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(pt) Federação Anarquista Gaúcha* - FAG - PENSAMENTO E BATALHA #1

Date Thu, 26 Sep 2013 15:50:00 +0300


É com satisfação que a FAG lança seu mais novo material, de caráter teórico-ideológico que pretende trazer para discussão elementos que constituem nossa concepção de Anarquismo, situando-os no debate histórico e atual. ---- O anarquismo esteve mais uma vez na cena pública nesses meses de intensas mobilizações no Brasil. Seja na boca da direita ao nos atacar, na boca de setores de esquerda ao nos criticar ou mesmo na boca de outros setores libertários e independentes que buscam entender e discutir a diversidade de concepções existente em nossa ideologia. ---- Desde nossa inserção nas lutas no RS mas principalmente na que vem travando o Bloco de Lutas pelo Transporte 100% Público, temos recebido da companheirada militante questionamentos, elogios, críticas, dúvidas, etc. Esse texto não tem outro motivo senão o de discutir um pouco de nossa concepção e de nossa prática principalmente àqueles do "campo libertário" e aos independentes que ou simpatizam ou desconfiam de nossa intervenção.

Uma opção, uma definição!

Muitos poderiam se perguntar se a concepção de anarquismo defendida pela FAG não estaria alheia a um anarquismo mais puro, verdadeiro. Sobre isso, podemos dizer que há não ser que boa parte das experiências e práticas militantes do coletivismo bakuninista, do especifismo malatestiano, do sindicalismo classista e da militância faísta sejam consideradas dessa forma, afirmamos que não.

A militância jovem de distintos coletivos libertários que fundou a FAG em 1995 a fez optando pela concepção especifista do anarquismo, de certa forma "inaugurada" pela FAU em 1956 (pelo menos da forma que hoje conhecemos) e que tem suas raízes nas experiências que citamos acima. Especifismo porque faz a defesa da necessidade dos Anarquistas se organizarem enquanto tal em uma Organização Política, com uma estrutura que aponte divisão de tarefas, federalismo libertário, instâncias de discussão e tomada de decisões sustentadas diretamente pelos seus militantes e que sustente um Programa mínimo que faça a mediação entre a realidade vivida hoje e o nosso objetivo final, a Anarquia, o Socialismo Libertário.

Mas porque falamos da necessidade de nos organizarmos dessa forma? Primeiro porque para nós que nos identificamos com a ideologia anarquista, estar organizado ideologicamente potencializa a capacidade de intervenção que teríamos individualmente em diferentes setores da sociedade. Essa potência é dada não simplesmente pelo fato de estarmos juntos em uma mesma organização, mas por sabermos que ao nosso lado estarão companheiros e companheiras que compartilham de um mesmo projeto, de uma mesma ideologia, em quem confiamos e que aportam seus esforços no mesmo sentido que aportamos os nossos. Organizar-nos politicamente enquanto anarquistas é, portanto, sabermos que nossa intervenção na sociedade se dará de forma coletiva e coordenada e tendo um horizonte, um caminho bem definido.

Segundo porque acreditamos que não é suficiente nos organizarmos enquanto trabalhadores, estudantes, moradores de periferia, sem terra, mesmo sabendo que organizar-se dessa forma é não só importante como decisiva. Insuficiente porque os instrumentos de organização desses setores, como os sindicatos, entidades estudantis, associações de moradores, movimentos sociais, além de agruparem pessoas de diferentes ideologias e crenças, possuem um papel necessariamente pragmático (pelo menos hoje em dia); decisivo porque enquanto anarquistas acreditamos que um processo revolucionário, de mudança profunda, só pode ser vitorioso com o protagonismo e a força desses instrumentos unidos e articulados; é o que chamamos de Poder Popular.

Resumindo, achamos necessária a existência tanto das Organizações Políticas como das Organizações Sociais, se relacionando não de forma hierárquica ou uma como correia de transmissão da outra. Pelo contrário. Achamos que a relação entre umas e outras deve ser complementar e que isso fortalece estrategicamente nossas lutas rumo a transformação social. Nesse sentido, nos organizamos enquanto anarquistas para melhor nos organizarmos enquanto estudantes, trabalhadores, sem-terras, etc. Para nós então está fora de jogo noções como vanguarda, partido único, centralismo ou ditadura do proletariado. Somos uma Organização Política Anarquista com funcionamento federalista e como um motor que busca impulsionar as lutas e nunca vanguardizá-las ou representá-las.

Federalismo Libertário

Como colocamos acima, somos uma Organização Federalista. Mas muita gente pode perguntar: federalismo e anarquismo juntos? Sim, o federalismo enquanto princípio e método de organização faz parte do Anarquismo desde a sua formação. Federalismo Libertário, é bom dizer, aplicado não só à organização dos anarquistas, mas aos movimentos sociais em geral, como forma de combater o centralismo e ao mesmo tempo a fragmentação. Uma forma de organização que articula e coordena desde baixo diferentes espaços sociais, que faz confluir num mesmo projeto diversas práticas e experiências militantes, de estudo, teóricas, etc. Para nós é a forma organizativa que materializa os princípios de autonomia, democracia direta, unidade na luta, independência de classe e, ao mesmo tempo, aplicando-os não apenas para um local, grupo ou movimento especificamente e sim para amplos setores da sociedade. Desde baixo ou desde a base também significa desde onde se convive com a inserção político social, desde o âmbito da luta popular, na intimidade da organização política com a prática cotidiana.

Aqui entraria a figura do delegado como forma de articular esse "desde baixo (um local, movimento, categoria) até acima (espaços de coordenação entre diferentes espaços)". Articulação feita pelo delegado da base, e na presença desta suas atribuições cessam. Isto pode ser visto frente a convocatória de órgãos de discussão e resolução, integrados pelo conjunto da organização anarquista e/ou dos movimentos populares. Não se trata de hierarquia ou delegar poderes a alguém para tomar decisões a revelia da base. É verdade que não existe apenas um modelo de federalismo, pois tanto o Brasil quanto os Estados Unidos o são. Frisamos aqui que estamos falando de um Federalismo Libertário, princípio organizativo que vivenciamos na FAG e que defendemos como forma de articular as organizações de base, por local de trabalho, estudo e moradia.

Em torno ao ritmo e dinâmica do federalismo entendemos que o mesmo deve ser funcional. Deve potencializar o acionar especifico e de conjunto da organização. O federalismo também deve ser agregado de um organograma delegado desde a base, com respeito as posturas minoritárias, porém construindo uma forma de corpo, com acordos de conjunto que delineiem o acionar da organização em um prazo de tempo. Com instâncias e pautas de convivência necessárias que não produzam um assembleísmo inoperante, com dinâmica e ritmo que combatam práticas de autoritarismo.

Algumas conclusões provisórias

Aqui fazemos nossas as palavras do italiano Errico Malatesta quando diz que "Nós acreditamos, ao contrário, que a organização não é uma necessidade transitória, uma questão de tática ou de oportunidade, senão que, ao contrário, é uma necessidade inerente a sociedade humana, e deve ser considerada por nós como uma questão de princípios."

Sobreviver isolados, trabalhando cada um por sua conta sem entender-se com outros, sem treinamento e preparação, sem nos juntarmos em um punho forte para golpear "significa condenar-se a impotência, desperdiçar a própria energia em pequenos atos sem eficácia e perder logo a fé na meta e cair na completa inação". "Nós entendemos por partido anarquista o conjunto daqueles que querem concorrer a realização da anarquia, e que por isso tem a necessidade de fixar um objetivo a alcançar e um caminho a percorrer... Consequentemente, os anarquistas são um partido e possuem um programa, ainda aqueles que estas palavras desagradem" (Malatesta)

Trata-se então de gestar, de conceber e praticar um tipo de organização que nós entendemos Federalista, com práticas, normas, estilos, diferentes das do capitalismo. Desde nossa organização e até o meio popular. E assim aprofundando um pouco mais a idéia de desenvolver uma organização não só para as necessidades táticas do presente. A mesma não pode ser circunstancial, uma necessidade momentânea, deve ser a rocha onde talharemos nossas paixões e ânsias de futuro, nossa utopia, nossa Liberdade.

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* Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira - CAB
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