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(pt) Federação Anarquista Gaúcha - FAG: "O impossível não existe". Se nós, anarquistas, não acreditássemos nisto, não existiríamos. Por Anne, militante da FAG

Date Wed, 22 Jul 2020 08:12:49 +0300


Faleceu ontem (18/07), em Paris, Lucio Urtubia, pedreiro, expropriador e anarquista navarro, aos 89 anos, e quem repetia esta frase em todos os espaços que estava presente. ---- Lucio esteve em Porto Alegre em 2008, durante o Encontro Latinoamericano de Organizações Populares autônomas - ELAOPA. Passou por vários pontos de militância, como os bairros restinga - onde foi o ELAOPA, Morro Santana e, na vizinha Viamão, no bairro Santa Isabel. Na ocasião também ocorreu, na sede da FAG, a mostra do documentário "Lucio", de 2007, que conta a história dele. ---- E foi lá, no mezanino da antiga sede da FAG, na rua Lopo Gonçalves, que descobri seus feitos. Ouvir aquele homem falando com muita modéstia sobre viver a utopia, sobre agir pelo que acreditamos que possa ser a sociedade, foi inspirador. E ainda que Lucio nunca tenha sido organicamente organizado nas estruturas políticas anarquistas, deixa grandes exemplos de organização e planejamento de ações.

O feito mais famoso de Lucio foi a impressão de cheques de viagem falsos do Citibank, que permitiu colaborar com diversos movimentos revolucionários no mundo, organizando uma estrutura tal que, mesmo quando foi preso, as ações seguiam. Os traveler checks do banco americano foram desvalorizados no mundo todo. O megabanco Citibank se viu obrigado a negociar, retirar a acusação e ainda pagar para ter a matriz com a qual os papeis perfeitos eram impressos.

No entanto, suas ações de apoio a refugiados, clandestinos, exilados políticos sempre aconteceram em paralelo ao seu trabalho como pedreiro, o que lhe fazia "nunca esquecer de suas origens e a não cair na estupidez cegadora do dinheiro".

No livro autobiográfico "Mi utopía vivida", conta que nasceu de uma família muito pobre, mas cheia de amor. E desde cedo também aprendeu a não respeitar a propriedade injusta.

Em uma de suas histórias, conta que foi cedo a uma obra em que trabalhava para "pegar" uma porta que precisavam uns amigos. Ao vê-lo fazendo esforço, dois policiais que passavam ofereceram ajuda para levá-la até o automóvel. Causos de uma vida de convicção de estar do lado certo, dos desobedientes e insubordináveis.

"Se realmente queremos que um dia esta sociedade funcione de maneira responsável e autogestionada, temos que saber que há que se trabalhar. Nós, naquela época, não perdíamos tempo em palavras. Palavras e atos. Ambas são necessárias se não queremos paralisar-nos em nossa luta para mudar a sociedade. O trabalhar é básico para mudar a sociedade, para saber e aprender", escreveu.

Lucio era um homem de ação. Em homenagem à sua história, e ao encontro dele também ter sido o marco de minha "chegada" ao anarquismo, colocamos - eu e meu companheiro - seu nome em nosso filho. Numa oportunidade, em 2019, levei o guri para conhecer o "vovô" Lucio. Ele se recuperava de um problema de saúde, com algumas sequelas. Foi surpreendentemente simpático e se esforçou para um autógrafo longo no seu livro: "Lucio Urtubia, el anarquista irreductible". Num momento muito especial, trocamos algumas ideias sobre o mundo de hoje, ao que ele comentou "o necessário é possível". Aos 88 anos, ele seguia firme na sua convicção. Não parecia saudosista de outros tempos.

Quando perguntei quando parou, ele respondeu: "quando só faltava baterem em minha porta. Quando o cerco estava muito fechado". Neste caso, "parar" significou parar com ações de risco, mas nunca com possibilidades coletivas. Por fim, teve uma empresa de construção, Atelier 71, que mantinha como empregados refugiados e imigrantes ilegais, onde trabalhou por 25 anos.

"Antes acreditávamos muito em nosso ideal, mas sobretudo acreditávamos que este se faria realidade. Com os meios e a infraestrutura que tínhamos, com nossos saberes e ideias, pensávamos que triunfaríamos. Eu estava convencido disso, e sigo estando. Creio que aquela sociedade pela qual lutávamos é possível. É verdade que agora somos menos, seja porque alguns já não creem, seja porque alguns já não estão entre nós. Certo, se acabou aquela época, mas não se acabou a luta. Ainda que não tenhamos conseguido, tudo segue em movimento: a vida e o pensamento. Ainda que estejamos cansados, o combate continua, O importante é seguir lutando. Somos menos, mas nossas ideias são mais, não em quantidade, mas em qualidade. E digo isso por tudo o que estou vivendo nestes último anos."

Seguiremos, Lucio! Gracias por todo.

Que a terra lhe seja leve, companheiro!

Trechos extraídos da biografia "Mi utopía vivida", de Lúcio Urtubia. 2014. Editora Txalaparta. Em tradução livre.

https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha/posts/3492999280711605
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