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(pt) federacao anarquista gaucha: Ecologia social, ecologia da liberdade

Date Thu, 16 Feb 2017 15:00:26 +0200


O conjunto da esquerda discute muito pouco sobre as implicações do modo de dominação capitalista na destruição da biodiversidade, dos ecossistemas e dos diferentes modos de viver e se relacionar que escapam à lógica das sociedades ocidentais modernas. De um modo geral ainda predomina uma mentalidade que acredita necessário o desenvolvimento das forças produtivas, de sociedades com alto graus de industrialização e mecanização como condições para o desabrochar de processos revolucionários. Mentalidade que se reflete nos programas partidários de grande parte dos partidos de origem e herança bolchevique e nos projetos de governo da ex-esquerda PTista e dos chamados governos "progressistas" na América Latina. É só olharmos para o modelo primário agro-exportador, para o agronegócio, para a construção de grandes empreendimentos hidrelétricos, estradas entre outras iniciativas desse tipo que deram o tom das políticas desses governos.

Para que o próprio anarquismo pense sobre o tema e para que possamos construir movimento e auto-organização desde os nossos espaços de militância, selecionamos e compartilhamos recortes da produção do anarquista estado-unidense Murray Boockchin (1921-2006) sobre o que ele chama de ecologia social. Nossa modesta contribuição para a reflexão e o debate sobre o tema.
***
ECOLOGIA SOCIAL, ECOLOGIA DA LIBERDADE

Murray Bookchin
Recortes temáticos

Seleção e organização: Evandro Couto

Os ecologistas têm geralmente considerado a diversidade como fonte de estabilidade ecológica, uma abordagem que, acrescentarei, era bastante inovadora há cerca de vinte e cinco anos atrás[N. do Tradutor: artigo escrito nos anos 70]. Experiências no domínio da agricultura mostraram que o tratamento de monoculturas por pesticidas podia facilmente atingir proporções alarmantes e parecia sugerir que, quanto mais diversificadas fossem as culturas, mais a interação entre espécies vegetais e animais conduziria a resistência natural às pragas. Hoje, tanto esta noção como o valor dos métodos de agricultura biológica, tornou-se lugar comum no pensamento ecológico e ambiental dos nossos dias - uma opinião de que o autor foi pioneiro com alguns poucos colegas, como Charles S. Elton.

Mas a noção que a evolução biótica - e social, como veremos - tem sido marcada até há pouco pelo desenvolvimento de espécies e ecocomunidades (ou "ecossistemas", para usar um termo muito pouco satisfatório) cada vez mais complexas, levanta uma questão ainda mais difícil. A diversidade pode ser encarada como fonte de maior estabilidade ecocomunitária, mas pode também ser encarada, em sentido mais profundo, como fonte de liberdade dentro da natureza, embora incipiente, sempre em expansão. Meio de fixar objetivamente vários graus de escolha, de autodireção e de participação das formas de vida na sua própria evolução. (...)

(...) o aumento de diversidade na biosfera abre cada vez mais novas vias evolutivas, na realidade, sentidos evolutivos alternativos em que as espécies desempenham um papel ativo na sua própria sobrevivência e mudança.
***
(...) é impossível conseguir a harmonização do homem com a natureza sem criar uma comunidade que viva em equilíbrio permanente com o seu meio ambiente.

As questões com que a Ecologia lida são permanentes: não se pode ignorá-las sem pôr em risco a sobrevivência do homem e do próprio planeta. No entanto, hoje, a ação humana altera virtualmente todos os ciclos básicos da natureza e ameaça solapar a estabilidade ambiental em todo o mundo.

As sociedades modernas, como as dos Estados Unidos e Europa, organizam-se em torno de imensos cinturões urbanos, de uma agricultura altamente industrializada e controlando tudo, um inchado, burocratizado e anônimo aparelho de estado. Se colocarmos todas as considerações de ordem moral de lado e examinarmos a estrutura física desta sociedade, o que nos impressionará são os incríveis problemas logísticos que ela deve resolver: transporte, densidade, suprimentos, organização política e econômica e outros. O peso que tal tipo de sociedade urbanizada e centralizada acarreta sobre qualquer área ambiental é enorme.

A noção de que o homem deve dominar a natureza vem diretamente da dominação do homem pelo homem. Esta tendência, antiga de séculos, encontra seu mais exacerbado desenvolvimento no capitalismo moderno. Assim como os homens, todos os aspectos da natureza são convertidos em bens, um recurso para ser manufaturado e negociado desenfreadamente.

(...) o homem está hipersimplificando perigosamente o seu ambiente. O processo de simplificação do ambiente, levando ao aumento do seu caráter elementar - sintético sobre o natural, inorgânico sobre o orgânico - tem tanto uma dimensão física quanto cultural. A necessidade de manipular imensas populações urbanas, densamente concentradas, leva a um declínio nos padrões cívicos e sociais.

A mesma simplificação ocorre na agricultura moderna. O cultivo deve permitir um alto grau de mecanização - não para reduzir o trabalho estafante mas para aumentar a produtividade e maximizar os investimentos. O crescimento das plantas é controlado como em uma fábrica: preparo do solo, plantio e colheitas manipulados em escala maciça, muitas vezes inadequados à ecologia local. Grandes áreas são cultivadas com uma única espécie - uma forma de agricultura que facilita não só a mecanização mas também a infestação das pragas. Por fim, os agentes químicos são usados para eliminar as pragas e doenças das plantas, maximizando a exploração do solo.

Este processo de simplificação continua na divisão regional do trabalho. Os complexos ecossistemas regionais de um continente são submersos pela organização de nações inteiras em entidades economicamente especializadas (fornecedoras de matéria-prima, zonas industriais, centros de comércio).

Até recentemente, as tentativas de resolver contradições criadas pela urbanização, centralização, crescimento burocrático e estatização eram vistas como contrárias ao progresso e até reacionárias. (...)

Vamos considerar o princípio ecológico da diversidade no que ele se aplica à biologia e à agricultura. Alguns estudos demonstram claramente que a estabilidade é uma função da variedade e da diversidade: se o ambiente é simplificado e a variabilidade de espécies animais e vegetais diminui, as flutuações nas populações tornam-se marcantes, tendem a se descontrolar e a alcançar as proporções de uma peste.

(...) o ecossistema pressupõe uma enorme descentralização da agricultura. Onde for possível, a agricultura industrial deve ceder lugar à agricultura doméstica. Sem abandonar os ganhos da agricultura em larga escala e da mecanização, deve-se, contudo, cultivar a terra como se fosse um jardim. A descentralização é importante tanto para o desenvolvimento da agricultura quanto do agricultor. O motivo ecológico pressupõe a familiaridade do agricultor com o terreno que cultiva. Ele deve desenvolver sua sensibilidade para as possibilidades e necessidades do terreno, ao mesmo tempo que se torna parte orgânica do meio agrícola. Dificilmente poderemos alcançar este alto grau de sensibilidade e integração do agricultor sem reduzir a agricultura ao nível do indivíduo, das grandes fazendas industriais para as unidades de tamanho médio.

O mesmo raciocínio se aplica ao desenvolvimento racional dos recursos energéticos. A Revolução Industrial aumentou a quantidade de energia utilizada pelo homem, primeiro por um sistema único de energia (carvão) e mais tarde por um duplo (carvão-petróleo, ambos poluentes). No entanto, podemos aplicar os princípios ecológicos na solução do problema. Pode-se tentar restabelecer os antigos modelos regionais de uso integrado de energia baseado nos recursos locais usando um sofisticado sistema que combine a energia fornecida pelo vento, a água e o sol.

Essas alternativas em separado não podem solucionar os problemas ecológicos criados pelos combustíveis convencionais. Unidos, contudo, num padrão orgânico de energia desenvolvido a partir das potencialidades da região, elas podem satisfazer as necessidades de uma sociedade descentralizada.
***
Hoje é impossível considerar menos importantes, marginais ou "burgueses" os problemas ecológicos. O aumento da temperatura do planeta em virtude do teor crescente de anidrido carbônico na atmosfera, a descoberta de enormes buracos na camada de ozônio - atribuíveis ao uso exagerado de clorofluorcarbonetos - que permitem a passagem das radiações ultravioletas, a poluição maciça dos oceanos, do ar, da água potável e dos alimentos, a extensa deflorestação causada pelas chuvas ácidas e pelo abate incontrolado, a disseminação de material radioativo ao longo de toda a cadeia alimentar... tudo isto conferiu à ecologia uma importância que não tinha no passado. A sociedade atual está a danificar o planeta a níveis que superam a sua capacidade de auto-depuração. Nos avizinhamos do momento em que a Terra não terá condições de manter a espécie humana nem as complexas formas de vida não humana, que se desenvolveram ao longo de milhões de anos de evolução orgânica.

Face a este cenário catastrófico há o risco, a julgar pelas tendências em curso na América do Norte e nalguns países da Europa ocidental, de se tentar curar os sintomas em vez das causas e de pessoas ecologicamente empenhadas procurarem soluções cosméticas em vez de respostas duradouras. (...) é necessário nos darmos conta que as forças que conduzem a sociedade para a destruição planetária têm as suas raízes na economia mercantil do "cresce ou morre", num modo de produção que tem de expandir-se enquanto sistema concorrencial. O que está em causa não é a simples questão de "moralidade", de "psicologia" ou de "cobiça". Neste mundo competitivo em que cada um se acha reduzido a ser comprador ou vendedor e em que cada empresa deve se expandir para sobreviver, o crescimento limitado é inevitável. Adquiriu a inexorabilidade duma lei física, funcionando independentemente de intenções individuais, de propensões psicológicas ou de considerações éticas.

Atribuir toda a culpa dos nossos problemas ecológicos à tecnologia ou à "mentalidade tecnológica" e ao crescimento demográfico (para citar dois dos argumentos que mais freqüentemente emergem na mídia) é como castigar a porta que nos trancou ou o cimento em que caímos e nos machucamos. A tecnologia - mesmo a má como os reatores nucleares- amplifica problemas existentes, não os cria. O crescimento populacional é um problema relativo, se efetivamente o é. Não é possível dizer com segurança quantas pessoas poderiam viver decentemente no planeta sem produzir transtornos ecológicos. (...) A praga que afligiu o continente americano era mais devastadora que uma praga de gafanhotos. Era uma ordem social que se deve chamar sem cerimônias pelo nome que tinha e tem: capitalismo, na sua versão privada de Ocidente e na sua forma burocrática de Oriente. Eufemismos como "sociedade tecnológica" ou "sociedade industrial", termos muito difundidos na literatura ecológica contemporânea, tendem a mascarar com expressões metafóricas a brutal realidade duma economia baseada na competição e não nas necessidades dos seres humanos e da vida não humana. Assim a tecnologia e a indústria são representadas como os protagonistas perversos deste drama, em vez do mercado e da ilimitada acumulação de capital, sistema de "crescimento" que por fim devorará toda a biosfera se para tanto se lhe consentir sobrevivência suficiente.

Aos enormes problemas criados por esta ordem social devem juntar-se os criados por uma mentalidade que começou a desenvolver-se muito antes do nascimento do capitalismo e que este absorveu completamente. Refiro-me à mentalidade estruturada em torno da hierarquia e do domínio, em que o domínio do homem sobre o homem originou o conceito do domínio sobre a natureza como destino e necessidade da humanidade. (...) E se se quer achar remédio para o cataclismo ecológico, deve procurar-se a origem da hierarquia e do domínio. O fato da hierarquia sob todas as formas -domínio do jovem pelo velho, da mulher pelo homem, do homem pelo homem na forma de subordinação de classe, de casta, de etnia ou de qualquer outra estratificação da sociedade - não haver sido identificada como tendo âmbito mais amplo que o mero domínio de classe, tem sido uma das carências cruciais do pensamento radical. Nenhuma libertação será completa, nenhuma tentativa de criar harmonia entre os seres humanos e entre a humanidade e a natureza poderá ter êxito se não forem erradicadas todas as hierarquias e não apenas a de classe, todas as formas de domínio e não apenas a exploração econômica.

Sublinho cuidadosamente o uso que faço do termo "social", quando me ocupo de questões ecológicas, para introduzir outro conceito fundamental: nenhum dos principais problemas ecológicos que hoje defrontamos se pode resolver sem profunda mutação social. (...)o biocídio prosseguirá, a menos que as pessoas se convençam da necessidade duma mudança radical e se organizarem para esse efeito.

A ecologia social, tal como a concebo, não é mensagem primitivista tecnocrática. Tenta definir o lugar da humanidade "na" natureza - posição singular, extraordinária - sem cair num mundo de cavernícolas anti-tecnológicos, nem levantar vôo do planeta com fantasiosas astronaves e estações orbitais de ficção científica. A humanidade faz parte da natureza, embora difira profundamente da vida não humana pela sua capacidade de pensar conceitualmente e de comunicar simbolicamente. A natureza, por sua vez, não é simplesmente cena panorâmica a olhar passivamente através da janela (...)

Enquanto não tivermos criado uma sociedade ecológica, a capacidade de nos matarmos uns aos outros e de devastar o planeta fará de nós - como efetivamente faz - uma espécie menos evoluída do que as outras. Não conseguir ver que atingir a humanidade plena é problema social que depende de mutações institucionais e culturais fundamentais é reduzir a ecologia radical à zoologia e tornar quimérica qualquer tentativa de realizar uma sociedade ecológica.

Como é possível conseguir as transformações sociais de grande alcance que preconizo? Não creio que possam vir do aparelho de Estado, quer dizer, num sistema parlamentar de substituição dum partido por outro (por altamente inspirado que este último possa parecer durante o seu período heróico de formação). (...)

A ecologia radical não pode ser indiferente ás relações sociais e econômicas. O delicado equilíbrio entre o uso da tecnologia com fins libertadores e o seu uso com fins destrutivos para o planeta é matéria de apreciação social, mas tal apreciação é grandemente ofuscada quando ecologias sui generis denunciam a tecnologia como mal irrecuperável ou a exaltam como virtude indiscutível. Curiosamente, místicos e tecnocratas têm importante característica em comum: nem uns nem outros examinam a fundo os problemas nem seguem a lógica para além das premissas mais elementares e simplistas.

Uma nova política deveria, quanto a mim, implicar a criação duma esfera pública "de base" extremamente participativa, no nível da cidade, do campo, das aldeias e bairros. Decerto o capitalismo provocou destruição tanto dos vínculos comunitários como do mundo natural. Em ambos os casos nos encontramos face à simplificação das relações humanas e não humanas, à sua redução a formas interativas e comunitárias elementares. Mas onde existam ainda laços comunitários e onde - mesmo nas grandes cidades - possam nascer interesses comuns, esses devem ser cultivados e desenvolvidos.
***
Hoje em dia nossa relação com o mundo natural está atravessando uma fase crítica que não tem precedente na história da espécie humana. Recentes estudos sobre o ‘Efeito Estufa' conduzidos nos Estados Unidos, demonstram que temos que encontrar desde agora a maneira de fazer diminuir a porcentagem de monóxido de carbono presente na atmosfera na qual vivemos. Em caso contrário, não somente se apresentarão graves mutações químicas, mas a própria sobrevivência da espécie humana estará em grave perigo.

Não se trata simplesmente de um problema de contaminação pelos venenos com os quais nos alimentamos. A alteração dos grandes ciclos geoquímicos poderia por fim a vida humana sobre este planeta. De minha parte estou consciente da necessidade de resistir imediatamente para enfrentar os processos que estão fazendo danos a terra. (...)

De fato penso que é essencial empurrar sempre mais além de nosso questionamento, porque não podemos seguir pondo mais remendos aqui e lá que não resolvam os verdadeiros problemas. (...) Vivemos em um mundo baseado no intercambio de contrapartidas, e seguimos nos comportando de acordo com essas leis. Definitivamente, passando de um mal maior a um mal menor e de um mal a outro mal, seguimos piorando a situação geral. Não se trata só de uma questão de projetos para a produção de energia, por mais importantes que estas sejam; nem tampouco o problema dos gases contaminantes; tampouco o problema está nos danos que causamos a agricultura, ou o congestionamento e a contaminação dos centros urbanos.

O problema é outro mais grave: estamos simplificando o planeta.

Estamos dissolvendo os ecossistemas que se formaram em milhares de anos. Estamos destruindo as cadeias alimentares. Estamos rompendo as ligas naturais e levando o relógio evolutivo a um atraso de milhões de anos no tempo. As épocas em que o mundo era muito mais simples e não se encontrava na possibilidade de sustentar a vida humana.

(...) É claro que necessitamos de uma nova tecnologia. Necessitamos uma tecnologia baseada na energia solar e na eólica, e necessitamos novas formas de agricultura. Sobre isto, não há dúvidas, estamos todos de acordo. Mas existem problemas de fundo muito mais graves que aqueles criados pela tecnologia e o desenvolvimento moderno. Temos que busca-los nas raízes mesmas do desenvolvimento. E antes de tudo temos que busca-los nas origens de uma economia baseada sobre o conceito de ‘crescimento': a economia de mercado; uma economia que promove a competição e não a colaboração, que se baseia na exploração e não no viver em harmonia. E quando digo viver em harmonia entendo não somente as relações com a natureza, mas entre nós mesmos.

Temos que dar impulso à construção de uma sociedade ecológica que mude completamente, que transforme radicalmente nossas relações básicas. Enquanto vivermos em uma sociedade que marcha para a conquista, ao poder, fundada na hierarquia e na dominação, não faremos nada mais que piorar o problema ecológico, independentemente das concessões e pequenas vitórias que podemos ter.

Prometem acabar com as chuvas ácidas, e as chuvas ácidas continuam caindo. Decidem por no mercado alimentos naturais, não contaminados pelos pesticidas, e efetivamente a porcentagem de veneno diminui, mas o pouco que fica está constituído pelos venenos mais perigosos para o organismo.

(...) Hoje em dia vivemos o momento culminante de uma crise ambiental que ameaça nossa própria sobrevivência, temos que avançar até uma transformação radical, baseada em uma visão coerente que englobe todos os problemas. As causas da crise tem que aparecer claras e lógicas de maneira que todos -nós incluídos- as possamos entender. Em outras palavras, todos os problemas ecológicos e ambientais são problemas sociais, que tem que ver fundamentalmente com uma mentalidade e um sistema de relações sociais baseados na dominação e nas hierarquias.

Temos que demonstrar que uma sociedade baseada na economia de mercado, na exploração da natureza e na competição acabará por destruir o planeta. Temos que fazer o possível para que a gente entenda que se queremos resolver de uma vez por todas nossos problemas com a natureza, temos que nos preocupar com as relações sociais. (...)

Isto significa, dar outra vez a força ao povo. Temos que criar uma cultura política com uma visão libertária e não nos limitar a um projeto, que o Estado executa. Temos que criar uma literatura política, uma cultura política que leve a gente a participar, libertando-se, autonomamente, deste tipo de economia, de sociedade e de sensibilidade.

No movimento feminista, discute-se o tema da dominação do homem sobre a mulher começando pela própria estrutura da família. Nos movimentos comunitários, se fala de necessidades em ‘escala humana' e de dar força aos bairros, as comunidades, as regiões.

(...) Em relação com a tecnologia, não temos que nos preocupar somente com que ela seja mais eficiente e renovável, temos que inventar uma tecnologia criativa, que não só leva consigo um trabalho mais criativo, mas que contribua a melhorar o mundo natural ao mesmo tempo que melhore o modo e a qualidade de nossas vidas.

Mas tudo isto não virá de cima. Não pode ser um presente que o Estado nos faça. Não pode ser traduzido em uma lei salpicada por um Parlamento. Tem que ser o fruto de uma cultura popular, de uma cultura política e ecológica difundida pelo povo. (...) Temos que elaborar estratégias libertárias que fortaleçam o povo, as pessoas, a participar no processo de transformação social, porque se não é a gente a que quer mudar a sociedade, então não se efetuará nenhuma mudança real nem radical.
***"***
Para conhecer mais sobre Murray Bookchin e sua obra(em inglês): https://en.wikipedia.org/wiki/Murray_Bookchin

https://federacaoanarquistagaucha.wordpress.com/2017/02/10/ecologia-social-ecologia-da-liberdade/
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