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(pt) uniao popular anarquista UNIPA - Toda solidariedade às e aos companheiras(os) da Federação Anarquista Gaúcha e lutadores(as) do povo!

Date Sun, 5 Nov 2017 09:37:34 +0200


Na madrugada de 25 de outubro de 2017 a polícia civil do Rio Grande do Sul iniciou uma investigação, Operação Érebo, deflagrada com mandados de busca e apreensão nas cidades de Viamão, Novo Hamburgo e Porto Alegre. Os mandados levaram a invasão da antiga sede da FAG (onde funcionava o ateneu Batalha da Várzea), da Ocupação Pandorga, da sede do Coletivo Parrhesia e de várias casas de militantes. A polícia declara que são 30 investigados, sendo 15 deles estudantes da UFRGS. ---- A polícia civil roubou livros (que constavam no mandado como material perigoso), panfletos, computadores, pen drives, hds, celulares, material serigráfico para confecção de camiseta, faixas de manifestações, adesivos e garrafas pet com material de reciclagem - estes últimos foram absurdamente veiculados pela mídia e pela polícia como suposto material para confecção de coquetéis molotov.

A repressão contra a FAG não é inédita. Em 2009, por ocasião das mobilizações contra o governo Yeda Crusius/PSDB e de denúncia do assassinato do sem terra Elton Brum pela Brigada Militar, sua antiga sede já havia sido invadida pela polícia civil do Rio Grande do Sul. Em 2013, no contexto do levante popular, em duas ocasiões a sede da FAG foi invadida pela Polícia Civil do Governo Tarso Genro (PT) e pela Polícia Federal. O governador atribuiu à FAG crimes de ódio, chamando a organização de "anarco-fascistas".

A criminalização contra o anarquismo em período recente foi realizada também por intelectuais vinculados ao PT, associando Black Bloc e anarquismo a fascismo, e por dirigentes políticos do PSTU. O reformismo contribui com a repressão e perseguição ao criminalizar as e os anarquistas. Ainda em 2013, a Polícia Militar do Rio de Janeiro, após a violenta desocupação da Aldeia Maracanã, procurou justificar seus atos afirmando que a existência de uma bandeira anarquista hasteada na Aldeia era a prova das intenções daqueles que lá estavam e que, por isso, o uso da força era necessário.

Pós levante de 2013 e as manifestações de 2014 tivemos a perseguição a militantes anarquistas, comunistas e independentes, que levou ao processo de 23 militantes no Rio de Janeiro. Foram presos na véspera da final da Copa do Mundo da FIFA em um processo que contou com a articulação dos governos federal e estadual. Esses 23 militantes sofrem com um processo fantasioso e sem evidências cuja sentença já parece dada de antemão.

Esse cenário conta ainda com a cobertura manipuladora da grande mídia que faz todo o esforço para punir todas aquelas e aqueles que lutam por um mundo verdadeiramente livre, justo e igualitário. A polícia e a mídia difundem a associação do anarquismo ao crime, numa técnica de propaganda de massas que, usando até de literatura como supostas provas, pretende uma condenação social sumária. A política da classe dominante é tentar sufocar as reinvindicações e revolta do povo por meio do discurso do terror, tentando criminalizar movimentos sociais e organizações que propõem a transformação radical da sociedade brasileira.

Diante de um cenário cada vez maior de abstenção/voto nulo eleitoral e da organização de forma autônoma de trabalhadoras e trabalhadores o Estado brasileiro responde com mais violência, como já o faz cotidianamente nas favelas, periferia e interior do Brasil. A repressão contra os anarquistas e novamente contra FAG não é um fato isolado. Já vivemos sobre um Estado de Exceção que se agudiza cada vez mais para explorar ainda mais o povo, seja sob a liderança do PSDB, PT ou PMBD, como fica bem claro no caso do Rio Grande do Sul. É evidente a instauração de uma perseguição política sistemática. É preciso se organizar cada vez mais e melhor para combater o Estado e o Capital.

As e os militantes da União Popular Anarquista (UNIPA), repudiam toda e qualquer repressão aos que lutam e as tentativas, de quem quer que seja, de criminalizar o anarquismo. Estamos solidários aos companheiros e companheiras da FAG e as lutadoras e lutadores do povo. Afirmamos que todos esses atos de violência do Estado, do Capital e dos reformistas só aumentam nossas convicções, e a certeza da estratégia da ação direta na luta reivindicativa e a organização da autodefesa de massas para as manifestações de rua.

Abaixo o terrorismo de Estado! Avante anarquistas!
Não a criminalização dos lutadores do povo!

https://uniaoanarquista.wordpress.com/
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