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(pt) "Opinião Anarquista", Março de 2012: Haiti, 8 anos de ocupação militar, repressão e saque de um povo!

Date Mon, 12 Mar 2012 11:51:58 +0100


O dia 29 de fevreiro marca uma das mais trágicas e doloridas páginas da recente
história dos povos latino-americanos e caribenhos. Em 29 de fevreiro de 2004, se
iniciou a ocupação militar do Haiti, primeiro país do continente a se livrar do
colonialismo e da escravidão a partir de uma insurreição popular.
A ocupação militar do Haiti se iniciou após uma série de eventos violentos,
financiados e executados com apoio direto da CIA, com vistas a desestabilizar o
governo populista de Jean Bertrand Aristide que vinha promovendo tímidas reformas
sociais no país. Estes eventos culminaram no desembarque de tropas dos EUA no país,
que sequestraram Aristide. Pouco tempo depois, assumia a presidência do país o
fantoche Gerard Latortue. Estava consumado o golpe de estado e a ocupação militar.


A ONU e o Brasil entram em cena

Eis que em meados de 2004, os EUA se "retiram" do país, deixando a responsabilidade
da ocupação militar à ONU. Sua retirada cumpria duas funções políticas: dar uma
legitimidade à ocupação, de forma que a mesma não fosse encarada como mais uma
intromissão imperialista no continente e concentrar esforços em sua ocupação no
Iraque.

A entrada da ONU em cena foi crucial para que a ocupação fosse tratada como
"humanitária", assim como a conduta de Forças Armadas (FFAA) latino-americanas foi
essencial para que a ocupação não fosse vista como realmente é: uma ação
imperialista. Coube ao Brasil o nefasto papel de comando da Missão das Nações Unidas
para a Estabilização do Haiti, a MINUSTAH, que também conta com tropas da Argentina,
Chile e Uruguai além de países cujos governos encampam o "progressista socialismo do
século XXI" como Bolívia e Equador.

Sob a patética justificativa de se controlar gangues que desestabilizariam o país,
as tropas de ocupação em realidade seguem exercendo uma voraz repressão contra o
povo desse país. Inúmeros protestos contra as precárias situações de vida em um país
onde as pessoas já recorrem a "biscoitos" de barro para saciar a fome já foram alvos
da repressão das tropas da ONU, além de haverem graves denúncias de massacres,
assassinatos e inclusive estupros.


Nada como uma tragédia para aumentar a ganância capitalista

Esse quadro de miséria e violação da autodeterminação do povo haitiano se agravou
ainda mais no início de 2010, quando o país foi atingido por um terremoto que deixou
um saldo de mais de 250 mil mortos, além de 1,5 milhões de pessoas desabrigadas e
considerável destruição de sua já frágil infraestrutura.

Não bastasse toda a tragédia que resultou em mortos, feridos, desabrigados e
destruição de infraestrutura, o terremoto justificou um fortalecimento da ocupação,
que se manifestou não apenas em um aumento no número de soldados da MINUSTAH como o
retorno da presença direta dos EUA em solo haitiano, que, após o terremoto enviou em
torno de 10 mil soldados ao país, passando a ocupar aeroportos, portos e demais
pontos estratégicos de comunicação no país.

Passados dois anos do terremoto, mais de 500 mil haitianos ainda estão desabrigados,
(sobre)vivendo em acampamentos com condições precárias, parte expressiva dos
escombros ainda não foi removida, a cólera segue ceifando a vida de milhares de
pessoas, a maioria da população segue desempregada ou subempregada, dentre inúmeras
outras tragédias que poderíamos citar.

Mas, tamanha dor e sofrimento se transformaram em um grande negócio. As "ajudas
humanitárias" que visam "reconstruir" o país, operam muito mais como um espetáculo
midiático para engrandecer os "doadores", uma vez que não são orientadas no sentido
de combater os problemas estruturais do país, focando apenas em questões
emergenciais.

Desgraçadamente, a maior parte destes recursos não chegam à população haitiana pois
acabam por financiar os altos salários dos funcionários da ONU e ONGs além de
financiar sua infraestrutura e, claro, fazer propaganda de seus "grandes feitos" e
assim solicitar mais doações.


Uma paz de cemitério e uma reconstrução para os de cima

A paz e a reconstrução que tanto propagam para o Haiti está longe de ser a que
aspira a esmagadora maioria de seu povo oprimido. Trata-se da famosa paz de
cemitérios. Uma paz e reconstrução para ampliar ainda mais o lucrativo negócio das
maquiladoras, zonas francas de produção onde os trabalhadores recebem salários
miseráveis, não possuem direitos e são vigiados por seguranças armados enquanto
trabalham.

Maquiladoras estas que se propagam ano após ano no país com a mão de obra mais
barata do continente (por sua vez, o país mais pobre do continente), sendo um grande
negócio para empresas como Levis, Wrangler e Walt Disney. Tudo isso com um excelente
cão de guarda, a MINUSTAH, que desde o início da ocupação não se exime em reprimir
manifestações populares e perseguir, prender e torturar lideranças populares.
Trata-se de mais um, dentre muitos fatores, que desnudam o verdadeiro caráter do
suposto governo democrático e popular, antes encabeçado por Lula e hoje por Dilma,
ambos do PT. Também evidencia, mais uma vez, o caráter das FFAA brasileiras, que
pelas palavras do general Heleno, ex primeiro comandante militar da MINUSTAH e hoje
na reserva, se vangloria de terem aprendido métodos úteis no Haiti a serem
empregados nas favelas brasileiras.

Este ano, onde se cumprem 08 desgraçados anos de ocupação, repressão e saque deste
sofrido povo cabe não somente a nós, anarquistas organizados na FAG, mas a todas as
forças populares e de esquerda, nacionais e internacionais, denunciar este massacre
imperialista e nos solidarizarmos efetivamente com o povo haitiano e sua
resistência.

Solidariedade ao povo haitiano!
Pelo Socialismo e Pela Liberdade!
Não tá morto quem peleia!!!


Federação Anarquista Gaúcha

Baixar o arquivo de "Opinião Anarquista" em PDF:
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