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(pt) Anarkio.net: A-Infos #19 - Grupos | Coletivos | Associações | Iniciativas | Anarquistas e Afins (en)

Date Fri, 12 Apr 2013 18:30:20 +0300


Divulgaremos grupos, coletivos, iniciativas, experiênciase afins que tenham relevância no movimento anarquista, independente a qual vertente anarquista estejam alinhados. -- CARTA POLÍTICA do Coletivo Anarquista Ademir Fernando ---- “Abaixo e a esquerda esta o Coração” EZLN – Exercito Zapatista de Libertação Nacional ---- O Coletivo Anarquista Ademir Fernando (CAAF) é um agrupamento político anarquista especifista, federalista de estrutura horizontal que busca atuar como minoria ativa - sem transformar os movimentos sociais em aparelhos, visando sempre imprimir um caráter combativo e revolucionário a estes. Tem por objetivo finalista alcançar uma sociedade com bases no comunismo - anarquista; a autogestão socioeconômica e o federalismo político.

“O projeto político e social do anarquismo é uma
sociedade livre e antiautoritária, que conserve a
liberdade, a igualdade e a solidariedade entre os
seus membros”. Entendemos que o anarquismo tem
a obrigação de interferir na realidade, de modo á
alterar a vida material das pessoas e não só se
limitar ao plano das idéias; para modificar a
realidade da sociedade em que vivemos é preciso
atuar nas mais diversas lutas populares, no bairro,
na fábrica, no campo, na universidade, etc.; pois
para nós "o anarquismo não se origina de reflexões
abstratas nem de um intelectual ou filosofo, mas
sim da luta direta de trabalhadores contra o
capitalismo, das carências ou necessidades dos
trabalhadores, das suas aspirações à liberdade e
igualdade, aspirações que se tornam
particularmente vivas no melhor período heróico da
vida e luta das massas trabalhadoras"[1].

O anarquismo como corrente política do socialismo
tem sua origem no seio da Associação Internacional
dos Trabalhadores – AIT, na ala antiautoritária ou
federalista em oposição ao socialismo reformista,
legalista ou estatista formada pelos marxistas. Com
o passar dos anos o anarquismo desenvolveu-se
teórica e praticamente vindo a contribuir de
maneira impar nas lutas sociais, como na Revolução
Mexicana, Revolução Russa, do anarquismo
Bulgaro, assim como na Greve Geral de 1917 aqui no
Brasil que colocou São Paulo nas mãos dos
trabalhadores, na Insurreição de 1918 no Rio de
Janeiro, bem como na Greve Geral de 1919 na Bahia
que em muito repercutiu aqui no Recôncavo, como
na Federação dos Trabalhadores Bahianos que teve
ativa participação na greve de XIX de orientação ao
sindicalismo revolucionário que na época estava
ligado a Confederação Operária Brasileira – COB
então celeiro de anarquistas, da Revolução
Espanhola em 1936, da luta na Coreia do Norte
contra a invasão dos EUA.

“Por outro lado, em determinados contextos o
anarquismo assumiu certas características que lhe
retiraram este caráter ideológico, transformando-o
em um conceito abstrato, que passou a constituir-se
tão somente em uma forma de observação crítica da
sociedade. Com o passar dos anos, este modelo de
anarquismo assumiu uma identidade própria,
encontrando referências na história e, ao mesmo
tempo, perdendo seu caráter de luta pela
transformação social. Isso se evidenciou, de maneira
mais gritante, na segunda metade do século XX.”[2]
Sendo este modelo de anarquismo que chegou aos
nossos dias, um anarquismo fora das lutas sociais,
funcionando como um passa tempo, um tema de
debate intelectual, uma curiosidade, um nicho de
acadêmicos e todo o tipo de loucos e pequenos
burgueses. O que para nós representa uma forte
ameaça ao que é o anarquismo.“O anarquismo social
está radicalmente em desacordo com o anarquismo
que é focado no estilo de vida, a invocação neo-
situacionista ao êxtase e a soberania do ego pequeno
burguês que cada vez contrai-se mais. Os dois
divergem completamente em seus princípios de
definição – socialismo ou
individualismo”[3]entendemos o anarquismo como
uma ferramenta de luta de classe, por tanto como
filhos e filhas do povo devemos estar organizados
para servirmos de centelha para a Revolução Social,
um anarquismo negro, indígena e latino-americano
como sempre foi aqui em nosso continente irmanado
com outros companheiros de outras terras e outras
línguas.

A Bahia sempre foi um grande Quilombo, uma
grande Canudos, aprendemos a resistir aos
coronéis, aos capitães do mato, aos jagunços
escrevendo nossa história ora com a poesia dos
repentistas, nas ladainhas dos capoeiras, nas
cantigas de louvor aos Orixás de Candomblé ora na
ginga e na navalha, no cano de uma espingarda ou
de um Parabelum, numa mandinga de Candomblé.
Nesta universidade o Coletivo Anarquista Ademir
Fernando nasce da luta desencadeada no primeiro
semestre de 2010 por um grupo de estudantes pelo
direito de permanecer e estudar em uma
universidade, grupo este que ficou conhecido como
os Embarracados do CAHL ou Acampamento
Remanescentes, a luta destes estudantes que
também é uma luta pelo direito da população
afrodescendente ao acesso a universidade foi, não
apenas uma luta por uma bolsa ou o acesso a uma
Residência Universitária que até então não existia,
mas uma luta contra um projeto de universidade
branca e elitista. Desta luta que foi enfrentar a
Administração Central desta universidade, da
Direção deste Centro - que por todos os meios tentou
expulsão da universidade até com ameaças de
reintegração de posse, passando pela Pró Reitoria
de Ações e Políticas Afirmativas, e que
culminou na morte em circunstâncias
misteriosas de um dos estudantes ocupantes,
estudante este que veio dar nome ao nosso
coletivo político. A morte de Ademir Fernando de
Senna Gonçalves[4] (24 anos) continua até hoje
sem esclarecimento tornado-se mais uma estatística de jovem
negro que morre antes dos 29 anos. Esta universidade
reconhecidamente “branca e estruturamente”[5]
racista pouco ou nada fez para que fosse solucionada.

É nesta terra conhecida de Recôncavo onde aportaram
muitos escravos para os engenhos de açúcar e
onde também se fez independente a Bahia, expulsando
os colonizadores no chumbo, na capoeira e
na mandinga que nos afirmamos e levantamos
nosso punho em revolta, num grito de liberdade.

Que em cada companheiro de luta possa pulsar o sangue de
Maria Felipa mulher negra que afundou quarenta
e duas embarcações portuguesas na guerra
de independência, o espírito de luta e
rebeldia que cada negro, Bantu, Nagô, Haussás,
Jeje que fugiu para os Quilombos e de lá
resistiu à escravidão.

Com os Oprimidos e Contra os Opressores Sempre!

Cachoeira, 03 de abril de 2012.

Coletivo Anarquista Ademir Fernando Email:
coletivoademirfernando@gmail.com

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