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(pt) liga rj - Brasil 1: política como domesticação e espetáculo I. ---- *Heitor dos Rios.

Date Tue, 25 Dec 2018 07:15:55 +0200


Há um fascínio pelo espetáculo que é a cena política. Os brasileiros, da elite ou trabalhadores, classe média em especial, gastam boa parte de seu tempo fazendo comentários sobre os comentários e notícias dos políticos da última hora. Os anarquistas, dispersos, para ser razoável, também o fazem em grande parte. ---- Costumeiramente todos dão palpites sobre política igualmente como se faz com o futebol. Sim, mas, nem tudo são eleições ou partidas, ou se resume a ganhar e perder. Isso porque na política, diferente do futebol está em jogo de forma direta/indireta sua saúde, sua educação, sua moradia, sua vida, sua liberdade. Assim, terminada as eleições eles, os políticos e o sistema (rádios, canais de Tv, jornais online, impressos, revistas) te dizem que apenas quatro anos depois você poderá mudar aquilo que lá está. E você acredita nisso? Quando seu time perde ou ganha, haverá um próximo jogo na semana seguinte e você não terá de esperar tanto tempo mais para reclamar ou para festejar uma vitória, que em nada afeta sua vida material.

Longe de querer resumir política e futebol. Vejamos que independente do governo atual ou do próximo que vigorará a partir de 01 de janeiro de 2019, as mudanças, ou como os políticos de esquerda e de direita gostam de chamar "as reformas", seguem em ritmo acelerado, com o silêncio de sindicatos e organizações e movimentos sociais atrelados a partidos de esquerda - especialmente -, seguem em silêncio, apostando na via jurídica e eleitoral anulando e capitulando contra os interesses de pobres e trabalhadores do Brasil adentro aguardando um erro daqueles que estão no poder para voltar a governar e retomar seu lucros e luxos.

Vejamos uma lista resumida de tudo que já se fez contra nós trabalhadores e pobres deste país antes do novo governo assumir:

Reforma das leis trabalhistas: precarização das relações de trabalho, contratação precária para trabalho por horas sem direitos trabalhistas aplicados, permissão de trabalho de mulheres grávidas em ambiente insalubre, aumento da jornada de trabalha diário (8 para 12h) e semanal (40 para 60h) sem os direitos às horas extras com percentuais de acréscimo, redução do tempo de descanso durante o dia de trabalho, flexibilização das férias, negociação individual de contrato de trabalho e de rescisão contratual diretamente da empresa com o empregado.

Transporte público: aumento das tarifas nas grandes e médias cidades do Brasil previstos para janeiro de 2019.

Crise econômica seletiva: negação de aumento salarial aos trabalhadores mais pobres, aumento de salário para juízes, recriação do auxílio moradia para juízes, cancelamento de concursos para saúde e educação. Corte de recursos para pesquisa e educação, sucateamento e desmonte do sistema educacional universitário federal.

Privatizações: redução da produção nas refinarias da Petrobras em pelo menos 50%, política de incentivo a demissão voluntária e aposentadorias, venda dos campos de exploração e produção de petróleo em mar e terra, privatização dos correios, privatização da Eletrobas, fechamento de agências bancárias do Banco do Brasil e Caixa Econômica e política de demissão voluntária e incentivo a aposentadoria, privatização dos bancos públicos.

Direitos humanos excludentes: silêncio e omissão premeditadas criminosamente contra as violações e violências contra as populações indígenas, quilombolas, atingidos por barragem, sem teto, sem terra, sem saúde, mulheres, militarização da sociedade, guerra cirúrgica contra moradores das periferias das grandes, médias cidades e nas zonas ruais.

Enquanto assistimos e comentamos a política local, nacional, internacional. Enquanto nos esquivamos pelos cantos em nossas ruas, bairros, periferias sozinhos, enquanto rastejamos dentro de nossas bolhas virtuais, enquanto fazemos a "nossa parte", e nos isolamos com os "iguais" dizendo e vivendo uma ilusão num infinito particular a exploração, a injustiça, a opressão avançam e fingimos não sentir medo.

Talvez pelo medo, por uma injustiça, por uma agressão, por uma ideia ou causa seja possível sair da letargia social e nos levantarmos em algum momento para trabalharmos e lutarmos juntxs.

*Colaborador

https://ligarj.wordpress.com/2018/12/19/brasil-politica-como-domesticacao-e-espetaculo/
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