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(pt) A Tunísia revolucionária e anarquista

Date Fri, 17 Feb 2012 12:41:54 +0100


Pergunta > Você pode se apresentar?
Resposta < Eu me chamo Azyz A., tenho 28 anos, ativista tunisiano, semi-escritor e
engenheiro de dados.
Pergunta > Como você participou da revolução? O que te parece mais interessante hoje?
Resposta < Desde os 17 anos, eu me encontro apoiando continuamente às lutas sociais,
desde que organizei uma greve na escola que me valeu uma prisão e três dias de
tortura brutal. Desde então, eu tento estar em todas as greves, selvagens ou
planejadas, de trabalhadores ou de estudantes, o que me permitiu construir uma certa
experiência e de ter uma vasta rede de conhecimentos. Quando os eventos começaram em
Sidi Bouzid (iniciaram-se numa vila de Sidi Bouzid) eu me pus num primeiro momento a
divulgar informações pela internet, informações recolhidas de pessoas que eu
conheço, muitos deles sindicalistas. O fato de eu ser ativo na internet (eu tinha
co-organizado os protestos contra a censura da web com outros blogueiros e
cyberativistas, baseados num modelo aproximado de TAZ, o que me concedeu certa
notoriedade) permitiu a muitos seguir o curso dos eventos, e me permitiu em um
primeiro momento fazer a propaganda anti-governamental, e num segundo momento,
organizar as manifestações em Tunis de 25 de dezembro de 2010, e aquela do Puis com
Slim Amamou. A gente teve a idéia de forçar idéias nos canais do Anonymous para
incitá-los a fazer uma operação especial na Tunísia, o que aconteceu. Detido em 6 de
janeiro de 2011 no Ministério do Interior, preso em 10 de janeiro de 2011 por 5
anos, fui liberado por Ben Ali na noite de 13 de janeiro de 2011, e me pus a
participar ativamente no apelo da greve geral de 14 de janeiro de 2011 e na
manifestação do dia seguinte. Depois, eu mudei o discurso mostrando meu apoio ao
movimento libertário e à autogestão como um modo desejável de sociedade. Continuei
fazendo o mesmo trabalho. O que me parece mais importante e interessante hoje, é
conhecer em detalhes as condições sociais do povo tunisiano, de fazer um trabalho de
base com os trabalhadores e marginalizados para começar a aplicar as experiências de
autogestão e atacar o capitalismo nascente, de fazer os estudos sócio-políticos,
antropológicos e culturais revolucionários, e de pensar novas soluções mais ligadas
à realidade. E também me parece importante trabalhar com todos os revolucionários de
toda abordagem, trocando idéias, fazendo o mesmo trabalho em todo lugar.


Pergunta > Qual é a situação econômica e política na Tunísia, um ano após a saída de
Ben Ali?

Resposta < A situação econômica está fundamentalmente à mesma, um Estado fiscal,
semi-feudal no setor da agricultura, as oligarquias nacionais partilhando os grandes
setores de artesanato e de empreendimentos (centralizando, porque é claro que toda
produção é destinada para vender no exterior), o setor industrial é "arrendado" ou
abandonado pelos capitalistas ocidentais. A situação política tende a uma
partidocracia que procura uma reformulação da democracia burguesa representativa.


Pergunta > Quais são seus medos com relação à evolução da sociedade e da eleição do
governo Nahdha?

Resposta < Eu temo justamente que a ignorância se instale de maneira fundamental. A
política é aplicada segundo o modelo comportamental dos Hooligans, ao passo que a
produção é desconsiderada. O "mendiguismo" que se torna mais e mais a base dos
protestos (solução fácil para os partidos que não podem subir ao poder) reconforta o
apego ao Estado grande e supremo fornecedor de soluções de vida. É importante
implicar as pessoas para que elas recuperem seus direitos no lugar de mendigá-los.
Quanto ao governo Nahdha, ele não suscita nada de especial para mim, visto que já
todos os partidos são economicamente liberais e fundamentalmente autoritários. O
Nahdha, por sua continuação da política de "atuação pela colonização" não tocará aos
"privilégios burgueses", bem ao contrário, os protegerá para ter sua boa aceitação,
e dos Estados ocidentais, e das oligarquias monetárias tunisianas.


Pergunta > Ainda há lutas sociais, sindicais na Tunísia? Quais são as perspectivas
para um movimento anarquista ou sindical revolucionário?

Resposta < As lutas sociais não se findaram, elas estão acontecendo e se repetindo
sem um objetivo preciso, para além de si mesmas e a utilização pelos partidos desses
protestos para fins políticos, e por outros, para fins de "show de miséria". Contudo
há lugares onde a luta é mais organizada e radical, como em Gafsa ou Manzel
Bouazyene, ou Jeneniana. Para estes que são do sindical, o problema é na ruptura
orgânica entre "sindicalistas de base" e "sindicalistas oficiais", ruptura que
desapareceu de 8 de janeiro de 2011 até 27 de janeiro de 2011 e que tornou depois.
Os sindicalistas de base não têm nenhuma influencia sobre seus superiores, o
contrário não é verdade, contudo. Eles vêm fazendo um bom trabalho, mas o movimento
obreiro atualmente sonda as pequenas demandas sem tocar a fundo os problemas. Acho
que são tempos de se juntar aos operários, de trabalhar com eles, de formar uma rede
de sindicalistas de base capazes de levar ao verdadeiro problema da exploração.


Pergunta > Quais são seus projetos militantes?

Resposta < Os principais, efetivamente, são três projetos: um de caráter intelectual
que comporta um jornal humorístico antiautoritário, o trabalho com novos jovens
músicos para criar uma música contestatória popular (no sentido real do termo), o
trabalho de pesquisa e de estudos via um centro de estudos sociais. O segundo
projeto é o de participar da instauração da primeira experiência autogestionária
baseada em fábricas e nos campos. A terceira é o estabelecimento de um grupo
"anti-salaf" que terá como primeira tarefa se manifestar e fazer o "show da
existência", a cada vez que os salafs se manifestarem para fazer os seus shows de
existência. Esses são meus projetos para o ano 2012 e acredito que vão avançar.


Tradução > Tio TAZ

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