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(pt) Revista anarquista Aurora Obreira #26 - Maio de 2013 - 1o de Maio é dia de luta! (en)

Date Mon, 06 May 2013 00:08:53 +0300


EDUCAR, ORGANIZAR, EMANCIPAR! ---- A palavra final sobre as leis e regras será do povo e do indivíduo em ação em que permitirá a união comunitária em favor do autogoverno. Sem intermediários cujo o papel executivo está restrito a delegação provisório, quando necessário e que agirá sob o controle assembléario. A administração dos assuntos econômicos e sociais é inevitavelmente obra dos grupos locais e funcionais necessários para uma vida descentralizada, autônoma, sem burocracia, simplificando o processo de ação. É importante que todos participem e quando se tenha delegados, que sejam provisórios e rotativos, para que todos possam participar dos processos, se educando no dito modelo assembleário (as assembleias como motor revolucionário, com a participação maciça de nossa gente).

E a democracia direta faz parte da estrutura
federalista, como também o poder popular que
tonará mais rápido o fim da luta de classes.
A democracia se faz com o povo de forma
direta, sem intermediários. Assim, as eleições são
uma afronta a emancipação de nossa classe e deve
ser denunciada como tal, uma instituição que
mantém a estrutura de opressão e exploração.

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1o de Maio é dia de luta!

Deliberada em encontros de trabalhadores – Congressos
Operários - ainda no Século XIX a intensificação da luta pela
jornada de 8 horas para os homens, jornada de 6 horas para as
mulheres inclusa a proibição do trabalho noturno para estas e
regulamentação do trabalho para menores, passando a ter
prioridade o estudo para esses (lugar de criança é na escola e não no
trabalho), tivemos sobretudo nos meses de abril e maio de 1886 nos
USA o acirramento dessa luta que vinha se desenvolvendo há anos
em todos os locais do planeta onde se dava a exploração do trabalho
de forma assalariada. Dos confrontos verificados com a polícia
resultaram dezenas de operários feridos e vários mortos, isso
ocorreu em muitas cidades dos EUA e não só em Chicago.

Não satisfeitos com o derramamento de sangue, espancamentos e prisão
de operários que protestavam em “meetings” e faziam greves, os
governantes de plantão (Estado do Illinois) conduziram a
julgamento forjado e posterior execução a quatro trabalhadores sob
a estapafúrdia acusação de incitamento e ataque as forças policiais,
quando na verdade esses sequer se encontravam presentes nos
confrontos verificados com a polícia. No Brasil esses movimentos
não passaram despercebidos ao operariado, tanto que se encontram
registros de reuniões relativas a lembrar o 1o de Maio de luta e luto,
já em 1890, embora em reuniões de auditório, portanto a principio
em recinto fechado. No Rio Grande do Sul, há registro no jornal de
Porto Alegre, “O Porvir”, dirigido pelo Doutor Francesco Colombo
Leoni, de manifestação em Praça pública no ano 1892. Geralmente
nas cidades possuidoras de portos, como Rio de Janeiro, Manaus,
Santos, Recife, Salvador, Corumbá, Salvador, Rio Grande, Pelotas,
Paranaguá, os atos públicos de protesto e reivindicação do
proletariado no 1o de Maio de cada ano, tem registro na imprensa
local e nacional ao longo da década de 1890, talvez por seu maior
contato com os Movimentos Sociais organizados de outros países e
pela maior difusão das ideias de auto-organização laboral.

Esse tipo de manifestação logo chama atenção do patronal e dos áulicos do
Estado, tanto que com ajuda do Governo Italiano, na cidade de São
Paulo, vários operários são presos pela polícia local por estarem
organizando, no mês de abril, manifestação pública relativa ao
Primeiro de Maio de 1894 e na esteira alguns são remetidos presos
para o então Distrito Federal, cidade do Rio de Janeiro, onde
permanecem vários meses presos sem registro policial e muito
menos o regular processo judicial, contrariando frontalmente a
Constituição Federal, a qual como é hoje, era ignorada a época pelos
tais poderes constituídos. Independentemente da vontade dos
patrões, do Estado e dos reacionários das Igrejas, o proletariado
seguia discutindo e defendendo a jornada máxima de oito horas de
trabalho diários. O dia 1o de Maio, não era um dia de feriado como o
é hoje (2013), mas um dia de luta onde o proletariado decidia não
trabalhar e em regra efetuava manifestações de caráter público.

Durante o mês de abril milhares de panfletos eram impressos e
distribuídos nas portas e interior das fábricas, juntamente com
jornais mais encorpados os quais relembravam os mártires de
Chicago. Tudo isso sendo feito por operárias e operários
voluntariosos/as, com apoio único e exclusivo dos próprios
proletários reunidos em associações de classe não vinculadas ao
Estado, a Partidos Políticos e a Igrejas. Atentos a isso os patrões
reagiram, diante do fracasso da reação policial, marcando para isso
festividades na data do Primeiro de Maio, disponibilizando
transporte para trabalhadoras e trabalhadores, juntamente com as
suas famílias, para suas chácaras, onde se realizavam churrascos,
farta distribuição de bebidas e se contratavam inclusive bandas
musicais para animar os folguedos, com o intuito de manter os
trabalhadores longe dos “agitadores”, “dinamiteiros” e
“insufladores” de greves “perniciosas”. Na esfera pública, os
“barnabés” eram dispensados usufruindo o chamado ponto
facultativo e na medida que o Movimento Operário se aglutinava e
ampliava para todo o Brasil, o Estado 'concedia' gradativas
“vantagens” aos seus Servidores, como a jornada de 8 horas,
extensiva inclusive aos operários jornaleiros dos entes públicos, com
o fito exclusivo de mantê-los afastados de todo da influência de
socialistas, libertários, social-democratas, marxistas, etc.

Mesmo assim, nas hostes dos corpos militares a insatisfação, revolta e
insubordinação, em vista do atraso nos pagamentos, péssima
alimentação, castigos físicos, desterros, foram uma constante
durante toda a chamada República Velha. As demissões de
funcionários públicos também não podem ser ignoradas, em vista
dos memoriais com demandas laborais, protestos por atrasos nos
pagamentos, perseguição política, etc. A cada ano das primeiras
décadas do Século XX, os trabalhadores não só se organizavam para
protestar em Praça pública no dia 1o de Maio, como utilizavam
desses “meetings” para deflagrarem – dar inicio a - Greves Gerais,
com vistas a obter a jornada de 8 horas e melhores condições de
trabalho. A reação Patronal e Estatal foram uma constante total,
milhares de trabalhadores eram fichados e controlados por
esquemas de seguranças inicialmente das próprias fábricas e
seguindo nessa esteira pela polícia. Além do desemprego, das
prisões arbitrárias pairava sobre todos, sob a falsa informação de
que eram estrangeiros, a pratica ilegal e inconstitucional da
expulsão do território brasileiro. A ação policial repressiva era regra
em qualquer manifestação proletária, tendo como resultado, mortos,
feridos e dezenas de prisões as quais não evoluíam para o
necessário inquérito policial e consequente processo judicial.

O Estado, em mãos das oligarquias, diante da insatisfação popular,
das revoltas, dos cidadãos preocupados com as liberdades
individuais e coletivas, dos democratas, usava desbragadamente do
nefasto Estado de Sitio, do desterro para a “Sibéria” brasileira
(Acre), das Colônias Penais, tipo Três Rios, Fernando de Noronha,
dos Campos de Concentração como o do Oiapoque e das “Bastilhas”
tipo a do Cambuci (SP). A tudo isso o Movimento Operário
Brasileiro suportou e resistiu, promovendo centenas de “meetings”,
greves, patrocinando entidades sindicais totalmente desvinculadas
do Estado e dos Patrões, imprimindo dezenas de jornais e milhões
de volantes, entre outras iniciativas como o teatro social, os
festivais, as Escolas Modernas, cooperativas, Caixas de Pecúlio aos
doentes e necessitados, auxilio funeral, etc. Constantemente alerta
o Estado repressivo diante da organização operária e das greves
gerais passa a mascarar suas ações, sendo que numa de suas
investidas inventivas transforma – institucionaliza a data - o
Primeiro de Maio em dia festivo (1920), declarando-o data nacional
do trabalho, escamoteando com isso seu caráter de luto e protesto.

Com a longa Ditadura Getulista (1930-1945), além de sacralizar o
'Dia do Trabalho' e não do trabalhador/a proíbe-se o funcionamento
das entidades operárias livres, passando atrelar totalmente os
Sindicatos à sanha corporativa do Estado, via Ministério do
Trabalho, inviabilizando o dia 1o de Maio como dia de luto e luta.
Nos períodos de democracia representativa o Estado não deixou e
nem deixa de tutelar os Sindicatos, os quais somente tem
legitimidade e poder de funcionamento se atrelados ao Estado e
subservientes as suas leis, normas e Portarias.

Essa situação anacrônica, fascista e sobremodo baseada no nefasto instituto da
unicidade sindical fez com que a data do proletariado ficasse
totalmente esquecida por quase todos os operários e operárias do
Brasil. Nos anos 80 alguns Sindicatos oficiais ainda se davam ao
trabalho de fingir ou esboçar algum tipo de protesto, reunião,
passeata, mas logo isso deu lugar a bingos, sorteios, passe livre nos
transportes coletivos urbanos, celebração de cultos religiosos,
churrascos em sedes recreativas, ficando de lado a independência
dos Sindicatos em relação ao Estado e mais grave a luta pela
jornada de 8 horas. Oportuno lembrar que no Brasil, a jornada
ainda é de mais de 8 horas diárias (44 semanais) acrescidas à
possibilidade de se virar escravo de mais 88 horas extras mensais,
sendo que a rotina é o “banco de horas” que legitima ainda mais a
superexploração, fazendo com que o trabalhador e a trabalhadora
não tenham direito ao descanso em sábados, domingos e feriados,
além de submetidos a estafantes e longas jornadas de trabalho
segundo a conveniência e interesse dos empregadores.

Associa-se a exploração Estato-Patronal, o peleguismo desses novos “amarelos”
encastelados nos Sindicatos Estatais que não abrem mão do
Imposto Sindical – Contribuição Sindical – e de quebra com isso os
patrões em sua maioria não mais tem a preocupação de oferecer
missas, churrascos, uniformes de trabalho “gratuitos”, botons,
camisetas, cachorro quente e refrigerantes, aos “seus” operários,
com o fito de mantê-los eqüidistantes dos agitadores, “incendiários”
e toda sorte de “desajustados” sociais. Para nós libertários a luta
continua a mesma do Século XIX, não podemos conceber nem
aceitar a exploração que nos é imposta por Partidos Políticos, por
Patrões, pelas Igrejas e pelo Estado e qual 'peixe morto que flutua a
favor da correnteza' pelos pelegos refugiados nos sindicatos
burocráticos que fingem organizar os trabalhadores. Nós seguimos
denunciando no limite de nossas forças, conjugado com nossa
capacidade organizativa que o dia 1o de Maio é dia de luto, que as
bandeiras de luta dos trabalhadores continuam sendo as mesmas do
pretérioto. Sustentamos de todo modo a intolerância com
escravidão, lutamos por mais saúde e educação, associados ao
direito de reivindicar, se auto-organizar livremente e protestar
quando e como quiserem as trabalhadoras e os trabalhadoras em
prol de seus direitos e demandas, mas sobremodo contra toda a
forma de exploração.

Pietro Anarchista

Caxias do Sul, abril de 2013.
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