anarco-comunismo de Errico Malatesta e Piotr Kropotkin, pelo anarco-sindicalismo e seus teóricos como Rudolf Rocker.

A Plataforma de Organização foi recusada por ela conter em seu interior um movimento em direção aquilo que os anarco-comunistas, individualistas e anarco-sindicalistas haviam negado: o bakuninismo. Mas a Plataforma apenas delineou as tarefas. Os seus autores não tiveram as condições históricas para realizá-las. Eles mostraram que seria preciso construir uma organização anarquista internacional. Que esta deveria ter unidade teórica, unidade tática, responsabilidade coletiva e federalismo. Mas eles, por motivos de força maior, deixaram esta tarefa incompleta.

A experiência anterior de crítica e os esforços heróicos de indivíduos e pequenos grupos que fizeram criticas parciais e reflexões que antecedem a análise aqui apresentada devem ser reconhecidas. A crítica plataformista nos anos 1920 na Europa; as críticas de pequenos grupos de "bakuninistas" no Brasil e a defesa mesmo que confusa da Makhnovitischina no Brasil por José Oiticica; a critica e oposição do Grupo Antorcha a capitulação dos anarco-comunistas liderados por Santillan na Argentina. Também nos anos 1930 a critica a degeneração do anarco-sindicalismo e comunismo espanhol por Makhno e Jaime Balius e Los Amigos de Durruti. As críticas de Georges Fontenis nos anos 1950 e da FAU-histórica nos anos 1960 são fundamentais. Mas é preciso também reconhecer que todas essas criticas foram incompletas e parciais. Não conseguiram se consolidar, porque não caminharam em direção ao bakuninismo.

Esse documento visa exatamente assumir responsabilidade de executar as tarefas delineadas pela Plataforma de Organização e pelos demais camaradas. Continuar de onde pararam: avançar na única direção possível ao plataformismo, o bakuninismo. Nesse sentido, ele tenta apresentar os traços estruturais da teoria anarquista - o bakuninismo - e convocar a reconstrução da organização internacional bakuninista e da organização internacional dos trabalhadores. Essa tarefa é hoje central.

A degeneração das revoluções socialistas e de libertação nacional, a integração dos sindicatos de orientação social-democrata e anarco-sindicalistas dentro do sistema capitalista mostram que o proletariado tem sido levado a sucessivas e gravíssimas derrotas históricas. A capitulação dos anarco-comunistas a anarco-sindicalistas também é um traço importante dessa história. Foi em grande parte o resultado dos erros de teoria, do empirismo e oportunismo que marcava a formação das organizações políticas e as organizações de luta dos trabalhadores.

Pretendemos então aqui convocar a construção de uma Rede Anarquista Internacional (RAI) e de uma Tendência Classista-Internacionalista (TCI). Essas formas organizacionais visam dar início ao processo de reconstrução da Aliança e da AIT. Mas para delinear de forma mais concreta as características dessa organização política e de massas é preciso antes de tudo uma apresentação do conteúdo do bakuninismo e uma profunda crítica da teoria que foi dirigente das lutas dos trabalhadores no último século: o marxismo. E preciso também uma crítica séria das experiências de luta dos trabalhadores e de como os desvios de teoria foram determinantes para as derrotas dos trabalhadores.

A plataforma de organização do anarquismo revolucionário aqui apresentada visa então fixar as bases teóricas e programáticas de tal construção internacional. A primeira parte do documento é uma crítica teórica e histórica das diferentes teorias e experiências de organização e luta dos trabalhadores. A segunda parte é uma aplicação da concepção bakuninista de teoria e revolução ao atual estágio de desenvolvimento capitalista. A partir disso, apresentamos uma proposta de organização dos revolucionários e dos trabalhadores para a luta pelo socialismo.

Os indivíduos e grupos que quiserem discutir a adesão a esta Plataforma de construção de Seções da RAI e TCI em seus países devem escrever para se engajar e desenvolver o dito processo: as orientações adicionais e detalhadas serão repassadas pela Comissão de Construção.

UNIPA - Brasil

OPAR - México

Leia na íntegra: Plataforma Internacional do Anarquismo Revolucionário

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2020/07/26/86-da-morte-de-makhno/
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