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(pt) Editorial Anarkismo.net: O novo consenso da direita financeira [it]

Date Wed, 6 Jun 2012 16:26:50 +0200


Para a imprensa mundial, a chamada crise é resultado dos gastos públicos com
direitos e garantias sociais. A revista The Economist tachou de perigosa a
candidatura do socialista francês François Hollande. O agora presidente eleito
representava, até então, o confronto entre o populismo e a austeridade. Em setembro
de 2008 o mundo informado assistia catatônico ao fenômeno que, nas ruas de Madri,
ganhara a alcunha de "farsa com nome de crise". Então, ao longo dos doze meses
anteriores, o que era mais um produto de "risco" dos agentes do cassino financeiro,
se transformara na "mãe de todas as bolhas". A idéia parafraseava a consigna e
bravata de Saddam Hussein, quando disse ao ex-presidente George H. W. Bush e, uma
dúzia de anos depois, repetira-a para seu filho, afirmando ter o poder de enfrentar
a "mãe de todas as batalhas". Existe uma semelhança nos dois momentos históricos
recentes. Na política externa, Bush Jr. e seu gabinete de falcões vinculados a
indústria do petróleo (como Dick Cheney e Condoleezza Rice), ampliara o conceito de
Guerra contra o Terror. Com a ofensiva militar em escala global, veio o período
máximo da "exuberância irracional" dos apostadores financeiros. Deu no que deu e
nesta senda Barack Obama ganhou as eleições de novembro de 2008.

Trata-se de dois consensos forjados na base do consentimento e através da forja de
meias verdades. O primeiro e já deveras estudado foi o golpe midiático de Bush Jr.
Manipulando o pânico dos EUA pós-11 de setembro, conseguiu a autorização para a
guerra atropelando ritos parlamentares (fast track), aprovando o Patriot Act (Ato
Patriótico) e criando o Ministério do Interior (DHS, Department of Homeland
Security). A lista dos absurdos rendeu pérolas do cinema, como Farenheit 9/11
(Michael Moore, 2004, EUA) e um livro já clássico em português, A Desintegração
Americana (Record, 2006), do Nobel de Economia Paul Krugman, sendo ele próprio
colunista do New York Times e um quase arrependido da globalização a todo custo.
Após oito anos de Bush Jr. o Império estava com uma em cada três brigadas operando
no exterior, uma crise sem precedentes e os reflexos agudos da infra-estrutura
produtiva parasitária baseada em capital fictício.

Esta conta seria paga com a "mãe de todas as bolhas". Para sair desta encruzilhada,
os EUA foram beber em sua democracia multirracial (melting pot), parindo a versão de
um Kennedy afro-descendente. Barack Hussein Obama fez campanha sentimental,
organizou uma transição e os primeiros seis meses de governos baseados na cartilha
pós-New Deal (2nd Bill of Rights, 2ª Carta de Direitos, de Franklin Delano
Roosevelt, jamais executada) e pouco a pouco foi contemporizando com os agiotas e
apostadores do cassino financeiro. Tal pacto é exemplarmente demonstrado no filme
Trabalho Interno (Inside Job, de Charles Ferguson, 2010, EUA), dando carne ao
conceito de teoria das portas giratórias, provando como grandes tubarões de Wall
Street continuaram ocupando postos-chave. Um exemplo é a presença em seu governo do
professor de economia de Harvard, Larry Summers, homem forte da desregulação
promovida por Ronald Reagan. Pouco a pouco os níveis de lucro dos grandes operadores
financeiros foram sendo retomados, sendo que a conta grande fora paga na rolagem da
astronômica dívida interna do Império, e na bola de neve contaminante das
instituições bancárias européias.

Quatro anos depois, o consenso da direita financeira é forjado no outro lado do
Atlântico. Liderados por The Economist, replicado por dezenas de meios massivos e
plataformas multimídia (como Bloomberg, CNN e o Grupo Prisa espanhol), a versão
válida, a idéia pensável como nos explica Noam Chomsky é remodelada. No último
trimestre de 2008 parecia que a face mais crua do capitalismo estaria exposta. Não,
pois através dos acordos entre mídia, operadores financeiros e tomadores de decisão,
a conta veio sendo paga pelo modelo mais sano dentro deste marco civilizatório de
lucro e diferenciação social. O Estado de Bem Estar Social (ou o que dele restara)
passa a ser o alvo. O argumento é simples. A conta dos direitos e garantias sociais
para uma população que produz pouco e ganha relativamente bem, não fecha. A Europa
não é competitiva diante dos BRICs (Brasil, Rússia, China e Índia) é preciso um
pacto supranacional, traçado pelo triunvirato da Comissão Econômica Européia, o
Banco Central Europeu e o FMI, imposto ao Parlamento Europeu em Bruxelas.

Um bom exemplo está na França. Em 06 de maio deste corrente ano o "socialista"
François Hollande vence na urna ao presidente Nicolas Sarkozy, da centro-direita
UMP, pós-gaullista. Antes de Hollande se oficializar como candidato do PS francês, o
então favorito era o ex-diretor geral do FMI Dominique Strauss Kahn (DSK). Ou seja,
se o presidente eleito francês sucede o controverso DSK, perigo sistêmico algum
estava à vista. Certo? Não para a revista The Economist, que fizera um alardeio,
considerando um "risco" o fato de que o novo chefe do Poder Executivo da segunda
economia da Zona Euro (França, atrás apenas da líder Alemanha) seria mais suscetível
as pressões "populistas" vindas das ruas e dos sindicatos. A eleição francesa e a
pulverização do parlamentarismo grego (cujo pleito também foi na mesma data)
representavam, segundo a narrativa da revista, respectivamente, a quebra da
"austeridade" vigiada por Angela Merkel (chanceler alemã) e a ingovernabilidade na
periferia da Comunidade Européia.

Pura inversão dos fatos e responsabilidades. Após quatro anos, a "farsa com nome de
crise" teria como causa alegada a elevação dos gastos públicos e o endividamento. O
problema é que estes crescem na medida da destinação estatal dos recursos coletivos
para salvar bancos e fundos de risco. Para quem vive de salário, a "austeridade"
pública implica ganhar menos, tardar a aposentadoria e viver sem perspectiva. Eis o
novo consenso da direita financeira e seus ideólogos midiáticos.

Bruno Lima Rocha
(Federação Anarquista Gaúcha)


http://www.anarkismo.net

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