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(pt) Portugal, Acção Directa #5 P7-8 - Memória Libertária - Artur Modesto +

Date Sun, 31 Mar 2013 09:42:21 +0300


Memória Libertária - Artur Modesto ---- Artur dos Santos Modesto nasceu em Beja a 27 de Maio de 1897 e morreu em Lisboa a 3 de Abril de 1985. Foi um dos anarquistas da velha guarda que passou o testemunho aos mais novos, já no pós 25 de Abril, fazendo parte do colectivo que voltou a publicar o jornal “A Batalha” e criou o Centro de Estudos Libertários. ---- Artur Modesto tinha apenas a 2a classe, mas foi um verdadeiro autodidacta, no mais genuíno espírito libertário, mantendo conversas apaixonadas e profundas sobre os mais variados temas, chegando a desempenhar funções de “secretário” junto de António Sérgio, o “pai” do cooperativismo português. ---- Filho de um sapateiro e de uma ajuntadeira, seguiu também a profissão de sapateiro que começou por exercer em Beja. Filiou-se como membro do Sindicato dos Sapateiros de Beja, aos 15 anos, em 1912 e foi militante activo das Juventudes Sindicalistas.

Veio para Lisboa em 1928, já depois do golpe fas-
cista de 28 de Maio de 1926 e numa altura
em que as Juventudes Sindicalistas e a CGT
eram alvo de grande repressão. Participou na
Conferência Libertária em Belém em 1932.
Activista da Federação Portuguesa de Solida-
riedade, do Núcleo Cultural "Ferreira de Cas-
tro" e do Sporting Club do Rio Seco, foi tam-
bém membro do Grupo Anarquista "Fanal",
no pós-25-4-1974, federado da FARP-FAI.
Artur Modesto, com quem convivi já na
década de 70 contou-me um aspecto que não
pude ainda confirmar: que o Despertar Spor-
ting Clube de Beja, ainda hoje existente, foi
fundado por membros da Juventude Sindica-
lista bejense que deram ao nóvel clube o no-
me do jornal que a organização anarco-
sindicalista então editava: O Despertar. Fun-
dado em 1920, o Despertar foi sempre consi-
derado em Beja como um clube das camadas
populares e, segundo Artur Modesto, muitos
jovens depois do golpe de 28 de Maio e do
ataque cerrado ao movimento libertário, com
o encerramento das suas sedes e a prisão dos
militantes mais conhecidos, usaram o clube
para reuniões e algumas actividades de carác-
ter sindical. Uma memória que foi esmore-
cendo no tempo, mas da qual ainda devem
existir registos.

Poeta de raiz popular tem dois livros edita-
dos pela Editora Sementeira, Lisboa -
"Páginas do Meu Caderno", Dezembro-1978
e "Alfarrábio Poético" (em conjunto com os
militantes Francisco Quintal e José Francis-
co), Janeiro-1984.

c.j. (com arquivo MOSCA)

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Imprensa Libertária: “O Meridional”

Em Abril de 1978 começou a publicar-se
em Faro, com sede na Praça Alexandre
Herculano, o jornal “O Meridional”, que
se apresentava como um “mensário algar-
vio”. Em todo o cabeçalho não havia uma
única identificação de que este era um
jornal anarquista da primeira à última das
suas 10 páginas. Tendo como seu princi-
pal redactor Júlio Carrapato, um anarquis-
ta ainda hoje activo nos meios libertários,
“O Meridional” caracterizou-se por textos
longos, sem imagens ou fotografias, bem
escritos e muito contundentes para a reali-
dade circundante, poucos anos depois da
“instauração da democracia”.

“O Meridional”, publicou-se durante um
escasso período de tempo, mas teve uma
grande influência nos meios anarquistas
devido aos textos de autores (então desco-
nhecidos entre nós) que publicava, à for-
ma aguerrida como tratava as questões
que, então, estavam na ordem do dia, não
poupando nas críticas fosse à direita ou à
esquerda e também devido a algumas
entrevistas, muito completas, com Juan
Gomez Casas (o biógrafo de Durruti e
primeiro secretário-geral da CNT após a
queda do franquismo), com Simon Leys
ou Emídio Santana.

a.

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50 mil fuzilados, 73 mil assassinados, 30 mil desaparecidos

Anarcosindicalistas espanhóis pretendem julgamento
do genocídio franquista cometido entre 1936 e 1977

Em Portugal isso nunca aconteceu. Nunca houve um julgamento do regime fascista. No
Estado Espanhol, a CNT pretende levar para a frente o processo do franquismo e asso-
ciou-se às acções que estão a ser levadas a cabo, nos tribunais argentinos, por iniciativa
de familiares de vítimas e associações que lutam contra o branqueamento do fascismo.

A Confederação Nacional do
Trabalho apresentou recentemen-
te em Madrid a denúncia que
juntou no passado mês de De-
zembro ao processo que está a
transitar nos tribunais argentinos
e que pretende julgar o genocídio
cometido pelo regime de Franco
desde 1936 até 1977. Deste modo
a CNT associa-se às acções em-
preendidas por parte de familiares
de assassinados e desaparecidos,
associações de recuperação da
memória histórica e outras enti-
dades interessadas.

A CNT pretende assim trazer para a luz do
dia a repressão sofrida pela organização e
pelo Movimento Libertário desde o golpe
militar de 18 de Julho de 1936 até à lei da
amnistia de 1977, uma lei que pretende pas-
sar em branco mais de 40 anos de um regime
instaurado pela força e baseado na violência
física e social. O seu máximo dirigente e
executor, o general Francisco Franco, contou
para isso com a colaboração de diferentes
sectores militares, financeiros, políticos e
eclesiásticos católicos, todos eles implicados
na autoria e direcção do golpe.

Neste acto público participaram Alfonso
Alvarez, secretário geral da CNT, José Ra-
mon Palacios, presidente da Fundação Ansel-
mo Lorenzo e Javier Antón, coordenador do
Grupo de Trabalho da Memória Histórica –
CNT. Além destes, prestaram o seu testemu-
nho três sobreviventes da repressão franquis-
ta, Félix Padin, Antonio Amate e Aurora
Tejerina.

Com esta acção a CNT pretende proclamar
“publica e energicamente, face a um esqueci-
mento cúmplice, o seu desejo e interesse em
por a claro e divulgar o desastre que foi a
instauração do franquismo, assim como os
terríveis danos causados à organização con-
federal que foi o alvo principal da acção re-
pressiva do regime durante décadas”.

Um balanço objectivo da repressão, passa-
dos já quase três quartos de séculos do golpe
militar e após consulta à numerosa bibliogra-
fia especializada sobre a Guerra Civil espa-
nhola, dá-nos a números dramáticos, alguns
baseados inclusivamente em fontes oficiais
do governo franquista: 50 mil fuzilados,
73.000 assassinados na retaguarda, 30.000
desaparecidos; 500.000 levados para campos
de concentração, 300.000 presos e um núme-
ro indeterminado de violações, raptos e rou-
bo de crianças.

(com: Secretariado Permanente del Comité
Confederal CNT-AITprensa@cnt.es )

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Plumas Negras

Piam mochos, chiam c’rujas
Lá no alto de S. Bento,
Esse bando agoirento
De plumagens negro-sujas,
Piam, piam sob cruzes
Exibindo ares graves...
Negando a outras aves
Doutros sóis suas luzes
No escuro dos seus ninhos
Escrevo seus pensamentos
Lá fecundam os tormentos
Dos humildes passarinhos.
Plumas negras assassinas
A seu mando vão agindo
Os ninhos vão destruindo
Essas aves de rapina.

Abutres e gaviões
Penas de garras sangrentas
Vão espalhando tormentas
Rugindo como leões
Nas gaiolas vão mantendo
Outras pessoas já despertas.
Nas paliçadas desertas
Outras aves vão morrendo.

Oh agoirentas julgais
Que serão vossos processos
Que detêm os progressos
De tão nobres ideais?
Para quê tanta maldade
Tanta lama, tanto crime!
A história não redime
Tal bando sem piedade.
A justiça há-de chegar
Com pena de Talião!
Nas cinzas do turbilhão
Outra luz há-de brilhar.

Calai-vos ó rouxinóis,
Esquecei vossas melodias!
Para lá das sacristias
Aquecei-vos noutros sóis!
Inocente passarada
Unidos, formai barreira!
Para as lavas da fogueira
A “terrível” bicharada!

Artur Modesto
Algarve, 1936
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