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(pt) Federação Anarquista do Rio de Janeiro FARJ (CAB) Libera #169 + A ESPERANÇA VEM DA LUTA -- RESISTIR CONTRA A DIREITA E A BUROCRACIA!

Date Mon, 6 Mar 2017 11:30:16 +0200


O número mais recente do nosso jornal (no site com atraso), o Libera, já está disponível pra baixar em .pdf. Nesta edição você encontrará: ---- Análise de conjuntura e os caminhos de 2017 ---- Texto sobre a ação criminosa da SAMARCO ---- Nota sobre o II Encontro Regional Centro Oeste - Sudeste da CAB ---- Entrevista com trabalhador terceirizado dos Correios e a ação direta realizada pelacategoria ---- Você pode conseguir o Libera fisicamente com nossos militantes e apoiadores e na Biblioteca Social Fábio Luz. Caso deseje receber um número grande para distribuir, entre em contato conosco. ---- O Libera #169 pode ser baixado clicando na figura abaixo ou aqui.
https://anarquismorj.files.wordpress.com/2017/03/libera_169_out-dez_web.pdf

A ESPERANÇA VEM DA LUTA -- RESISTIR CONTRA A DIREITA E A BUROCRACIA!

Entramos 2017 certos de que só
através da luta é que virão as
transformações sociais e a constru-
ção do poder popular. Em que pese
a realidade que afronta os e as de baixo,
seguimos praticando o anarquismo
como ferramenta revolucionária
de luta do povo. Buscando usar mé-
todos adequados as distintas formas
de rebeldia e organização popular,
dotando-as de um caráter libertário
para que semeiem o caminho rumo
a um projeto de revolução social de
uma sociedade socialista e libertária.
O ano começa com um gosto amargo
em termos sociais e políticos.
Porque a lógica de avanço das políticas
neoliberais aplicadas desde o fim
da ditadura civil-militar (1964-1985),
passando pelos governos Collor e
FHC (PSDB), continuadas pelos ex-
-aliados PT/PMDB, agora se aprofundam
de maneira acelerada com o
governo de choque Temer (PMDB)
com PSDB. Os absurdos que sustentam
a sociedade de classes aqui no
Brasil se apresentam de forma clara.
Para tornar ainda mais complexa a
tarefa de lutadores e lutadoras da
esquerda nesse cenário, boa parte
desses setores continua apostando
nas vias eleitorais e institucionais, o
que reforça a burocracia e a desmobilização
das bases.

Parece até que não vivemos recentemente
sob a tutela da aliança PT-
-PMDB, onde o orçamento da União
para o pagamento de juros da dívida
pública ficou em torno de 40% a 45%
e os orçamentos para políticas de
transportes, educação, saneamento,
saúde, cultura, habitação, agricultura,
ciência e tecnologia se somados chegaram
a pouco mais de 12%! Esqueceram
que se praticava uma política
econômica que destinava quase a
metade do que era arrecadado para
a elite rica e que nunca se ousou tocar
nas regalias do sistema financeiro
no decorrer de 13 anos de governo.

Também não perceberam que o
"legado" do governo deposto foi
pavimentar o caminho para a direita,
de um neoliberalismo ainda mais
selvagem, com uma capacidade de
repressão do estado às lutas sociais
ainda maior. Assim, de forma contraditória,
denunciam de um lado o
reaparelhamento das forças armadas
e a aprovação da lei anti-terrorismo,
mas por outro lado, trabalham para
o amortecimento dos movimentos
sociais através da cooptação e da burocratização.
Que todo esse processo,
desde o governo PT/PMDB até
o impeachment, pelo menos nos seja
didático e deixe claro que sacrificar o
povo para privilegiar os ricos é papel
e princípio do Estado, independente
das políticas do partido que estiver
na gestão do governo.

Por sua vez, o faminto capital sempre
querendo mais, entendeu que
não precisava mais dos serviços do
governo deposto para garantir seus
interesses. Em nome de uma "democracia"
que não existe para o povo
e com o velho mote do "combate
à corrupção", organizou um golpe
institucional para fazer um rearranjo
no andar de cima, articulando os
interesses de setores econômicos
nacionais e estrangeiros, da mídia
corporativa e da oposição partidária
na época (PSDB, DEM e outros).

O PMDB e seus "novos" aliados assumiram
o governo e se mostraram
bem mais eficientes e velozes do que
o PT em destruir os direitos sociais,
privatizar e dilapidar o patrimônio
público, e fazer o povo sangrar através
dos cortes no orçamento para
educação, saúde e projetos sociais.
A PEC 55 (antiga 241) é um exemplo
disso, onde o governo vai, por
20 anos, estagnar os investimentos
nos serviços públicos prestados à
população, mas não vai deixar de
aumentar o pagamento de juros da
dívida pública ao sistema financeiro!
Ao mesmo tempo que corta no social,
dá anistia às dívidas das companhias
telefônicas privadas que operam
no país. Ou seja, mais uma vez
os governantes querem que o povo
pague a crise dos ricos. E diante das
manifestações em Brasília contra
esse golpe nos direitos, com milhares
de pessoas, movimentos sociais
e alguns grupos autônomos e organizações
anarquistas, a resposta do
governo foi a brutal violência, através
da tropa de choque e de muitas
prisões de manifestantes.

Sintomas de uma "guinada à direita"
reaparecem e se tornam mais frequentes
no horizonte, caso da recente
chacina (feminicídio) contra 10
pessoas (entre elas, 9 mulheres) em
Campinas-SP; espancamento e assassinato
do trabalhador negro Luiz
Carlos Ruas e outros eventos que
formam um arquipélago conservador
que reúne de neo-pentecostais
a fascistas clássicos. As eleições para
prefeito também refletiram a conjuntura
e o rearranjo político, onde os
setores conservadores e de direita
avançaram e em 2016 praticamente
fizeram "campanha" dada a visibilidade
que suas pautas ganharam na
mídia. As vitórias dos empresários
Dória (PSDB), em SP e Kalil (PHS),
em BH, vão nesse sentido. Pegaram
a onda do momento político para
venderem a ilusão de uma gestão
empresarial eficiente, mas que não
vai deixar de tirar dos pobres para
dar aos ricos.

Na cidade do Rio, Crivella vai na
mesma linha e aposta nas parcerias
público-privadas. O que não poderia
ser mais oportuno para mais privatizações,
principalmente na saúde e na
educação, com um estado desmantelado
e vampirizado pelas máfias
que se alternaram no governo por
décadas, onde prefeituras de vários
municípios usaram os recursos dos
royalties do petróleo de modo eleitoreiro
sem investirem nada no social.

A conjuntura do Estado do Rio é
resultado de uma sistemática rapina
de governantes e do capital, e agora
nem os ossos sobram para o povo.
Um estado composto por municí-
pios que em sua maioria são currais
eleitorais de políticos mafiosos e coronéis.
E agora um cenário de colapso
social com desmonte dos servi-
ços públicos, repressão social, genocídio
de negras e negros em favelas
e periferias e o ataque aos direitos
das mulheres. Pequenos agricultores
nas mãos de monopólios de grandes
mercados, atravessadores, grileiros
e da especulação territorial crônica
de décadas, que atinge também os
quilombolas e indígenas. Servidores
e profissionais da educação humilhados
e sem receber seus salários, saú-
de sendo destruída e os transportes
coletivos entre os mais caros do
mundo em comparação com a renda
da maioria da população.

Para as elites a solução a este quadro
não pode ser diferente. Seguindo a
receita do capital o governo do Estado
propôs um pacote de maldades
contra o povo, com mais cortes de
investimento nos setores básicos e
a manutenção das isenções fiscais
a grandes empresas. O governador
Pezão assegura e mantém os interesses
de empresários e de megaempreendimentos
com alto impacto
socioambiental, como o porto do
Açu, e segue com a lógica viciosa de
dizer que vai gerar "desenvolvimento"
atraindo empresas que geram
grande impacto e exploração, e o
próprio "desenvolvimento" vai minimizar
estes mesmos impactos gerados
por elas: mais empresas, mais
isenção fiscal e regalias, mais exploração,
especulação, falta de investimento
social, privatização e destrui-
ção ambiental.

Mas não podemos esquecer que,
apesar dos ataques e do cenário que
se apresenta, também houve, e há,
resistência. A ocupação das escolas
estaduais, municipais, institutos federais
e universidades públicas deram
um grande exemplo de luta, muitas
delas se organizando de forma autônoma
e rechaçando as tentativas
e aparelhamento da esquerda burocrática.
Assim como a ocupação
da Secretaria de Educação durante
a greve dos profissionais da educa-
ção, que ganhou fôlego com apoio
dos estudantes. Algumas destas iniciativas
buscaram apoiar a lutas de
outras categorias e sujeitos, como
o das trabalhadoras e trabalhadores
terceirizados de universidades.

Reforçamos que somente ações que
apontem para a autogestão das lutas
e dos processos de organização
popular são capazes de colocar propostas
diante da falta de referenciais
de projetos políticos de esquerda de
caráter revolucionário. Os mesmos
projetos da esquerda que entende o
Estado como algo neutro e disputá-
vel, seguem se repetindo. Devemos
apostar no trabalho de base cotidiano
aliado a pressão nas ruas, com
participação e mobilização popular,
sem ter medo da rebeldia. Em vez
de se colocar energia na via eleitoral
e na disputa de estruturas institucionais,
devemos construir uma frente
de oprimidos para nos mantermos
firmes diante desta conjuntura.

Lutar, criar, Poder Popular!
Contra a farsa eleitoral
e o corte de direitos,
só a luta popular decide!
Pela liberdade de Rafael Braga

https://anarquismorj.wordpress.com/2017/03/03/libera-169/
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