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(pt) quebrando muros: Fora com as Reformas! - Breve análise da conjuntura nacional sob uma perspectiva libertária (en)

Date Sun, 4 Jun 2017 11:16:47 +0300


A dinâmica da política nacional é configurada pelo financiamento de corporações e suas empresas a grande parte ou todos os partidos políticos da ordem e seus candidatos favoritos nas disputas eleitorais. Seja por meio do financiamento "legal" de campanhas, ou da corrupção, o objetivo é que, quando eleitos, estes políticos tomem decisões e atuem para promover os interesses empresariais. Os políticos colocam as demandas das corporações à frente das demandas da população; as propostas que deveriam atender às necessidades populares são eliminadas ou diluídas por interesses corporativos; as empresas por meio de projetos de lei minimizam o custo de sua produção e dos seus serviços para maximizar o lucro: pouca remuneração por longas horas de trabalho, poluição e exploração agressiva do meio ambiente, afrouxamento das condições de segurança no trabalho, não cumprimento de direitos trabalhistas, entre inúmeras outras medidas que mostram como estes grupos se utilizam do Estado para benefício próprio.

A população, sobretudo os mais pobres, sofre ainda mais com essas medidas que causam insatisfação - que, em diversos momentos, se acentuam em função de denúncias de corrupção. Nesse cenário, a mídia tem o papel fundamental de articulação e manipulação: fazer com que a população aceite melhor essas medidas impopulares e denunciar, seletivamente, os escândalos envolvendo políticos que serão descartados, tirando o foco do problema político como um todo e de quem são os verdadeiros corruptores: em grande medida os empresários e banqueiros.

Os políticos que não atendem suficientemente às expectativas dos grandes empresários são depostos, além disso existem as disputas internas entre as elites econômicas e políticas por seus projetos - caracterizados, em maior ou menor medida, por ataques à classe trabalhadora.

Recentemente, além dos inúmeros casos de corrupção expostos pela Operação Lava Jato, o Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou no dia 18 de maio áudios entregues pelo empresário Joesley Batista, da empresa JBS, em seu acordo de delação premiada. O diálogo entre Temer e Joesley foi gravado na residência do presidente, sem que Temer soubesse que estava sendo gravado. Os áudios contavam com comentários do empresário a respeito da propina que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha recebeu para que se manter calado enquanto está preso - comentários estes seguidos de palavras de aprovação do presidente, concordando e endossando esse pagamento. Divulgados em primeira mão pela Rede Globo, emissora de enorme influência, os áudios de Temer circularam rapidamente por todo o Brasil, protagonizando um escândalo político. Temer já vinha com uma aprovação baixíssima - 4% em abril de 2017 - e, não negando o seu envolvimento com pagamento de propina, o presidente se colocou no centro de um alvoroço que aprofundou a crise política instaurada no país.

Por sua vez, as centrais sindicais e inúmeros movimentos sociais e organizações políticas, antes mesmo do escândalo dos áudios, já vinham convocando paralisações nacionais pautando o "Fora Temer", decididas em suas reuniões de cúpula fechada e deslocadas de suas bases. O vazamento do áudio só acalorou e serviu como a peça final para legitimar os chamados para a suposta Greve Geral e ao "Fora Temer", "Diretas Já", "Eleições Gerais", entre outras bandeiras aliadas à manutenção da farsa democrática.

Diante dos sucessivos ataques à classe trabalhadora e escândalos de corrupção, a principal resposta dada por algumas centrais sindicais é a via eleitoral, por meio de eleições diretas ou gerais. Contudo, entendemos que esse instrumento de representatividade não passa de uma "dança das cadeiras" da elite econômica, que coloca no poder quem está mais apto a pôr em marcha seus projetos políticos de avanço da privatização, sucateamento dos serviços públicos e ataques aos direitos trabalhistas. Não acreditamos que essa seja a resposta, muito menos a solução dos nossos problemas, uma vez que historicamente vimos que nenhum governo esteve verdadeiramente ao lado dos trabalhadores e que o apoio a governos e a construção de candidaturas não são suficientes para garantir a manutenção e a conquista de nossos direitos.

Em nossa compreensão, apenas a luta em conjunto com a base, dentro dos nossos locais de trabalho, estudo e moradia, pode ser o caminho para impedir que projetos de leis que nos afetam de maneira negativa sejam aprovados. Isso porque, não importa quem é o presidente ou a figura política no comando, temos um Congresso Nacional e um Senado que se colocam a favor dessas medidas impopulares e não será por meio do voto que serão colocadas pessoas com as condições necessárias para barrar as reformas políticas e econômicas que tanto nos prejudicam. Dessa forma, podemos ver que nenhuma das respostas apresentadas pela democracia representativa são suficientes para sairmos da crise econômica: processos de impeachment e eleições fazem parte do projeto político que as elites querem pôr em prática.

Não acreditamos que meramente os chamados a Marchas Nacionais em Brasília irão solucionar os problemas existentes, já que estaremos indo sem bases sociais para um lugar que traz a ideia de centralidade de poder. O poder popular não está em Brasília, o poder está onde as e os trabalhadores e estudantes, organizados ou não, se concentram! A articulação em nível nacional é importante e não deve ser negada, mas, se essa articulação é feita em conversas de gabinetes e sem participação popular, ela não nos interessa. Devemos sim pressionar para a derrubada e dissolução do poder econômico e político, mas munidos da participação popular e dos levantes das e dos estudantes e trabalhadores organizados em suas localidades. Só assim daremos resposta e solução para as crises que enfrentamos dentro dessa estrutura política falha e que não atende aos interesses da população em geral.


Trancaço e barricada realizada por trabalhadores metalúrgicos do Paraná
Priorizar mobilizações em Brasília, e não nas bases, e pautar soluções como "diretas já", implicam no abandono dos meios de luta construídos pela classe trabalhadora ao longo de anos (greves, ocupações, trancaços, etc.) e a reprodução de um projeto tido como "democrático e popular", amplamente defendido pelo Partido dos Trabalhadores e que quase não favoreceu a população em mais de uma década à frente do poder se compararmos com as regalias oferecidas aos mais diversos setores empresariais.

Outra questão importante a ser tratada são os recentes chamados à "Greves Gerais", aos quais discordamos de seu conteúdo: acreditamos e defendemos a construção de uma Greve Geral como forma de barrar essas medidas, mas entendemos que ela deva ser construída nas localidades, nos sindicatos e na organização das e dos trabalhadores de maneira que compreendam que sua força de trabalho é o que mantém o lucro do patrão e consequentemente a base da política nacional. É importante compreender que uma Greve Geral não deve ser um decreto das centrais sindicais marcando para determinados datas paralisações de um ou dois dias. Se possuem hora de início e término, devemos entendê-las como paralisações que não carregam a mesma força de uma Greve Geral. E, no momento, seria alimentar ilusões dizer que as paralisações pontuais bastarão para barrar tantos ataques.

Devemos pautar a construção de uma Greve Geral nos moldes revolucionários, de modo que o trabalhador seja emancipado e esteja totalmente ciente do seu poder político e da necessidade de estar organizado em seu local, construindo o seu movimento sindicalista e rompendo com os velhos sindicatos e centrais pelegas e burocráticas que em sua diretoria o patrão ou o partido é quem comanda. Construção esta que nós, enquanto trabalhadoras e trabalhadores em formação, devemos endossar dentro do Movimento Estudantil e suas instâncias de base e convocar a todas e todos a participar ativamente dessa luta contra os ataques que também os afetam diretamente.

É necessário que nos organizemos e apoiemos os trabalhadores, é necessário que a produção e os serviços sejam interrompidos, é necessário amplificar a radicalização nas ruas por meio dos bloqueios com barricadas, é necessário nos levantar em nossas localidades contra as medidas do Governo Federal e construir uma outra forma de poder de maneira horizontal, promovendo a ação direta e se desvinculando dos projetos eleitoreiros que determinadas centrais sindicais e movimentos promovem nas marchas e paralisações.

OU SE VOTA COM AS/OS DE CIMA OU SE LUTA COM AS/OS DE BAIXO!

https://quebrandomuros.wordpress.com/2017/06/02/fora-com-as-reformas-breve-analise-da-conjuntura-nacional-sob-uma-perspectiva-libertaria/
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