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(pt) Portugal, Acção Directa #6 - P. 2-3 - Sindicalismo & luta de classes

Date Sat, 27 Apr 2013 17:04:48 +0300


Os Mártires de Chicago Os condenados de Haymarket: ---- Louis Lingg, Oscar Neebe, Adolph Fisher, August Spies, Albert Parsons, Michael Schwab, George Engel e Samuel Fielden. ---- Todos condenados à morte e assassinados pelo Estado a 11 de novembro de 1887, excepto Neebe (15 anos de prisão), Fielden e Schwab (condenados a cadeia perpétua). ---- O Primeiro de Maio, um dia de luta da classe operária “Para a frente com valentia! O conflito começou. Um exército de trabalhadores assalariados está sem ocupação. O capitalismo esconde as suas garras de tigre atrás das muralhas da ordem. Operários, que a vossa palavra de ordem seja: Não ao compromisso! Cobardes à retaguarda! Homens à frente!”
---- Mauricio Basterra * (* publicado em “CNT”, no 399, Abril/2013)---- Com estas palavras preparava August Spies a greve do Primeiro de Maio em Chicago nas páginas do jornal Arbeiter Zeitung.

Nada fazia supor a Spies que aquela jornada ia
ficar, por tudo o que originou, na história do
movimento operário. A reivindicação das
oito horas de trabalho era o eixo fundamental
daquela greve em 1886.

E, de facto, a reivindicação para a diminui-
ção da jornada de trabalho tinha as suas raí-
zes bem fundas nas próprias origens do mo-
vimento operário. As longas jornadas de tra-
balho a que os trabalhadores estavam sujeitos
punham como primeiro ponto da agenda
reivindicativa a diminuição das horas de tra-
balho, que em muitos casos atingia as 12-14
horas diárias. Sem nenhum tipo de seguran-
ça social e com umas condições de vida mi-
seráveis.

Curiosamente foram os Estados Unidos um
dos primeiros países a introduzirem leis de
redução da jornada laboral. Em 1840 a admi-
nistração de Martín van Buren reconheceu a
jornada de 10 horas para os empregados do
governo e dos construtores navais. Em 1842
Massachusetts e Connecticut reduziram a
jornada de trabalho infantil para 10 horas.
Por seu lado, o Reino Unido reduziu em 1884
o trabalho infantil a 7 horas e o dos adultos a
10 horas. E assim foi sucedendo em distintos
estados norte-americanos e na Europa. Sem-
pre com reformas parciais e em sectores con-
cretos.

Isso fez com que se concluísse que apenas
uma acção organizada podia trazer melhorias
mais profundas para a classe operária. Em
1864 era fundada em Londres a Associação
Internacional dos Trabalhadores (AIT) e em
1886, no Congresso de Genebra, ficou deci-
dido que as secções integrantes da AIT iriam
lutar pelas oito horas de trabalho. Oito horas
de trabalho, Oito horas de descanso e Oito
horas de lazer. Esse era o lema do movimen-
to operário internacional.

O amplo poder de implantação que a AIT
teve e os ecos revolucionários que chegavam
da Europa, fez que em 1868 o presidente
norte-americano Andrew Johnson aprovasse
a Lei Ingersoll, que estabelecia a jornada de
oito horas de trabalho para os empregados
federais.

Apesar do desaparecimento da AIT o movi-
mento operário continuou a reivindicar me-
lhorias para a classe operária. Numerosas
greves se sucedem, por todo o mundo, algu-
mas delas conseguindo grandes vantagens
para os trabalhadores. Por exemplo, a greve
dos caminhos de ferro de Massachusetts de
1874 conquistou as 10 horas de trabalho.
Mas os trabalhadores que integravam o
movimento operário norte-americano esta-
vam conscientes de que sem uma organiza-
ção que unisse os trabalhadores seria muito
difícil conquistar direitos generalizados e
básicos para a classe operária. Por isso nas-
ceu em 1881 em Pittsburgh a Federação Nor-
te Americana do Trabalho (AFL). No seu IV
Congresso, em Chicago, a organização deci-
diu realizar uma grande greve geral que rei-
vindicasse as 8 horas de trabalho, seguindo a
tradição iniciada pela AIT. Reivindicação
que contou também com o apoio de outras
organizações como os “Cavaleiros do Traba-
lho” ou distintas federações e associações
operárias norte-americanas.

Foi constituído um Comité pelas Oito Ho-
ras de Trabalho e a greve foi marcada para o
Primeiro de Maio de 1886. A greve resultou
num êxito muito grande para o sindicalismo
norte-americano. A situação de miséria em
que viviam os trabalhadores era reconhecida
inclusivamente pelos próprios governos e o
presidente Grover Cleveland disse: “As con-
dições actuais das relações entre o capital e
o trabalho são, na verdade, muito pouco
satisfatórias, e isto, em grande medida, pelas
ávidas e impensadas imposições dos empre-
gadores”. A convocatória da greve foi um
êxito e houve mais de 5 mil greves convoca-
das. Em muitos lugares as oito horas de tra-
balho foram conquistadas (Chicago, Boston,
Pittsburgh, Saint Louis, Washington, etc.) .
Em muitos outros locais, ao nível de fábrica
ou sectorial.
Esta força do movimento operário, animado principal-
mente pelos anarquistas, pôs em alerta o patronato norte-
americano que não tardou em reagir. Nas sucessivas mani-
festações posteriores ao Primeiro de Maio os patrões lança-
ram contra os grevistas fura-greves e amarelos, sobretudo
contra os operários da fábrica McCormik. O pior aconteceu
a 4 de Maio, em Haymarket Square quando explodiram
várias bombas, numa altura em que estavam reunidas
15000 pessoas.
Morreram 38 operários, 115 ficaram feridos, um polícia
morreu e 70 ficaram feitos. A imprensa, aliada aos patrões,
não teve duvidas em apontar desde o primeiro momento os
anarquistas como autores do atentado. As perseguições
contra anarquistas iniciadas pelo comissário Michael Scha-
ack não se fizeram esperar. Entre os presos e acusados de
assassinato estavam os animadores mais entusiastas do
movimento operário. Todos anarquistas. Os nomes de
August Spies, Michael Schwab, Oscar Neebe, Adolf Fis-
cher, Louis Lingg, George Engel, Samuel Fielden e Albert
Parsons passaram a ser notícia de primeira página.
Todo o processo que se montou contra eles esteve cheio
de irregularidades. O juiz Joseph E. Gary, um reaccionário
confesso, escolheu os jurados de entre pessoas com influ-
ência claramente anti-socialista e anti-anarquista. Não se
permitiu que houvesse jurados que pudessem ter simpatias
pelas ideologias operárias. A sorte dos acusados estava
ditada de antemão. A 11 de Novembro de 1887 era execu-
tada a sentença contra os condenados à morte. Spies, Par-
sons, Fischer e Engel foram enforcados. Lingg suicidou-se
no dia anterior. Os outros acusados sofreram nas prisões
durante vários anos. Para a memória ficaram os discursos
que os acusados proferiram no tribunal. A defesa que fize-
ram da sua inocência e dos seus ideais. Foram executados
por serem anarquistas e socialistas. A caminho do patíbulo
continuaram a dar vivas à anarquia e à classe operária.
Cantaram a Marselhesa, na altura o hino revolucionário por
excelência.
A inocência dos acusados era manifesta. Estava-se no
início da guerra suja contra o movimento operário. Alguns
dos investigadores dos acontecimento de Chicago estavam
ligados a organizações como a Agência de Detectives Pin-
kerton, que actuou como fura-greves e se infiltrou no mo-
vimento operário com o beneplácito dos patrões e do go-
verno norte-americano.
Ainda assim para o movimento operário internacional a
data do Primeiro de Maio converteu-se num dia de come-
moração para recordar os “Mártires de Chicago” e para
reivindicar a jornada de oito horas de trabalho. A segunda
Internacional estabeleceu-o como dia internacional de luta
e o movimento anarquista transformou-o numa das datas
de reivindicação operária e de comemoração ao lado do 18
de Março (aniversário da Comuna de Paris) e o 11 de No-
vembro (execução dos Mártires de Chicago).
Ainda assim a nível internacional as diferenças sobre como
actuar face ao Primeiro de Maio distanciou socialistas e
anarquistas.
Enquanto os primeiros, cada vez mais integrados nas insti-
tuições, foram convertendo o Primeiro de Maio numa data
quase festiva, com manifestações de força e entrega de
reivindicações às autoridades, os anarquistas consideravam
-no um dia de luta e com razões para que fosse convocada
uma greve geral que pressionasse as autoridades a aprova-
rem a jornada das oito horas de trabalho.
Hoje, mais do que nunca, convém recordar as origens do
Primeiro de Maio e como os direitos que hoje se perdem
custaram esforço e vidas para serem obtidos.
Na actualidade, o seu exemplo é a nossa melhor lição.

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Anarquista e anti-autoritário

Por um 1o de Maio de luta e solidariedade

Os últimos dados económicos, o chumbo pelo Tribunal Constitucional
de alguns medidas que constavam do Orçamento de Estado e a sua substitui-
ção por cortes nos diversos sectores, mas sobretudo na Educação, Saúde e
Apoios Sociais fazem prever um acentuar das dificuldades económicos dos
mais pobres que, ao fim de muitos meses seguidos a apertarem os cintos e
com cortes sucessivos nos seus rendimentos, se encontram totalmen-
te debilitados economicamente e sem alternativas a não ser a de se
manterem actuantes, organizados e firmes na resistência à ofensiva
conjunta do Estado e do patronato.

A austeridade tem levado a um crescendo no desemprego e na pre-
cariedade que atinge já a generalidade dos trabalhadores portugue-
ses . O desemprego real ultrapassa já os 20 por cento e o número de
desempregados, sem qualquer apoio social, não pára de aumentar.

Enquanto este drama alastra a grandes sectores da sociedade portu-
guesa, os partidos políticos mantém-se entretidos com as eleições
autárquicas, previstas para depois do Verão, divulgando candidatos e
programas que são sempre mais do mesmo - uma perfeita inutilidade,
na sua grande maioria, trocando as aspirações populares de bem estar
e felicidade por lugares a troco de favores políticos, corrupção e ne-
potismo.

Se isso não bastasse, os partidos da esquerda do sistema, o PCP e
BE e alguns sectores do PS parecem possuídos de uma maleita e a
única solução que vêm para a “crise” é a demissão do governo e a
convocação de eleições. Enredados nesta jiga-joga eleitoralista, num
discurso bloqueado e sem saída, PCP, BE e alguns movimentos a
eles ligados, como o Que se Lixe a Troika, fazem o jogo do PS que já
se apressa para voltar ao poder - seja agora, ou em 2015, quando
estão previstas as próximas eleições para o Parlamento.

Apesar do pouco peso eleitoral de que dispõem na sociedade, PCP
e BE, mas sobretudo os comunistas , enredados num discurso patrio-
teiro e nacionalista, com poucas diferenças do discurso da extrema-
direita quanto à defesa da “independência nacional”, mantêm ainda
zonas de influência importantes no movimento sindical, paralisando-
o e esgotando a sua capacidade de luta em pequenos arremedos, co-
mo o são as manifestações constantes sem objectivo, só para mostra-
rem que estão “vivos”, e as greves de um dia ou algumas horas, que
apenas desgastam os trabalhadores e não lhes trazem qualquer tipo
de vantagem.

Perante este cenário - e sendo o movimento libertário e anti-
autoritário ainda minoritário em Portugal - urge concentrar esforços
na criação de espaços onde a luta seja mais radicalizada, criativa e
onde se possam obter ganhos visíveis: criar comités contra os despe-
jos; avançar com ocupações seja de espaços colectivos ou individu-
ais; incentivar greves selvagens e actos sucessivos de desobediência
civil; etc..

Só ousando novas formas de luta e mostrando que através da acção
directa, da autogestão das lutas e do apoio-mútuo é possível vencer,
poderemos criar as condições para voltar a pôr o anarco-sindicalismo
e a organização anarquista dos trabalhadores na ordem do dia.
Por um 1o de Maio libertário e emancipador!
Não às manifestações de faz de conta !
R.T.
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