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(pt) FARJ Libera #172 - A ORGANIZAÇÃO POLÍTICA É O DECISIVO (trechos) Federação Anarquista Uruguaia

Date Wed, 14 Feb 2018 11:36:21 +0200


“O problema do poder, decisivo em uma transformação social profunda, só pode ser resolvido no nível político, através da luta política. E esta requer uma forma específica de organização: a organização política revolucionária. Só através de sua ação, enraizada nas massas, pode conseguir a destruição do aparato estatal burguês e sua substituição por mecanismos de poder popular.” ---- “a atividade política não pode ser reduzida à luta econômica, à prática sindical, ainda que esta possa conter, como efetivamente contém, elementos ‘políticos’. ---- […] Mas esta luta econômica não produz espontaneamente a luta contra o poder político como tal.” ---- “Por isso, o espontaneísmo, as mobilizações espontâneas de massas, reflexo de um acúmulo de problemas sem solução que logo ‘estouram’, se não forem canalizados e instrumentalizados adequadamente, dificilmente transcendem ao plano político em termos de modificar as relações de poder.”
“A destruição do poder
[burguês…] supõe a criação de
uma outra ordem social, a qual
exige a adoção de um outro
‘modelo’ de organização (que
implica uma ideologia) e, além
disso, uma inevitável luta que
implica meios técnicos, que o
movimento de massas, por si,
espontaneamente não pode
desenvolver com êxito. Este é, em
nossa época, o ensinamento a ser
extraido dos grandes movimentos
espontâneos de massa.”

“Não é possível uma insurreição,
nem um processo de luta
prolongada de costas ou distante
das massas. A predisposição
espontânea dessas, que é função
da organização política canalizar
em termos de organização e
desenvolver ideologicamente, tem
sempre um papel absolutamente
principal. Não se pode realizar uma
revolução à margem ou apesar da
gente. E menos ainda construir um
novo sistema social sem a adesão
inicial pelo menos de um setor
bastante amplo do povo.”

“Daí a necessidade de uma atividade
ideológica de esclarecimento (e de
dispor dos elementos necessários
a ela) que não é contraditória mas
complementar a outros níveis de
luta (econômico, militar, etc.). Por
atividade ideológica não entendemos,
obviamente, a pregação intelectual,
‘educacionista’, que se remete mais
ou menos exclusivamente à difusão
de ‘teoria’ revolucionária, ainda
que, esclareçamos, esta também
possui sua importância. Atividade
ideológica é algo mais que a mera
difusão de conhecimentos teóricos.”

“Os fatos, a própria prática política,
são ingredientes, elementos
decisivos da integração de um nível
de consciência revolucionária.”

“[…] um resultado ideológico
essencial firma-se em demonstrar
diante do povo uma perspectiva de
vitória, um caminho de esperança,
de confiança na possibilidade de
uma transformação profunda,
revolucionária. […] E esta função
‘demonstrativa’ […] é função de uma
minoria politicamente organizada,
com um nível ideológico, de
consciência que não pode ser gerada
na prática espontânea das massas.
Um nível que supõe a superação do
espontaneísmo.”

Seleção: Felipe Corrêa. Revisão: FARJ

MECHOSO, Juan Carlos. Acción directa
anarquista: una historia de FAU. Tomo I, II,
III e IV. Montevidéu, Recortes.

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No.172 SET-DEZ 2017 Libera-FARJ 3
contra a repressão ao anarquismo e a luta social

A repressão ao povo trabalhador que busca levantar-se contra a exploração é uma constante na história do Brasil. Recentemente, a Federação Anarquista
Gaúcha, a Ocupação Pandorga e o Instituto Parrhesia Erga Omnes, grupos que atuam no Rio Grande do Sul, foram alvo de uma criminosa operação policial
denominada “Érebo”. Essa operação foi construída em conjunto com a Rede Globo, que ao que tudo indica cumpria o papel de coletar informações, com
o nítido intuito de criminalizar esses grupos e com evidentes informações privilegiadas junto à investigação policial. No domingo seguinte, a Globo apresentou
a cobertura da operação juntamente com uma matéria que visou relacionar o anarquismo ao terrorismo. Como “provas” contra os grupos, a Polícia
Civil apresentou livros, cartazes, faixas, máscaras e garrafas PET de plástico com lixo compactado, prática comum de reciclagem. Segundo ela, estas seriam
usadas para fabricação de coquetel-molotov. É inaceitável que lutadores sociais continuem sendo perseguidos e criminalizados, mas do Estado e da mídia
corporativa não esperamos nada mais que este tipo de prática. Lembramos que essa perseguição não é novidade: a história do Brasil é repleta de casos
de brutal repressão àqueles que lutam por uma vida digna e pela garantia de seus direitos sociais. Não podemos esquecer da brutal perseguição aos povos
indígenas e quilombolas que enfrentaram bravamente o regime colonial, escrevendo as linhas da história do nosso país com sangue.

Desde o surgimento do movimento operário no Brasil, percebemos um processo de institucionalização da perseguição política e social, camuflando o interesse
de neutralizar a luta social através de um discurso de suposta legalidade. Em 1907, a “Lei Adolfo Gordo” regulava a expulsão de estrangeiros “perturbadores
da paz e da ordem”. O ano anterior, marcado pelo Primeiro Congresso Operário Brasileiro, representava um salto organizativo para a classe
operária, o que ameaçava a burguesia ascendente. Depois, “a nova Lei de Expulsão”, sancionada em 1913, acentuava o caráter repressivo desse decreto.
Acompanhando o incremento da atividade operária no país, o número de deportações aumentou nesses anos. O ascenso dos movimentos operários – em
especial, as greves de 1917 e a “insurreição anarquista” de 1918, no Rio de Janeiro – pressionavam a chamada “questão social” para a ordem do dia.

Dizia-se que a questão social no Brasil era “caso de polícia”. Em 1921, com a “Lei de Repressão ao Anarquismo”, o governo visava ceifar os principais militantes
das organizações operárias. Arthur Bernardes, então presidente
em 1922, acentuou as leis repressivas, principalmente no que tange aos
mecanismos de comunicação e propaganda do movimento operário.
A “Lei de Imprensa”, em 1923, colocou sob o jugo do Estado a informação
de periódicos institucionais, criando, em 1926, um mecanismo
constitucional pelo qual o Poder Executivo passava a dispor de poderes
“legais” de expulsão dos indesejáveis. A Colônia de Clevelândia, no
norte do país, criada em 5 de maio de 1922, passa em 1924 a ter uma
nova vocação: purgatório dos impenitentes do Estado oligárquico brasileiro,
abrigando presos de diversas composições políticas, sobretudo
anarquistas e tenentistas, além de “criminosos comuns” e imigrantes
pobres.

Vimos a face mais nefasta da violência das classes dominantes em diversos
momentos da história do Brasil. Como foi a ditadura de Vargas,
que colocou organizações políticas na ilegalidade e chegou a enviar dissidentes
para os campos de concentração da alemanha nazista.
E ainda no período da chamada “redemocratização” (1946-1964), o movimento operário foi reprimido e perseguido pelas forças policiais e os anarquistas
também sofreram vigilância, como constam os prontuários do DOPS. Com a doutrina de segurança nacional, o regime militar, que governou o país de
1964 a 1985 submeteu milhares de militantes, trabalhadores, indígenas, moradores de favela a tortura, perseguição e repressão. Mesmo com pouca força
política, 19 militantes libertários e anarquistas foram presos na invasão da sede do Centro de Estudos Professor José Oiticica (CEPJO) em 1969 e sofreram um
processo pela Aeronáutica que só seria resolvido em 1972.

Nos últimos anos, vimos a própria FAG sofrer com invasões policiais em sua sede em 2014. No Rio temos 23 companheiras e companheiros sendo processados,
o que também ocorre SP, RS, GO e diversos locais do país. A classe dominante tenta à partir de um “acerto de contas” com o passado de 2013,
criminalizar aqueles que lutam e criar um discurso que trate a rebeldia, um fenômeno social fruto das próprias contradições do sistema capitalista, como
crime e terrorismo. Soma-se a tudo isso, as condenações racistas que encarceraram Rafael Braga, que sofre até hoje como bode-expiatório das manifestações
de 2013 sem nunca ter participado de alguma, em duas prisões forjadas, uma em 2013 e outra em 2017, escancarando o racismo da justiça burguesa.

É importante lembrar que passamos por um momento onde diversos direitos estão ameaçados, com a aprovação da Reforma Trabalhista e a tentativa de
uma Reforma da Previdência, além de inúmeras políticas de austeridade e retrocessos políticos de maneira generalizada. Ainda, os recentes assassinatos de
militantes de movimentos camponeses nos mostram que as forças repressivas não tem limites quando o interesse dos poderosos fala mais alto. O objetivo
dessas ações é, indubitavelmente, intimidar os setores da esquerda que não irão aceitar esses ataques e esta repressão, agora respaldadas pela lei “Lei Anti-terrorismo”
aprovada durante governo petista.

No entanto, não iremos nos intimidar. Continuaremos na luta por uma sociedade sem classes e livre das diferentes formas de dominação e opressão. É
atuando ombro a ombro com sindicatos, movimentos populares, camponeses e estudantis, que construiremos os germes do poder popular, resistindo aos
ataques aos nossos direitos e aos braços repressivos das forças político-policiais. Anarquismo não é crime! Anarquismo é luta!
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Centro de Cultura Social é resistência!

Em 1966, durante as fortes chuvas que
castigaram o Rio de Janeiro, a casa da
Rua Torres Homem, 790, conhecida na
época como Associação Baiana, abrigou
dezenas de desabrigados do Morro
dos Macacos que perderam suas casas
e pertences. Nesse meio século, o espaço
se tornou uma referência comunitária
para a vizinhança e moradoras/es
do bairro, chamado por muitas pessoas
de “casa dos baianos”, onde aconteciam
também bailes comunitários e partidas
de futebol em sua quadra.

No final de 2001, foi fundada a Biblioteca
Social Fábio Luz em uma das salas da
casa. Em 2003, o local foi ocupado por
um grupo de pessoas com novas propostas,
e passou a se chamar Centro de
Cultura Social (CCS-RJ).

Ao longo desses 13 anos vem abrigando
diversos trabalhos, como uma oficina de
panificação de bolinhos com jovens do
Morro dos Macacos; a oficina de educação
ambiental e reutilização de materiais
“Boas ideias, magníficos ideais”, de
Maurílio Birimbau; o grupo Luz do Sol,
com atividades voltadas para jovens e
crianças; um letramento escolar; um cineclube
com debates entre jovens; uma
cooperativa de fraldas; o pré-vestibular
comunitário Solidariedade e o trabalho
de educação popular infantil Germinar,
ambos organizados pelo Movimento de
Organização de Base (MOB); aulas de
Kung Fu; o Grupo de Capoeira Angola
Mocambo de Aruanda; um dos núcleos
do grupo de consumo coletivo Rede
Ecológica; o Bazar du Bom; oficinas
de serigrafia; atividades de muralismo
na fachado do CCS; a cooperativa de
venda de livros Jataí e a Biblioteca Social
Fábio Luz, utilizada por muitos pesquisadores
e estudantes.

Além desses trabalhos, o espaço do
CCS é conhecido por suas inúmeras atividades
comunitárias e de confraternização.
Realizamos eventos como festas
julinas, almoços, feijoadas de solidariedade,
atividades culturais, encontros de
pré-vestibulares comunitários, oficinas
sobre os direitos trabalhistas, o evento
de Rap Linha Cultural e outras festividades,
mobilizando e animando tanto
a comunidade quanto nossos voluntá-
rios. O espaço também é cedido aos
moradores do bairro para suas festas
familiares, a preços acessíveis. Assim, o
CCS-RJ busca ser uma referência para a
comunidade e a vizinhança, abrigando e
apoiando iniciativas de geração de renda,
bem como atividades culturais e de
educação popular, dialogando e apoiando
os movimentos sociais, os espaços
comunitários locais e de outros bairros.

Mas todo esse esforço de décadas está
ameaçado. Apesar das diversas atividades
sociais e culturais que sempre
foram realizadas no local, a entidade
gestora anterior nunca pleiteou a isenção
dos valores absurdos do IPTU cobrados
pela Prefeitura. O resultado foi
que nunca conseguiram pagar o IPTU
do imóvel e, quando a atual gestão assumiu
o espaço, a dívida já era enorme
e impagável.

É importante dizer que todo trabalho realizado
no CCS-RJ não recebe nenhum
tipo de financiamento público ou privado.
Cada atividade é autossustentada
com seus próprios recursos gerados a
partir de contribuições de seus participantes
e outras formas de geração de
renda como venda de materiais, camisas
ou doações. Para existir o CCS-RJ
conta com muito esforço, solidariedade
e trabalho voluntário. Para nós, um espaço
com função social para a comunidade,
como o CCS-RJ, não pode pagar
valores altíssimos de IPTU, por isso nos
negamos a pagar esta enorme e injusta
dívida.
Devido à dívida que se acumulou, o espaço
poderá ser leiloado e o CCS-RJ
despejado pela Prefeitura em um futuro
muito próximo.

Precisamos, portanto, nos organizar
para evitar que esse histórico espaço
comunitário de Vila Isabel seja fechado
e entregue à especulação imobiliária.
Vamos reunir a nossa comunidade no
esforço de preservar o CCS-RJ e todos
os seus trabalhos sociais e sonhos. Lutemos
pela garantia de continuidade de
funcionamento desse importante espaço
comunitário.

CCS Resiste!
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Notícias Libertárias

Perseguição a militante da
FAG-CAB - A Rede Intercity Hotels
demitiu uma companheira da
Federação Anarquista Gaúcha (FAG-CAB),
depois da exposição desta
militante em rede nacional. ----
Após a matéria fantasiosa do programa
dominical Fantástico, da Rede
Globo, visando criminalizar o anarquismo,
a companheira passou a sofrer
um crescente assédio moral da
gerência do hotel, por ter se manifestado
enquando delegada da FAG
em coletiva de imprensa da organização.
Esta finalmente foi demitida
no dia 04 de dezembro pela rede.
A demissão é mais um exemplo de
que não há liberdade de organização
política no capitalismo e que o anarquismo
segue sendo tratado como
um crime.

Sacco e Vanzetti: 90 anos da
execução
Entre 1920 e 1927, em que nos Estados
Unidos da América se viveu
a tragédia de Saco e Vanzetti, na
Rússia condenavam-se anarquistas
como Fedor Mochanovski, Baron e
outros.
Ao recordarmos esse monstruoso
crime contra Sacco e Vanzetti,
crime que se consumou em 22 de
agosto de 1927, lembramos aos que
se aproveitaram do nome desses
dois mártires do ideal anarquista,
que podem fazê-lo, mas sem esconder
a verdade. E esta é que Sacco e
Vanzetti eram anarquistas e, por serem
anarquistas, foram condenados
a morte.
José Oiticica, Ação Direta, novembro
de 1956.
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15 anos de organização política anarquista em Alagoas -

Em março
de 2002, era fundado na cidade de Maceió o Coletivo Anarquista Zumbi dos
Palmares (CAZP) que em poucos anos passa a se inserir e organizar sua
luta social na região, inicialmente com trabalho estudantil e comunitário.
Em 2005 o CAZP ingressa no Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) que,
em 2012, daria um salto organizativo para Coordenação Anarquista Brasileira
(CAB). Neste período o CAZP foi ampliando seus espaços de militância,
apoiando a fundação da tendência Resistência Popular (RP) e ampliou sua
perspectiva federalista.
Foi em 2015, no entanto, que o CAZP avança com a fusão do Coletivo
Libertário Delmirense (da cidade de Delmiro Gouveia), se transformando na
Federação Anarquista dos Palmares (FARPA). Sem atropelo e, sobretudo, à
partir das bases, tal como ensina a tradição política libertária, a organização
foi reconhecendo e crescendo com suas trajetórias políticas, experiências e
adversidades locais. Vida longa a FARPA!
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Espaço público da Rusga Libertária - Refundado em dezembro de
2017 em Cuiabá/MT, o Ateneu Anarquista Iko Tema é um espaço destinado
a formação, debates e realização de atividades de corte classista, autônomo
e revolucionário. Que siga fortalecendo o campo revolucionário!
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BIBLIOTECA SOCIAL FÁBIO LUZ - Fundada em 18 de novembro de 2001
Entre em contato e faça uma visita: http://bibliotecasocialfabioluz.wordpress.com

Libera, 2.000 exemplares. Agradecemos a todas/os que fazem esta publicação ser
possível, até as/os mais anônimos colaboradoras/es.
Se tem interesse de distribuir ou contribuir com o Libera entre em contato: farj@riseup.net
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