A - I n f o s

uma agência de notícias multilínguas de, por e para anarquistas **
Notícias em todos os idiomas
Últimas 30 mensagens (Portal) Mensagens das últimas duas semanas Nossos arquivos de mensagens antigas

As últimas cem mensagens, por idiomas em
Castellano_ Català_ Chinês_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Grego_ Italiano_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe_ The.Supplement

Primeiras Linhas Das Dez últimas Mensagens
Castellano_ Català_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe


Primeiras linhas de todas as mensagens das últimas 24 horas
Indices das primeiras linhas de todas as mensagens dos últimos 30 dias | de 2002 | de 2003
| de 2004 | de 2005 | de 2006 | de 2007 | de 2008 | de 2009 | of 2010 | of 2011 | of 2012 | of 2013 | of 2014 | of 2015 | of 2016 | of 2017 | of 2018

(pt) Liga-rj: Reflexões: "Camus: o sindicalismo revolucionário"

Date Sat, 22 Sep 2018 07:32:11 +0300


A virtude não pode separar-se do real sem se tornar em princípio de mal. Mas também não se pode identificar absolutamente com o real sem se negar a si mesma. ---- O valor moral que a revolta põe a claro não está acima da vida e da história, como a vida e a história não estão acima dele (...) ---- A civilização jacobina e burguesa supõe que os valores acima da história e a sua virtude formal é uma mistificação repugnante. A revolução do século XX decreta que os valores só existem no devir histórico e a sua razão histórica justifica uma nova mistificação. ---- O sentido da medida ensina-nos que é preciso algum realismo em qualquer moral; a virtude que é assassina; e que é preciso alguma moral em qualquer realismo: o cinismo e assassino. É por isso que o palavreado humanitário não tem mais fundamento que a provocação cínica.

Enfim, o homem não é inteiramente culpado, porque não começou a história; nem inteiramente inocente porque ele a continua. Os que ultrapassam esse limite e afirmam a sua inocência total acabam no desespero da culpabilidade definitiva. Pelo contrário, a revolta os coloca na condição de uma culpabilidade calculada.(...) O fins justificam os meios? É possível. Mas quem justifica os fins? A esta pergunta, que o pensamento histórico deixa em suspenso, a revolta responde: os meios. (...)

Quanto a saber se uma tal atitude encontra expressão política no mundo contemporâneo, é fácil evocar, como um exemplo apenas, o que tradicionalmente se chama sindicalismo revolucionário. Este sindicalismo não é ineficaz? A resposta é simples: foi ele que, num século, melhorou prodigiosamente a condição operária, passou da jornada de 16 horas/dia para a jornada de 40 horas semanais.

O Império Ideológico fez regredir o socialismo e destruir a maior parte das conquistas do sindicalismo. Porque o sindicalismo partia da base concreta - a profissão - que está para ordem econômica como a comuna para a ordem política, célula viva a partir da qual se edifica o organismo, enquanto a revolução cesarista parte da doutrina e procura forçar a realidade a ajustar-se aos seus padrões. O sindicalismo, como a comuna, é a negação do centralismo burocrático e abstrato em benefício do real.

Pelo contrário, a revolução no século XX pretendeu apoiar-se na economia, mas foi primeiro que tudo política e ideológica. Não pode, em virtude disso, evitar o terror e a violentação do real. A despeito das suas pretensões, parte do absoluto para modelar a realidade. Inversamente a revolta parte do real e, num combate perpétuo caminha para a verdade.

Assim, a primeira (revolução política ideológica) tenta realizar-se de cima para baixo, a segunda (revolução social) de baixo para cima. Longe de ser romântica a revolta toma partido pelo verdadeiro realismo. Se quer a revolução, qure-a a favor da vida, não conta ela. Por isso parte de realidades concretas, a profissão, a aldeia, onde transparece o ser, o coração vivo das coisas e dos homens. Para ela a política deve submeter-se a esta verdade. Para terminar, quando faz avançar a história e e alivia a dor dos homens, o faz sem terror, se não sem violência, e nas condições políticas mais diversas.

Mas este exemplo vai mais longe do que parece. Precisamente no dia em que a revolução cesarista triunfou do espírito sindicalista libertário, o pensamento revolucionário perdeu um contrapeso de que não pode privar-se sem fracassar. A história da I Internacional, em que o alemão luta sem cessar contra o pensamento libertário dos franceses, espanhóis e italianos, é a história da luta entre a ideologia alemã e o espírito mediterrânico. A comuna contra o estado, a sociedade concreta contra a sociedade absolutista, a liberdade refletida contra tirania irracional, o individualismo altruísta contra a colonização das massas, são as antinomias que traduzem uma vez mais a longa confrontação entre o sentido da medida e a falta desse mesmo sentido que anima o ocidente desde a antiguidade.

(...) Mas o absolutismo histórico, a despeito dos seus triunfos nunca deixou de chocar com uma exigência invencível da natureza humana de que o Mediterrâneo, onde a inteligência é a irmã da luz intensa, guarda segredo. Os pensamentos revoltados como os da comuna ou do sindicalismo revolucionário, não cessaram de proclamar essa exigência face, tanto ao niilismo burguês como ao socialismo cesarista.

O pensamento autoritário em consequência de três guerras e graças à destruição física de uma elite de revoltados, afogou esta tradição libertária. Mas esta triste vitória é provisória, o combate continuará sempre.

Sobre Albert Camus e o livro O Homem Revoltado:

"O Homem Revoltado Albert Camus. Quando foi publicado pela primeira vez em 1951, O Homem Revoltado valeu a Albert Camus um verdadeiro linchamento promovido por intelectuais franceses encabeçados pelo romancista e filósofo Jean-Paul Sartre. O ataque de Camus aos crimes perpetrados em nome da revolta repercutiu mal, e ele ainda foi acusado de defender a liberdade de forma simplista, privilegiando a questão individual. Foi assim que, por várias décadas, a complexidade de seu pensamento foi reduzida a uma tese de direita.

Stálin ainda vivia, muita gente começava a se desentender com o Partido Comunista, mas apesar disso Camus não podia ser perdoado ao criticar igualmente a violência e o totalitarismo de direita e esquerda. Não se podia aceitar uma crítica tão forte contra as prisões e os assassinatos perpetrados em nome da revolução. O novo humanismo de Camus - talvez por vezes contraditório, mas certamente sincero - era repudiado radicalmente."

Comentários:

Algumas tendências anarquistas na América Latina há muito flertam com o autoritarismo e o populismo. Talvez o pior destes momentos foi o apoio de algumas organizações anarquistas à ditadura cubana e que hoje ganha sua nova versão com anarquistas, sobretudo na América do Sul apoiando a ditadura venezuelana e em silêncio contra a ditadura na Nicarágua.

A cultura Brasileira e de toda a Latino América demonstram nitidamente uma tendência autoritária nas suas populações em todas as classes, gêneros, etnias e sexualidades.

Organizações anarquistas no Brasil introduziram elementos "conceituais e teóricos" originários do marxismo como: autoritarismo, centralismo, verticalização e cientificidade. Tentativas contínuas de transformar a cultura anarquista em uma simplória, tacanha e limitada "teoria política" com verniz "científico" roubado envergonhadamente dos autoritários marxistas está em curso no Brasil e também em outros países como Uruguai, Chile e Venezuela.

Constatações e considerações postas é necessário manter o caráter libertário da cultura anarquista e seguir com a construção das organizações de trabalhadores e organizações anarquistas para além do câncer autoritário e da droga do individualismo autoindulgente burguês que se incrustou no movimento anarquista.

Contra a verticalidade a descentralização. Contra o centralismo o federalismo autogestionário. Contra o autoritarismo a liberdade.

Leia o livro completo: Camus, Albert. 1951. O homem revoltado.

Tradução e comentários: Heitor dos Rios (colaborador).

https://ligarj.wordpress.com/2018/09/18/reflexoes-camus-o-sindicalismo-revolucionario/
_________________________________________
A - I n f o s Uma Agencia De Noticias
De, Por e Para Anarquistas
Send news reports to A-infos-pt mailing list
A-infos-pt@ainfos.ca
Subscribe/Unsubscribe http://ainfos.ca/mailman/listinfo/a-infos-pt
Archive http://ainfos.ca/pt