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(pt) Portugal, Acção Directa #6 - P. 7. - Memória Libertária - Emídio Santana

Date Wed, 01 May 2013 12:58:08 +0200


Emídio Santana foi uma das figuras de referência do anarquismo em Portugal durante todo o século XX e um dos elementos de ligação entre o anarcosindicalismo do princípio do século e os novos movimentos libertários que apareceram no pós 25 de Abril, muito influenciados pelo Maio francês de 1968. ---- Emídio Santana nasceu a 4 de Julho de 1906 e nesse mesmo dia, trinta e um anos depois, foi um dos autores do único atentado que visou Salazar, tendo o ditador saído ileso, apenas devido a um erro de posicionamento da bomba (colocada num local da rua Barbosa do Bocage, em Lisboa. onde Salazar costumava passardiariamente) que desviou a onda de choque e não surtiu o efeito desejado. ---- Muitos militantes anarquistas foram presos nos dias que se seguiram ao atentado, mas Emídio Santana só será detido alguns meses depois, em Outubro, em Inglaterra, sendo entregue às autoridades portuguesas. Passa 16 anos na prisão.

Também nesse ano de 1937, com a
guerra civil em Espanha já a decorrer, os
anarquistas portugueses efectuam uma
série de atentados contra diversos alvos,
nomeadamente contra o Rádio Clube,
uma estação de rádio que fazia aberta-
mente propaganda à sublevação fascista.
Mas a militância de Emídio Santana
começara logo aos 15 anos como apren-
diz de carpinteiro de moldes, filiado no
Sindicato dos Metalúrgicos da CGT e
secretário das Juventudes Sindicalistas.
Em Dezembro de 1931 aparece como
director do boletim “Solidariedade Mi-
neira e Metalúrgica”, porta-voz dos Sin-
dicatos Mineiros e Metalúrgicos.

As prisões sucedem-se já na altura.
Emídio Santana conhece a sua primeira
prisão, de sete meses, logo em 1928, com
a ilegalização da CGT na sequência das
revoltas de 1927. Sucedem-se os ataques
a instalações e jornais operários.
Pouco depois da constituição da Fede-
ração Anarquista da Região Portuguesa,
Santana é de novo preso e
deportado para os Aço-
res, de Fevereiro de 1932
a Agosto de 1934.
Em 1936, um ano antes
do atentado a Salazar, vai
a Espanha, onde participa,
em representação da
CGT, no Congresso da
CNT.

Depois de sair da prisão,
Emídio Santana continuou
a ser um elemento activo
e agregador do que resta-
va do movimento anar-
quista e anarco-
sindicalista, muito debili-
tado devido à repressão
que se abateu sobre ele, especialmente
nos primeiros anos da ditadura. Esteve
ligado aos grupos que durante o fascismo
mantiveram tipografias clandestinas onde
era impresso material anarquista
(nomeadamente edições clandestinas da
Batalha) e teve um papel fundamental na
reedição de obras e textos operários da I
República (sobretudo devido à sua forte
ligação com o historiador César de Oli-
veira), textos esses que influenciaram
fortemente muitos jovens que desconhe-
ciam esse período da história – totalmen-
te proscrito do ensino oficial. Manteve
também contactos importantes com ou-
tros sectores da oposição ao Estado No-
vo, tendo participado, enquanto anarquis-
ta, em diversas iniciativas oposicionistas.

Depois do 25 de Abril, com a ajuda e o
esforço do pequeno grupo de anarquistas
que se tinha mantido coeso durante os
últimos anos do fascismo, Emídio Santa-
na foi um dos principais impulsionadores
da reedição de “A Batalha”, enquanto
jornal sindicalista revolucionário e anarco
-sindicalista e da criação quer da Coope-
rativa Editora da Batalha, quer da Aliança
Libertária e Anarco-Sindicalista, quer do
Centro de Estudos Libertários.

Nos primeiros anos depois do 25 de
Abril, Emídio Santana foi também dos
rostos mais conhecidos do anarquismo
em Portugal, tendo usado da palavra em
diversos comícios realizados em várias
zonas do país.

Morreu em 1988, sem nunca ter deixa-
do a militância anarco-sindicalista de que
foi um dos grande paladinos durante qua-
se todo o século XX, tendo passado cerca
de 20 anos na prisão por coerência com
os seus ideais.

CJ (com: http://www.esquerda.net/content/um-
militante-corajoso e http://mosca-
servidor.xdi.uevora.pt/projecto/ )
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