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(pt) Organização Específica Anarquista - Amazonas (OEA): A VELHA OLIGARQUIA ESTÁ EM FESTA NO AMAZONAS: PREPARAR O CICLO DE LUTAS!

Date Wed, 17 Jan 2018 08:33:28 +0200


A eleição suplementar para Governador do Amazonas, ocorreu após a confirmação da cassação de José Melo (PROS) e o vice Henrique Oliveira (SD), por compra de votos, em Maio passado. O então presidente da ALEAM, David Almeida (PSD), cumpriu o mandato tampão até a definição das eleições. ---- Com o resultado deste segundo turno, quem realmente está em festa é a velha elite política amazonense. Venceu o modelo/projeto político da mesma facção que historicamente comanda o Amazonas há mais de 30 anos. Com 59,21% de votos, Amazonino Mendes (PTB), foi eleito superando seu suposto adversário (na verdade filho político) Eduardo Braga (PMDB) com 40,79%. ---- Governo de bandidos oficializam pacto após anuncio de vitória ---- Ao longo do mês de Agosto, temendo que o recorde de não-votantes se repetisse ou tivesse desempenho maior que no primeiro turno (40,17%), diversos organismos institucionais (entre eles o TRE-AM), figurinhas carimbadas da política regional, artistas pop, e principalmente a velha imprensa local, saíram em campanha desesperada contra os votos nulos na Tv, imprensa e rádio. Entretanto, como afirmamos, o fenômeno das abstenções, dos votos brancos e nulos que se apresenta a nós como "termômetro político" da profunda crise de apodrecimento do velho Estado brasileiro, do profundo descrédito para com a politicagem regional, da desconfiança que a classe popular tem das velhas e novas oligarquias que se colocam como gerentes de turno da crise permanente do capital, registraram novo recorde: com a soma total dos números (disponibilizado pelo TSE), temos 49,61% de ‘não-votantes', ou seja, quase 1 milhão de pessoas não votaram, votaram nulo ou em branco neste segundo turno.

Esses são elementos interessantes que a realidade concreta e a conjuntura atual nos apresenta, e é preciso compreende-los para além da rasteira política das urnas, feita por setores da esquerda que visam apenas a ocupação de postos-chave em instituições do Estado burguês e pós-colonial, de setores que confundem a agitação (eleitoral) de rua com organização regular de base.

No geral, as eleições se deram num clima morno e o tímido desempenho que tiveram os candidatos durante todo o processo, foi garantido graças a constante e pesada ‘campanha' diária feita pela grande imprensa local, onde em matérias e reportagens "despretensiosas" ecoavam as propostas, projetos e discursos de um ou outro candidato, se convertendo então como verdadeira "porta voz" das velhas oligarquias locais.

CENÁRIO ATUAL E AGRAVAMENTO DA CRISE:

Em sua primeira coletiva de imprensa após o resultado, as primeiras palavras de Amazonino foram as de homenagem ao seu "querido e inesquecível" padrinho político Gilberto Mestrinho (representante da tradicional oligarquia política no Amazonas pós-ditadura militar e que o inseriu na política local nos anos 80), além de rasgar elogios aos principais construtores de sua candidatura, o senador Omar Aziz (PSD) e o atual prefeito Arthur Virgilio (PSDB). Isto não se dá a toa: em termos de correlação de forças, dentro do que na verdade entendemos ser um governo de 5 anos (a depender de seus desdobramentos), está em curso a rearticulação de velhas forças políticas capitaneada pela coligação "Movimento Pela Reconstrução do Amazonas" vinculada a Temer no plano nacional (tal coligação reúne parlamentares e lideranças políticas como Silas Camara (PRB), Pauderney Avelino (DEM), Josué Neto (PSD), Hissa Abrahão (PDT), José Melo (PROS), Sidney Leite (ex-prefeito de Maués), Carlos Alberto (PRB), Dermilson Chagas (PEN), entre outros bandidos), além de nomes vindos do setor empresarial e industrial (FIEAM, CIEAM, CDL-Manaus especificamente), em torno da plataforma que Amazonino representa: privatização, militarização e recrudescimento da repressão de parcelas pobres da sociedade amazonense, política da venda e sucateamento da coisa pública, continuação do pacto com os consórcios empresariais, corrupção institucional e generalizada, e abertura jurídico-política do Estado para o espólio das transnacionais.

Temer, Amazonino, Omar, Hissa, Silas e Pauderney: governo de bandidos

No jogo das cartas marcadas, todos os partidos fisiológicos da velha política nacional saem lucrando, mas em especial, os grandes beneficiados são o PSDB que agora amplia sua hegemonia no Estado para além da Prefeitura e uma série de postos-chave na CMM, ALEAM, secretarias municipais e estaduais, passando a ocupar também o vice-governo do Estado na figura de Bosco Saraiva, além do PSD de Omar Aziz que terá maior influência nas bases do governo. Por sua vez, Eduardo Braga, se encontra isolado politicamente na formação do atual bloco de poder local, buscando abrigo em alianças com o PR de Alfredo Nascimento e Marcelo Ramos. Entretanto, no jogo das cadeiras que é a recomposição das facções políticas no Estado, onde a mediação se dá não através de princípios ideológicos ou diretrizes políticas, mas sim de interesses de ocasião na manutenção e revezamento de poder, junto ao atendimento dos interesses do grande capital industrial-financeiro para a região, nada está dado e a disputa política é apenas ‘aparente', podendo Braga retornar a casa de seu velho pai.

Amazonas: 261 mil desempregados, 4,7 mil postos de trabalho cortados no 1º semestre

Amazonino é eleito dentro de um contexto bastante delicado para a classe trabalhadora amazonense: o momento é de retirada e desmonte de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, desemprego galopante (261 mil desempregados neste primeiro semestre, só na capital) e com baixas mensais na geração de postos de trabalho nas fábricas da ZFM (foram 4,7 mil trabalhadores demitidos no primeiro semestre). Recentemente, uma falsa polêmica foi levantada pela burguesia industrial e políticos locais, sobre a Lei Complementar 160/2017 assinada pelo golpista Michel Temer sobre a retirada do ‘privilégio' do Amazonas no oferecimento de incentivos/atrativos fiscais via ICMS concedidos a empresas e indústrias: a nova lei, agora garante que todos os estados ofereçam o mesmo incentivo/atrativo ao grande circuito do capital internacional, e isto nada mais é que a ‘cereja do bolo' do pacote de maldades recém aprovado (Reforma Trabalhista e Terceirização), onde o Estado brasileiro, funcionando à toque de caixa, assegurado por leis trabalhistas e ambientais frágeis, mão de obra barata, ‘custos de produção' baixos, fraca organização sindical e alto nível de desemprego (condições fundamentais para a reprodução do capital em localidades onde não tenham que sofrer intromissão do Estado), saem na busca desenfreada por investimentos estrangeiros oferecendo atrativos e lucros rentáveis de curtíssimo prazo para as transnacionais e aos tubarões do monopólio industrial-financeiro (asiáticos e europeus).

Indústria 4.0: o robô faz tudo e o resultado é o desemprego em massa

É nesse cenário que Amazonino vende o discurso da "busca por investimentos", para então "gerar emprego e renda" para o Estado do Amazonas: em reportagem para a velha imprensa local, Amazonino diz que para resolver a crise na ZFM é preciso "formar um grupo de trabalho com o objetivo de integrar o Estado do Amazonas ao network internacional da 4ª Revolução Industrial/Indústria 4.0, estimulando e promovendo encontros, parcerias e acordos com órgãos internacionais (...) envolver a Suframa e a UEA neste processo é elemento-chave" (Acrítica, 03/08/2017). A plataforma da Indústria 4.0, também foi vendida ao empresariado da ZFM, FIEAM (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), CIEAM (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) entre outros, pela candidata Rebecca Garcia (que outrora presidia a superintendência da Suframa), sob o discurso de "capacitação de mão de obra local" (leia-se: apropriação da produção tecnológica local por grandes organismos, fundações e institutos que atuam na ZFM) e abertura de "novos postos de empregos" (uma contradição frente ao que representa a Indústria 4.0 na estrutura e realidade brasileira).

Como afirmamos em outros momentos, independente dos candidatos de turno que ‘disputam' as eleições, "seus interesses e projetos políticos, não destoam em nada dos interesses e projetos das elites integradas ao mercado internacional e o imperialismo". Em Julho deste ano, ocorreu o chamado "Fórum Indústria 4.0", realizado pela Câmara Americana de Comércio (a maior entidade empresarial dos EUA) em São Paulo. Neste Fórum se discutiu os possíveis impactos da implantação da Indústria 4.0 no Brasil (essencialmente alavancada por robôs, pela automação industrial, sensores e tecnologia da informação) que visa o ganho de produtividade e o barateamento dos custos de produção. Especialistas alertam que o resultado imediato da implantação desta modalidade e de sua suposta inovação tecnológica na indústria e na produção local, seria o aumento significativo do desemprego em massa, já alarmante no Estado. Em nosso entender, a introdução deste "dinamismo" técnico da chamada "indústria do futuro", não representa os anseios e demandas dos trabalhadores amazonenses, mas sim, as exigências de organismos centrais do capitalismo internacional, que buscam estabelecer suas formas de produção/mercado/consumo em lugares "estratégicos" da periferia capitalista. Representa a internacionalização dos recursos materiais e humanos da Amazônia ao monopólio e ao capital financeiro, que resultará em impactos profundos nos modos de trabalho, cultura e de vida dos trabalhadores locais.

Aprofundamento da militarização no Amazonas

Com relação à militarização do Estado, ao longo de sua campanha, Amazonino enfatizou o caráter policialesco de sua candidatura: batendo na tecla da "reconstrução do Estado", seu Plano de Governo apresentado num certo debate realizado por empresários da ZFM e CDL-Manaus (Câmara dos Lojistas) na sede da CIEAM as linhas básicas foram: incremento dos "serviços de inteligência" da capital no "combate ao crime organizado", prevenção e repressão "qualificadas", em parceria com as Forças Armadas, Polícia Federal além da troca de informações estratégicas com os outros Estados, a intensificação da horrenda política de guerra às drogas, que não representa outra coisa senão o extermínio e encarceramento em massa da juventude pobre e periférica de Manaus. No plano dos serviços públicos, possivelmente veremos anúncios de "grandes obras" de "reestruturação" na infraestrutura local (hospitais, escolas e universidades), quando na verdade, estão encapadas privatizações, venda da coisa pública e gastos milionários em torno dessas possíveis obras, com a desculpa do uso do "pacote de emergência".

PREPARAR O CICLO DE LUTAS NAS RUAS: SÓ A ORGANIZAÇÃO E LUTA DOS OPRIMIDOS TRANSFORMA A REALIDADE!

Está claro para todos nós que a conjuntura que se apresenta é de intensificação da crise que abala o Estado do Amazonas. Como dito acima, o desemprego em massa no mundo do trabalho privado, debandada de indústrias na ZFM, ameaça de fechamento de portas da UEA, as receitas do Estado no vermelho (vermelho apenas para a educação pública, para o saneamento/infraestrutura básica, para o setor hídrico (dos bairros periféricos), para a sucateada saúde pública e programas de habitação), exonerações e corte de pessoal no serviço publico, avanço dos conflitos entre proprietários de terra e pequenos agricultores no interior do Amazonas, existência aberta de grupos de extermínio que agem na repressão, tortura, desaparecimento e assassinatos de parcelas da juventude pobre e de lutadores sociais na capital, aprofundamento gradual da guerra às drogas e da militarização da sociedade amazonense: essas são as condições objetivas que se apresentam a população.

Para nós Anarquistas, o trabalho frente a esta conjuntura é ainda mais complexo e requer a realização de duas tarefas elementares: a primeira é que devemos fazer nosso ‘dever de casa' no que diz respeito ao trabalho organizativo do próprio anarquismo amazonense, se lançando na construção e fortalecimento de bases organizativas próprias, aglutinando num feixe de forças, todo o potencial libertário local, construindo laços de luta e de unidade nos locais de trabalho, moradia e estudo - eis a importância de uma Organização Anarquista que atue como real força política na cena local. A segunda tarefa (que obviamente pressupõe a realização da primeira, pois sem ela qualquer iniciativa neste sentido se torna pouco efetiva), está na busca daquilo que nós Especifistas sempre afirmamos: a prioridade no trabalho/inserção social atuando nas diversas frentes de luta possíveis: nos locais de estudo, moradia, trabalho, pela cultura popular e contra as opressões de gênero, raça, orientação sexual, fortalecendo a organização e mobilização permanente dos oprimid@s onde quer que estejam.

Como já dissemos em outras vezes, não temos nada a oferecer, hoje, àqueles e àquelas que pensam as eleições burguesas e a ocupação de alguns poucos postos-chaves do Estado como um meio mais fácil, rápido e eficaz de resolução dos nossos problemas enquanto povo. O que podemos oferecer é outra coisa, um espaço de organização coletiva e de lutas dentro de um horizonte Socialista e Libertário. Não estamos falando de algo para um amanhã que nunca chega e sim da construção diária de valores combativos, do incentivo de lutas diversas que visam o acumulo de força popular constante.

A conjuntura amazonense, demanda a articulação de todo o conjunto das lutas sociais que confrontem o modelo hegemônico e dominante no Estado, com um programa mínimo de soluções populares. Demanda a construção da unidade com os "de baixo", que não se confunde com unidade entre partidos oportunistas, frentes eleitorais ou candidaturas operárias. Pautamos a construção de um Povo Forte para impor na cena local, uma nova correlação de forças que aponte um projeto real de transformação social. Em síntese, política anarquista para além do voto e das eleições burguesas!

Organização Específica Anarquista - OEA Amazonas
Agosto de 2017.

https://anarquismoam.wordpress.com/2017/08/28/a-velha-oligarquia-esta-em-festa-no-am/
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