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(pt) PALAVRAS DE LUTA #4 fev.mar.abr - ano 2013

Date Sun, 07 Apr 2013 10:33:28 +0300


Informativo do Coletivo Anarquista Bandeira Negra - CABN ---- Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira - CAB ---- Região de Santa Catarina | Gratuito ---- Ocupação Contestado: ---- criando sementes de Poder Popular! ---- por CABN (Coletivo Anarquista Bandeira Negra) ------- “Não se trata de colocar o nome de poder popular às velhas e conhecidas formas de ação política e de representação que excluem o povo de toda instância de decisão fundamental. ---- Portanto, não se trata simplesmente de tomar das classes dominantes o atual poder político centralizado, e sim de difundi-lo, descentralizá-lo nos organismos populares, de transformá-lo em outra coisa. De transformá-lo em uma nova estrutura político-social.“ ---- Federação Anarquista Gaúcha (FAG) ------

São José/SC está vivenciando um momento muito
importante no que diz respeito à organização popular e luta
por moradia na Grande Florianópolis. Desde o dia 07 de
Novembro de 2012, famílias que foram realocadas da noite
para o dia no Ginásio do bairro Jardim Zanellato decidiram
ocupar de forma organizada um terreno, abandonado há
mais de 30 anos. Terreno público e de usucapião que jamais
cumpriu a sua função social. A ocupação está dando impul-
so para a criação de um movimento que se põe em marcha
na luta por moradia e que tem o potencial de se expandir e
tomar corpo em toda região metropolitana.

No entanto, o trabalho não é pouco para as famí-
lias. No processo de organização, passaram a discutir seus
problemas, trabalhando coletivamente e discutindo politi-
camente o processo de ocupação e de direito à moradia.
Passaram a conhecer e enfrentar todas as dificuldades que
uma ocupação tem pela frente, principalmente no que diz
respeito à articulação com diferentes organizações políti-
cas, com o assédio de políticos profissionais e postulantes,
a pressão da especulação imobiliária e o desafio de superar
o preconceito da vizinhança, assim como as barreiras que
lhes são impostas histórica e socialmente. Esses trabalha-
dores/as lutam pela construção de um espaço comunitário,
autogerido, que se torne um marco da luta por moradia na
Grande Florianópolis.

Estas famílias têm mostrado coragem e capacidade
de organização na luta por moradia e vida digna. Com os
seus braços têm construído a ocupação, levantado suas ca-
sas e se esforçado para construir os espaços coletivos, como
banheiros, cozinha, barracão comunitário, horta, ilumina-
ção, etc. Além disso, as famílias seguem avançando no pro-
cesso de construção coletiva, construindo a solidariedade e
o apoio mútuo, estão desenvolvendo a sua autonomia, dis-
cutindo coletivamente as formas de organizar-se e gerir o
espaço por eles conquistado com luta.

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A Ocupação Contestado tornou-se um espaço de es-
perança e de resistência, que acende o sonho por moradia
do povo empobrecido e oprimido da Grande Florianópolis,
que muitas vezes precisa escolher entre comprar os ali-
mentos e remédios para suas famílias ou pagar o aluguel. A
Ocupação Contestado é por si só um espaço de resistência
contra a especulação imobiliária, uma pedra no sapato do
Estado, revelando a insuficiência das políticas de moradia,
sejam elas municipais, estaduais ou federais, e uma grande
chama de esperança que ameaça espalhar-se e contagiar
esse povo tão sofrido que aceita resignado o seu destino.

O Coletivo Anarquista Bandeira Negra vem atuan-
do desde o princípio dessa ocupação no sentido de ajudar
a criar os espaços para a defesa da autonomia popular, a
horizontalidade nas decisões e, principalmente, no forta-
lecimento da força social, para que se construa ali de fato o
Poder Popular. No entanto, percebemos que, para atuar de
forma ainda mais ampla, enquanto campo político e social,
era necessário agrupar indivíduos com afinidades de mé-
todo de trabalho, organizados em torno de princípios bási-
cos e principalmente pela vontade de lutar, por objetivos
comuns com outros valores e práticas coletivas, diferentes
da lógica da hierarquia autoritária e do vanguardismo diri-
gente. Desta forma a Resistência Popular-SC, dentro dessa
frente de ocupação, tem como projeto apoiar a política hori-
zontal das assembleias, a formação de núcleos pela base, a
revogabilidade e rotatividade de funções, comissões de tra-
balho na prática de hortas, cozinhas coletivas, cooperativas,
educação e formação. Assim, fortalecemos a luta por direi-
tos básicos daquela comunidade e buscamos a ampliação
do movimento de luta pela moradia na região.

O Poder Popular somente é legítimo quando os
meios usados são coerentes com os fins aos quais se esco-
lheu atingir. Acreditamos que os ganhos sociais da orga-
nização popular se devem, antes de qualquer coisa, à von-
tade coletiva e ao acúmulo promovido pela prática da luta.
Quanto mais direcionamos nossas forças para trazer nossas
conquistas, mais enraizado será o trabalho social desen-
volvido. A organização popular imprime o caráter de supe-
rar os vícios do comodismo e do individualismo, do oportu-
nismo e da verticalidade. Desta forma, criar os espaços ideais
para multiplicar a força social, no sentido de horizontalizar
as demandas, autogestionar as ações coletivas, através de
assembleias que concretamente decidam sobre seus rumos,
é estimular a via do socialismo libertário. Ação direta que
conquiste o direito de moradia, combate classista que une
setores dos mais explorados, luta anticapitalista e contra a
propriedade, desafios em que a atividade pela incessante
busca pela transformação social deve sempre ser pautada.

Hoje o combate segue por dois caminhos: um, por
aqueles que se organizam autonomamente, mas que pen-
sam que no meio parlamentar ainda há possibilidades de
mudança; o outro, pelos que acreditam na organização po-
pular feita de baixo para cima, pela base. No fluxo das lutas,
mesmo entre essas duas vertentes, é importante que sina-
lizemos o processo permanente entre o povo organizado,
uma transformação real que seja impressa na sociedade.
Garantido isso, todo este sistema de valores criados na
consciência do sujeito em construção tende a sedimentar o
elemento crítico presente na luta.

A desigualdade social está posta, existe, é con-
creta, determinada pelo caráter excludente do desenvolvi-
mento do sistema capitalista. Tanto a exploração quanto
a opressão são também determinantes neste processo de
rompimento da possibilidade do sujeito garantir a condição
de sua própria emancipação. Em tamanho da crise da de-
mocracia representativa a nível global, mobilizações em
torno das discussões são realizadas em contraposição às
“fórmulas teóricas imbatíveis”. Compreendido que não há
respostas felizes no poder exercido pelos profissionais da
política, é com solidez que se afirma que a esfera estatal,
em todas as suas inúmeras estratificações, é incapaz de sus-
tentar a manutenção de sua existência quando abre-se uma
fenda corrosiva em suas bases decadentes.

O desafio é grande, mas não é novo. A capacidade
da força social gerada pela consciência e entendimento pela
necessidade material, com a vontade de agir, estabelece as
condições reais de enfrentamento para o desafio da rup-
tura. O caminho para a construção do Poder Popular, da or-
ganização dos de baixo, explorados e oprimidos, revela um
caminho em uma única direção. Diferentemente da concep-
ção da tomada do poder pelo centro ou da ação de grupos
autoproclamados portadores da ciência da transformação,
o caminho para esta ruptura, inevitavelmente, passa pela
vontade política de luta e pela participação organizada dos
setores populares.

Pela conquista de melhores condições e pela cons-
trução do Poder Popular, que intenciona a forma de como
organizar-se, essas parcelas mais marginalizadas e expur-
gadas da população, ao adquirirem coesão social, através da
resistência e da estratégia de ação prática, tendem a, cada
vez mais, fazer o enfrentamento direto com o Estado e o
Capital, rompendo amarras da democracia representativa.
Eis o desafio a ser enfrentado.

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Um pouco de nossa concepção de Anarquismo
por CAB (Coordenação Anarquista Brasileira)

[...] Primeiramente, nós da Coordenação Anarquis-
ta Brasileira (CAB) fazemos parte de uma tradição político-
organizativa chamada de Especifismo. Especifismo porque
fazemos a defesa enquanto Anarquistas da necessidade de
nos organizarmos politicamente enquanto tais. Essa ne-
cessidade se expressa por meio de uma Organização Políti-
ca Anarquista, Federalista e de Quadros, com critérios de
ingresso, formação militante, dotada de um Programa Míni-
mo, Estratégia de Curto e Longo Prazo e Objetivo Finalista.
Não somos, portanto, uma seita. Somos sim, no interior da
história do Socialismo, um Partido, tal como dizia o italiano
Errico Malatesta: “Nós, os socialistas-anarquistas, existimos
como partido separado, como programa substancialmente
constante, desde 1867, quando Bakunin fundou a Aliança; e
fomos nós os fundadores e a alma do rumo antiautoritário da
Associação Internacional dos Trabalhadores.” O Especifismo
tem sua expressão “inicial” na América Latina com a FAU
(Federação Anarquista Uruguaia), fundada em 1956 e que
reuniu em sua formação velhos militantes anarco-sindi-
calistas que se organizavam na FORU (Federación Obrera
Regional Uruguaia); velhos combatentes da Revolução Es-
panhola; jovens militantes sindicais e estudantis do país
e alguns remanescentes que conviveram com o grupo de
anarquistas expropriadores que realizaram diversas ações
na região do Rio da Prata. A FAU era defensora da organiza-
ção específica do Anarquismo, por meio de uma Estrutura
Organizacional que vinculasse organicamente seus mili-
tantes sob uma Declaração de Princípios e Elementos de Es-
tratégia, e que pudesse desenvolver em seu interior tarefas
correspondentes a análises de conjuntura, capacitação
político-militar (projetando aí o desenvolvimento de um
aparato armado que se concretizou e foi chamado de OPR-
33 – Organización Popular Revolucionária 33 Orientales)
e, é claro, inserção social no movimento de massas. A FAU
ao longo de sua existência (se mantém atuante ainda hoje)
cumpriu importante papel na construção da CNT (Con-
vención Nacional de Trabajadores), participando através
de sindicatos de base ou da própria direção da entidade;
na construção da ROE (Resistência Obrero Estudiantil),
agrupação de Tendência que reuniu boa parte da militân-
cia de base classista e combativa (anarquistas, marxistas,
leninistas, etc.) que se opunham à direção do PCU que era
majoritário no movimento popular; e desenvolveu, num
primeiro momento junto ao MLN-T (através da Coordina-
dora) e depois por um trabalho próprio, ações de expro-
priação de bancos, seqüestros de patrões e figuras ligadas
à ditadura e apoios às mobilizações populares. Nós da CAB
compartilhamos dessa tradição porque foi através dela que
no início dos anos 90, quando do debate de reorganização
do anarquismo, se iniciou a construção de Organizações
Específicas Anarquistas que até hoje trabalham para seu
crescimento e maior inserção. Portanto, não somos Anarco-
Sindicalistas ou Anarco-Estudantis, porque não fazemos a
defesa de sindicatos ou entidades estudantis anarquistas,
mas sim da necessidade de nos organizarmos politicamente
para intervirmos no Movimento Sindical e Estudantil. Des-
sa forma, não somos contrários à existência de entidades
“representativas”, sejam elas locais, estaduais ou nacionais,
assim como não somos, por princípios, contrários à disputa
das direções. No entanto, não temos como cálculo político
apenas a suposta exigibilidade da luta de classes da disputa
das direções dos Movimentos para que eles sejam de fato
revolucionários, porque não apostamos nossas fichas de
que a direção (o sentido) de um determinado movimento
social seja resultado direto do grupo político que o dirige.
Não negamos a influência que este grupo possa exercer,
mas não fazemos dela a condição para o sucesso das lutas.
Se somos partidários de uma proposta combativa, achamos
sim necessário uma Organização Política preparada para
intervir e dar conta de certas tarefas que os Movimentos
Populares não poderiam dar conta, não achamos, porém,
que esta Organização seja uma Vanguarda ou Direção Revo-
lucionária porque mais capacitada para sintetizar os dese-
jos da classe num socialismo pretensamente “científico”.
Por isso, em nossa percepção, a disputa de entidades está
condicionada a capacidade que possuímos de intervenção
e de fomento da organização das Classes Oprimidas, papel
que estas entidades devem cumprir, assim como a própria
análise do cenário vivido em cada Frente Social. Caso con-
trário, a ocupação de uma entidade torna-se apenas um rito
burocrático que não dá protagonismo à nossa classe e tam-
pouco acumula força social para um projeto radical.

Dessa forma, não somos espontaneístas, achando
que a organização popular virá por ela mesma. Ao contrário
do que alguns dizem, seguimos contribuindo com o forta-
lecimento dessa organização, com esforços modestos mas
firmes, no movimento popular, sindical, estudantil e rural
em diversos estados deste país. Apostamos na necessidade
de uma Organização Política trabalhar consciente e inten-
cionalmente no desenvolvimento da participação e orga-
nização popular, seja ela sindical, estudantil, comunitária
etc., mas sempre considerando que o decisivo para as lu-
tas, para o acúmulo necessário a um sentido revolucionário
que realmente coloque em xeque o sistema de dominação
capitalista — e o Estado enquanto peça fundamental desse
sistema de dominação — é a Força Social expressa na Orga-
nização das Classes Oprimidas através de seus próprios ins-
trumentos de organização, de defesa e de ataque dos nossos
inimigos de classe. Nossa concepção, historicamente tem se
confrontado com a ideologia do Socialismo Estatista, justa-
mente por acreditar que a destruição do Estado depende do
avanço da organização das classes oprimidas e da forja de
um sujeito revolucionário que aponte nesse sentido.
[...]

Nota completa: http://www.cabn.libertar.org/?p=801

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O QUERELA

Livraria 36

Os livros são poderosos ao ponto de abolir o Es-
tado, a sociedade de classes ou o machismo? Não, é claro.
Mas criam a possibilidade de você, leitor ou leitora, perce-
ber que não está sozinho(a) na cidade do capital. A leitura
é possibilidade de conhecer histórias e pessoas que estão
se organizando em movimentos sociais e políticos, mesmo
que a “grande mídia” local diga o contrário, ou que políticos
sacanas digam o contrário.

A Livraria 36, sediada em Joinville/SC, é o trabalho
de divulgação e propaganda da literatura anarquista envol-
vendo poesia, teatro, história, sociologia, ecologia, teoria
política entre outros temas relacionados à construção de
uma nova sociedade.

Mais informações em : www.facebook.com/Livraria36

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------ 36 ------ LIVRARIA -----

Soneto do livreiro libertário

Por conta dos trabalhos realizados com a Livraria 36 fomos
surpreendidos com o Soneto do livreiro libertário, do es-
critor e editor Nils Skare, enviado com um pedido de livro
da L-Dopa Publicações. Em 2008, Nils Skare lançou o livro
“A antibruma”.

Após reunir todas suas obras,
Com cuidados as leva ao ponto de venda.
Não se fazem filas sinuosas tais cobras
Mas sempre há a quem a chama acenda.

Dispõe os anarquistas em fileiras,
Dedos folheiam títulos ousados.
Os carpinteiros erguem as cumeeiras,
Os livreiros põem sonhos elevados.

Na fábrica uma pergunta aflora,
Na praça uma nova ideia brota,
Querem deitar um preconceito fora.

O desapercebido então se nota ?
Indicar um livro é urgente agora
É ter a bússola e traçar a rota.


Milonga del Pocho

Reproduzimos aqui parte da Milonga que home-
nageia Alberto “Pocho” Mechoso, um dos fundadores da
Federação Anarquista Uruguaia (FAU), sindicalista da Fede-
ração dos Trabalhadores da Carne e militante da Organiza-
ção Popular Revolucionária - 33 Orientais (OPR-33), braço
armado da FAU que apoiou greves e realizou sequestros e
expropriações dos patrões para financiar a luta contra a di-
tadura. A milonga pertence ao gênero musical e literário da
cultura rioplatense, que reconstrói o pensamento crítico e
as impressões que vêm do campo e da cidade.

Hombre de buena plaza
a ti te entono esta milonga
cuando la guitarra cuñada
florea un brinde a tu raza

Fuistes Pocho y Camino
referencia en la doma insubordino
entre pueblo y rebeldía
Escaramuça libertad y valentía

Tu nombre clarea a lo largo
revelando retrato amargo
que peleastes en vida
Dice el viejo Ansina:

“Sigue, de noche y de día,
las huellas criminales
buscando con porfía
a hombres y animales”

Y se viene de aquel pago de Flores
A pocos tenia rancores
Sufria con el Gaucho Molina
la misma sintonia, la lida

Pues a nadies debia nada!
“Así que a la noche, venga!”
El libertário entrañado en el alma
Ah compadre toma un trago y se adueña

Gran pibe muchacho callejero
Revolucionario

Contento con los de abajo
Rebelde con los de arriba

los de afuera son de palo
Ni te duele o lastima
[...]
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