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(pt) Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares CAZP â CAB â Alagoas - 1Â de maio: ResistÃncia e Luta! (en)

Date Wed, 01 May 2013 15:30:19 +0200


A origem do primeiro de maio remonta Ãs lutas operÃrias do sÃculo XIX, mais especificamente nos Estados Unidos, onde nos anos 80 desse mesmo sÃculo se desenvolvia uma grande articulaÃÃo em diversas regiÃes para lutar pela jornada de oito horas de trabalho. Na Ãpoca e atà bem depois, eram comuns jornadas que ultrapassavam 15h diÃrias.
Este foi, portanto, mais um marco na batalha entre capital e trabalho: Aqueles que produzem a riqueza do mundo lutando contra aqueles que se apropriam do seu produto, a luta para que a maior parte do dia nÃo fosse do patrÃo e sim do trabalhador, uma etapa na luta por uma nova sociedade. O lema era âoito horas de trabalho, oito horas de lazer e oito horas de descansoâ. Hoje sabemos que se a sociedade fosse organizada segundo preceitos do socialismo libertÃrio e todo mundo trabalhasse, precisarÃamos dedicar bem menos do que 8h de trabalho diÃrio.

Nesse sentido, foi estipulada a data de 1Â de maio de 1886 como prazo para que os patrÃes concedessem a nova jornada de trabalho reivindicada. Assim, nessa data se iniciou um imenso movimento grevista, que se expandiu por diversas cidades dos EUA, particularmente na cidade industrial de Chicago. LÃ havia forte presenÃa de militÃncia anarquista, que estava ativamente envolvida com a organizaÃÃo dessa e de outras lutas.

Nos dias seguintes, houve diversos confrontos com a polÃcia, o que resultou em alguns manifestantes mortos e presos. Quando, no dia 4 de maio, a polÃcia tentou acabar uma manifestaÃÃo pacÃfica com o uso desproporcional de forÃa bruta, houve uma explosÃo nas colunas da repressÃo e cerca de sete policiais morreram e 70 ficaram feridos. Atà hoje nÃo se confirmou a autoria do atentado, mas hà fortes indÃcios indicando que foi a prÃpria reaÃÃo que implantou a bomba em suas fileiras para justificar publicamente o que se seguiu: De imediato, uma chacina, na qual foram assassinados quase 100 operÃrios e uma brutal repressÃo com prisÃes de pessoas, muitas delas sem nenhum envolvimento com o movimento sindical. Essas pessoas foram barbaramente torturadas antes de se conferir qualquer participaÃÃo delas em movimentos reivindicatÃrios.

Os militantes mais destacados, a sua maioria de imigrantes alemÃes e anarquistas, foram diretamente responsabilizados, sendo que a maioria nem mesmo estava no local no dia do atentado. Com certeza, foram colaboradores diretos das mobilizaÃÃes e luta da classe operÃria no paÃs que viviam, mas nada tinham a ver com a explosÃo. Destacam-se entre esses eles: Neebe, que foi condenado a 15 anos de prisÃo; Scheab e Fielden, que tiveram a pena reduzida para prisÃo perpÃtua depois de muita manifestaÃÃo; Lingg, que se suicidou na prisÃo; e Spies, Parsons, Fischer e Engel, enforcados. Tempo depois, foi reconhecida oficialmente a inocÃncia deles e os que ainda estavam presos foram libertados. Antes disso, a histÃria jà tinha causado comoÃÃo internacional em todo o movimento sindical mundo afora.

O primeiro de maio passa, entÃo, a ser para diversos movimentos de trabalhadores como sÃmbolo de luta da classe. Ã lembrado todo ano com manifestaÃÃes em diversas localidades. Virou o dia do trabalhador, sendo reconhecido pela segunda internacional (a internacional dos partidos sociais democratas e a fins). Mais tarde, a classe dominante e seus governos passam a adotÃ-lo como feriado nacional em vÃrios paÃses, como uma maneira de cooptar o movimento sindical e se apropriar da histÃria a modificando, pois passam a chama de dia do trabalho e nÃo mais dia do trabalhador.

Essa marcante etapa da histÃria de resistÃncia do povo oprimido deve ser sempre lembrada em respeito a todos os que tombaram no caminho na busca por uma nova sociedade, mas sobre tudo para que possamos nos espelhar em seus exemplos na continuaÃÃo dessa mesma batalha em nosso tempo.

NÃs, anarquistas, sempre estivemos presentes na luta pera construÃÃo de uma nova sociedade, que para nÃs tem que ser pautada pela igualdade e liberdade. Assim como os anarquistas de Chicago, o movimento anarquista foi responsÃvel pelo desenvolvimento de um sindicalismo combativo no Brasil, que chamamos de sindicalismo de intenÃÃo revolucionÃria. Este unia a luta pelas melhorias de condiÃÃes sociais mais imediatas dos trabalhadores com a luta de transformaÃÃo social, bem enraizada em toda a classe da Ãpoca. A expressÃo desse tipo de sindicalismo foi marcante do final do sÃculo XIX atà a dÃcada de 30 do sÃculo XX, nÃo sà no Brasil, como em outros paÃses. Foram marcas dessa Ãpoca a ConfederaÃÃo OperÃria Brasileira (COB) e FederaÃÃo OperÃria Alagoana, parte desse processo e hegemonicamente influente nos trabalhadores de suas Ãpocas. A forÃa polÃtica preponderante era dos anarquistas, que aliados ombro a ombro com os demais companheiros de classe, construÃram diversas lutas. Trabalhavam como minoria ativa, eram da classe, estavam inseridos nela, e de maneira alguma na vanguarda, dirigindo-as de maneira autoritÃria.

Hoje vivemos tempos de grande desmobilizaÃÃo, e ideias como a do sindicalismo de intenÃÃo revolucionÃria nÃo sÃo mais hegemÃnicas em nossa sociedade. Em grande parte, os sindicatos estÃo burocratizados e atrelados ao patrÃo e seus governos. No entanto, nunca podemos esquecer que potencialmente a maioria da humanidade guarda dentro de si o espÃrito de sua prÃpria libertaÃÃo. NÃs, os oprimidos, sempre seremos a maioria da humanidade em quanto durar o sistema de classes sociais e a profunda desigualdade existente nele.

NÃs, anarquistas, militamos diuturnamente para o despertar da revolta da populaÃÃo. Para que essa revolta seja organizada, autogerida e que tenha um objetivo claro: o socialismo libertÃrio. Muito falta por fazer e nÃo podemos ter a certeza da vitÃria.

A luta dos trabalhadores tambÃm faz parte da luta dos povos oprimidos e nelas tambÃm nos inserimos. A reorganizaÃÃo do movimento sindical tem que partir do local de trabalho: por mais tortuoso que possa ser, o trabalhador tem que ser o protagonista do processo. As entidades sindicais sÃo maiores que sua direÃÃo, mas para conseguirmos que elas tenham um carÃter combativo e possam ir alÃm do imediato, o fundamental à trazer o conjunto da classe para luta e nÃo apenas mudarmos de direÃÃo. Boas diretorias sindicais serÃo consequÃncia de um movimento forte e com capacidade de construir a luta e nÃo apenas executÃ-la.

NÃs do Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP), junto com a CoordenaÃÃo Anarquista Brasileira (CAB), estamos inseridos na luta sindical e a construÃmos em diversas localidades, com muita humildade, sabendo o quanto falta para construir e almejando o resgate do sindicalismo de intenÃÃo revolucionÃria. Pertencemos a tradiÃÃo de luta anarquista dos mÃrtires de Chicago aos dias atuais.
Neebe, Spies, Parsons, Fischer, Engel, Scheab, Fielden, Lingg e a todos os outros companheiros que tombaram pelo caminho:
PRESENTE !!!
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