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(pt) uniao anarquista UNIPA: CAUSA DO POVO #76 - DA REBELIÃO DAS BASES AO CONTROLE DA BUROCRACIA

Date Tue, 23 Jan 2018 09:42:00 +0200


O ano de 2017 prometia ser um ano de lutas radicais. Após um 2016 que foi marcado pelas lutas estudantis com ocupações nas escolas e universidades brasileiras e a luta contra PEC 241 (a pec do teto para os gastos públicos), que teve seu ápice no grande ato de 29 de novembro. Então, 2017 começou com a expectativa de greve geral contra as reformas neoliberais (trabalhista, previdência) do governo Temer (PMDB). Todo o cenário estava armado para que as lutas em 2017 contivessem um caráter altamente explosivo, ampliando a tensão entre base e burocracia. ---- O ano de lutas começou com os preparativos para as mobilizações do dia 15 de março convocado pelas Centrais Sindicais, pressionado pelas bases, que ocorreu em diversas capitais e cidades de todo o Brasil com números expressivos de manifestantes, 100 mil para o Rio e 200 mil para São Paulo. A pauta do momento foi a Reforma Trabalhista, aprovada em julho, que está atingindo em cheio os direitos trabalhistas e aprofundará a precarização das relações de trabalho no Brasil. Já altamente precarizadas.

Entretanto, nas ruas o que se viu foi o racha que existe hoje entre as Centrais Sindicais e a classe trabalhadora. Se a última estava ali, em seu conjunto, para defender os seus direitos e sua condição de vida, as Centrais lutavam pelos seus interesses próprios que são, como nós indicamos no comunicado nº 50: "garantir o imposto sindical e garantir que as lutas aconteçam apenas enquanto alimentem a campanha Lula 2018." E para garantir seus objetivos, as Centrais colocaram seus famosos "bate-paus" para espancar militantes dissidentes, no Rio de Janeiro e no Ceará foram diversos os relatos de espancamento de homens e mulheres por militantes da CUT, Força Sindical e MTST.

A partir disso, ficou claro que a burocracia sindical tentaria controlar e impedir qualquer acirramento nas próximas mobilizações, já que o objetivo do momento era renovar a legitimidade do PT para construir uma base eleitoral para 2018, junto a isso buscava-se impedir que as bases lançassem mão de formas de resistência que colocassem em xeque o poder da burocracia sindical.

Isso ficou claro com a convocação para a Greve Geral de 28 de Abril (28A), com os diversos recuos na construção, como no caso do Rio de Janeiro, onde as Centrais marcaram um "Ato Show" com artistas e políticos. Entretanto, trabalhadores de diversas categorias demonstraram como se faz uma Greve Geral estabelecendo piquetes, barricadas e realizando um ato na ALERJ que foi reprimido pela polícia militar. Enquanto parcela significativa da classe trabalhadora clamava por uma nova greve geral, as centrais optaram por esfriar os ânimos. Por outro lado, ficou evidente a incapacidade de romper o cerco burocrático das centrais por parte das bases e dos pequenos grupos revolucionários.

Um mês depois, no dia 24 de maio, com o Ocupa Brasília ficou claro que o caminho das lutas de 2017 deveria ser a combatividade preconizada por setores revolucionários. O método da Ação Direta se espalhou e até setores do reformismo (Conlutas) saíram da passividade e passaram a atuar de maneira combativa, o que surpreendeu a própria burocracia sindical, que esperava uma situação mais tranquila em Brasília, como forma de pressão parlamentar.

Novamente a burocracia sindical arrefeceu as lutas e puxou uma mobilização para dia 30 de junho, que foi verdadeiro fracasso e aumentando o imobilismo de base diante do controle das centrais.

Enquanto isso, a burocracia sindical (CUT, CTB) continuou praticando seu sindicalismo propositivo recorrendo a negociações palacianas e a uma campanha eleitoral envergonhada (Caravana do Lula-PT), resposta ao ataque político do judiciário, do imperialismo e de parcela da classe dominante apoiada pela pequena burguesia. Seu último passo foi abandonar as mobilizações contra a Reforma da Previdência para o dia 5 de dezembro com a justificativa que a votação do texto da Reforma foi adiada. Como se o calendário da classe trabalhadora tivesse que ser pautado no calendário da burguesia e de suas instituições.

Para enfrentar a burocracia sindical e sua eterna política de desmobilização da classe trabalhadora é fundamental desenvolver uma luta política e ideológica: denunciar a função auxiliar da repressão policial da burocracia sindical; denunciar seu projeto de absorver as lutas dos trabalhadores nos seus próprios interesses de partido, desorganizando a resistência para construir seu projeto de "re" conquista do aparelho de Estado. Mas mais do que denunciar, é fundamental construir o sindicalismo revolucionário para romper o cerco do sindicalismo de estado e socialdemocrata.

As diversas mobilizações demonstraram que o reformismo é incapaz de agir fora da institucionalidade estatal, cumprindo diversas vezes o papel de repressão e apaziguador do antagonismo de classe. No entanto, o próprio reformismo tem procurado se renovar com um verniz "libertário" na medida em que os setores revolucionários não conseguem avançar. O Ano de 2017 demonstrou que a saída é a Greve Geral. Esta não é a reunião de presidente de centrais num escritório, mas sim a articulação das diversas greves pelas bases das categorias. É a unificação das lutas e de apoio política a cada categoria em luta ou a um luta especifica. Para a partir dessa solidariedade ocorrer diversos levantes nas cidades brasileiras que articule um duro golpe na reação burguesa e avançar na proposta organizativa de construção do Congresso do Povo.

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2018/01/19/2017-da-rebeliao-das-bases-ao-controle-da-burocracia/
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