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(pt) Periódico da FARJ: Novo Libera! #157 - VIOLÊNCIA NO CAMPO: FRUTO PODRE DA BURGUESIA E DO ESTADO (en)

Date Sun, 31 Mar 2013 09:41:05 +0300


sumário ---- Nota de repúdio ao assassinato de militante do MST-RJ ---- pág 2 ---- “Um Manifesto” Flóres Magón ---- pág 2 ---- “A Terra” Malatesta ---- pág 3 ---- Notícias
Libertárias ---- pág 4 ---- A FARJ publicou semana passada o mais recente número do seu periódico, o Libera! ---- O Libera de número 157 é fruto da militância e da reflexão da organização na luta dos movimentos sociais do Campo (MST e MPA), O número é inteiramente dedicado ao problema que os trabalhadores do campo enfrentam em seu cotidiano de luta e resistência.--Além dos textos da organização, o periódico apresenta dois textos clássicos (Errico Malatesta e Ricardo Flores Magón), notícias libertárias referente aos meses de Janeiro a Março, assim como um relato da manifestação que participamos e organizamos em frente ao consulado da Argentina (em libertação aos presos/as de Bariloche).

O Libera #157 está disponível fisicamente na Biblioteca Social Fábio Luz para distribuição e pode ser baixado, em PDF AQUI Caso queira receber alguns para distribuição, basta entrar em contato com farj@riseup.net. O Libera também se encontra com a nossa militância dos movimentos populares que estamos construindo.

Aproveitamos para reforçar o grito de resistência em homenagem aos dois compas que nos deixaram!

Cícero e Regina presentes!!!

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VIOLÊNCIA NO CAMPO: FRUTO PODRE DA BURGUESIA E DO ESTADO

“Pinga o suor na enxada, a terra é abençoada”.
Se por um lado os belos versos do enredo
de 2013 da Escola de Samba Unidos
de Vila Isabel – infelizmente financiada por
uma empresa do agronegócio – cantam a
importância e o esforço do trabalhador
rural, consagrando a escola como a campeã do
carnaval do Rio de Janeiro, por outro a
negligência, covardia e a impunidade aturdem
estes mesmos personagens com o sangue
de dois militantes do MST, de Campos dos
Goytacazes/RJ, assassinados pelos
exploradores que financiam a miséria e a fome.
Colocamos na conta do Governo a negligência
que custou a vida de mais dois lutadores
do campo. Não nos surpreende o
desempenho pífio do Governo Dilma em
relação à promoção da Reforma Agrária no
país, desempenho inclusive inferior ao observado
no desprezível governo Fernando
Henrique. Menos ainda fizeram o Governo
do Estado do Rio de Janeiro e a máfia
Garotinho, que controla a política municipal de
Campos dos Goytacazes, cidade onde
ocorreram os brutais assassinatos.

A negligência de que falamos pode ser observada
nas 150 mil famílias que estão acampadas
debaixo de lona preta, submetidas a
condições precárias de moradia, sem acesso
a saneamento básico, educação do campo,
estradas e energia elétrica. Não há recursos
disponíveis para estes agricultores investirem
na produção, não há acesso a políticas
como o PRONAF (Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar), não
há assistência técnica rural. Nesta situação
de abandono, a terra só é capaz de produzir
insegurança e sofrimento.

A covardia, tão bem caracterizada em tiros
pelas costas que alvejaram o militante assassinado,
é característica dos exploradores,
malditos latifundiários, coronéis do século
XXI. Estes seres humanos, se é que podem
ser considerados como tais, se utilizam de
todos os meios para atingirem seus objetivos:
compram o Estado, compram pessoas sem
caráter, financiam a guerra entre
os mais pobres e o culto ao capitalismo. A
estes o Governo concede todos os direitos,
incentivos e subsídios milionários para
produzirem alimentos contaminados por
agrotóxicos.

Segundo Sérgio Sauer, relator do Direito
Humano à Terra, ao Território e à Alimentação
(Plataforma Dhesca Brasil), “Os conflitos
no campo, infelizmente, que resultam
no assassinato de lideranças e camponeses,
são frutos de dois fatores fundamentais: a
concentração absurda da terra e a impunidade”.
Historicamente, a realidade do campo
brasileiro é de uma profunda concentração
da propriedade da terra. Os dados do
Censo Agropecuário de 2006 do IBGE vêm
reafirmar esta concentração: enquanto os
grandes latifundiários detêm 45% das terras,
os pequenos agricultores, verdadeiros
provedores de alimentos, de feijão e arroz,
ocupam apenas 2,4% das terras do país.
A enorme de manda pelo acesso a terra
pode ser vista através do fato de que
existem pelo menos 3,7 milhões de
famílias sem terra no Brasil.

A impunidade, como não poderia ser diferente,
constitui-se na contribuição do judiciário
para a violência no campo. São muitos
casos de crimes sem solução e responsáveis
intocados. Para ilustrar, em fevereiro deste
ano foi absolvido um réu acusado de assassinar
uma liderança sem-terra no Paraná –
em um julgamento realizado 10 anos após
o crime ter sido cometido. A justiça não
pune os culpados e tampouco protege os
inocentes. Por não terem sido incluídos no
programa de proteção à testemunhas, um
casal de seringueiros foi assassinado após
denunciarem o desmatamento ilegal no
Pará em 2011.

Completando o cenário, no legislativo os
grandes latifundiários e exploradores do
campo estão fortalecidos por uma bancada
ruralista reacionária e corrupta. São estes
os canalhas que ditam os rumos da política
rural e ambiental brasileira, haja visto o
papel decisivo que exerceram para a aprovação
do Novo Código Florestal. A bancada
ruralista é apoiada inclusive por partidos da
base aliada do governo (PT, PC do B, PMDB,
PSB).

A luta dos militantes do MST assassinados
em Campos era maior do que a luta pela
terra. Lutavam contra Eike Batista, que
expulsa pequenos agricultores de suas
terras para a construção de seu império
tropical; contra a escravidão, ainda tão
absurdamente presente em Campos dos
Goytacazes; contra os usineiros de cana
e seus jagunços; e sobretudo
a favor de uma vida digna no campo que inclui
a produção de alimentos saudáveis para
a população.

Mesmo com todas estas pautas e reinvindicações,
a ave de rapina da imprensa corporativa
se organizou para expor à sociedade
a mentira de que as mortes eram resultantes
de conflitos internos aos movimentos,
omitindo assim a relação dos crimes com
toda a cadeia de violência que vem desde a
concentração fundiária à falta de estruturas
básicas nos assentamentos e no campo.

Desta forma, não nos resta mais opção a não
ser estarmos organizados frente às ofensivas
do capitalismo e nunca nos calarmos
enquanto houver extermínio e exploração
da classe trabalhadora. É tempo de lutar, de
construir permanentemente o poder popular nos
locais de trabalho, nas favelas, no
campo, nos espaços de estudo e em todos
os lugares onde existam oprimidos e opressores.
É na organização e na rebeldia frente
às injustiças que se faz um povo forte, pois
não podemos nos acomodar enquanto houver
companheiros caídos. Para os pobres e
oprimidas/os do mundo, todos os tempos
são de luta!

Nós da FARJ gostaríamos que estes companheiros,
Cícero Guedes e Regina dos
Santos, pudessem ainda estar ao nosso lado,
mas hoje fazem parte da terra que tanto
lutaram para cultivar. Seus corpos serão as
sementes de uma sociedade melhor, igualitária,
fraterna e contra o capital. Suas histórias de
luta serão a cultura que fará estas
sementes germinarem. A estes heróis, nossa
homenagem e nossa luta. Não descansaremos
jamais até que a terra e os meios de
produção sejam de todos!

ORGANIZAÇÃO E PODER POPULAR
POR TERRA, TRABALHO E
LIBERDADE!!!

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Por nossos mortos, nem um minuto de silêncio!
Toda uma vida de luta! Cícero e Regina presentes!!!
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