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(pt) Portugal, Acção Directa #5 P2.- Anarquismo & Organização - As revoluções contra as vanguardas by Raul Zibechi

Date Mon, 25 Mar 2013 13:25:12 +0200


As potentes mobilizações que atravessam o mundo estão a desafiar tanto democracias como ditaduras, regimes nascidos de eleições ou através de golpes de Estado, governos do primeiro ou do terceiro mundo. Mas não só. Desafiam os muros de contenção dos partidos socialdemocratas e de esquerda, nas suas diversas variantes. Desafiam também os saberes acumulados pelas práticas emancipatórias com mais de um século, pelo menos desde a Comuna de Paris. ---- Naturalmente que isto produz desconcerto e desconfiança entre as velhas hostes revolucionárias, que reclamam uma organização mais sólida, um programa com objectivos alcançáveis e caminhos para os conseguir. Em suma, uma estratégia e uma táctica que pavimentem a unidade de movimentos que estariam condenados ao fracasso se persistem na sua dispersão e improvisação actuais.

Isto é dito frequentemente por pessoas
que participam nestes movimentos e que
estão contentes por eles existirem, mas que
não aceitam que eles possam caminhar por si
próprios sem que exista uma intervenção
mediadora que estabeleça uma certa orienta-
ção e direcção.

No entanto, os movimentos actuais questio-
nam de forma radical a ideia de vanguarda,
de que é necessária uma organização de espe-
cialistas para pensar, planificar e dirigir o
movimento. Esta ideia nasceu, como nos
mostra George Haupt no livro “La Comuna
como símbolo y como exemplo” (Siglo XXI,
1986), com o fracasso da Comuna. A leitura
que foi feita por uma parte do campo revolu-
cionário foi a de que a experiência parisiense
fracassou devido à inexistência duma direc-
ção: foi a falta de centralização e de autorida-
de que custou a vida à Comuna de Paris,
disse Engels a Bakunin. O que naquele mo-
mento era acertado.

Haupt sustenta que a partir do fracasso da
Comuna surgiram novos temas no movimen-
to socialista: o partido e a tomada do apare-
lho de Estado. Na socialdemocracia alemã, o
principal partido operário da época, abre-se
caminho à ideia de que a Comuna de 1871
era um modelo a recusar, como escreveu
Bebel poucos anos depois. A onda que se lhe
seguiu de revoluções operárias, que teve o
seu ponto alto na revolução russa de 1917,
foi marcada a fogo por uma teoria da revolu-
ção que fez da organização hierárquica e
especializada o seu eixo central.

No último meio século sucederam-se novas
movimentações dos de baixo: as revoluções
de 1968 e as actuais, que provavelmente têm
o seu ponto de arranque nos movimentos
latino-americanos contra o neoliberalismo, na
década de 1990. Neste meio século sucede-
ram-se, integrados nos dois ciclos, alguns
factos que modificaram radicalmente aqueles
princípios: o fracasso do socialismo soviéti-
co, a descolonização do terceiro-mundo e,
sobretudo, as revoltas das mulheres, dos jo-
vens e dos operários. Os três processos são
tão recentes que muitas vezes não reparamos
na profundidade das mudanças que encerram.

As mulheres fizeram entrar em crise o pa-
triarcado, o que não quer dizer que tenha
desaparecido, quebrando um dos núcleos da
dominação. Os jovens desafiaram a cultura
autoritária. Os operários e as operárias desar-
ticularam o fordismo. É claro que os três
movimentos pertencem a um mesmo proces-
so que podemos resumir na crise da autorida-
de: do macho, do hierarca e do capataz. No
seu lugar instalou-se uma grande desordem
que força os dominadores a procurarem no-
vas formas para dominarem os de baixo, para
imporem uma ordem cada vez mais efémera
e menos legítima, já que frequentemente é
apenas violência: machista, estatal, a partir
de cima.

Ao mesmo tempo, os de baixo apropriaram
-se de saberes que antes lhes eram negados,
desde o domínio da escrita até às modernas
tecnologias da comunicação. Mas o mais
importante é que aprenderam dois factos
entrelaçados: como actua a dominação e co-
mo fazer para a desarticular ou, pelo menos,
como neutraliza-la. Há um século atrás os
operários que dominavam estas técnicas eram
uma exígua minoria. As rebeli-
ões, como a que inspirou a
Comuna, eram feitas de bre-
chas que outros abriam nos
muros da dominação. Agora os
de baixo aprendemos a abrir
frestas por nós próprios, sem
depender da sacrossanta con-
juntura revolucionária, cujo
conhecimento era obra de espe-
cialistas que dominavam certos
saberes abstractos.

Nalgumas regiões pobres do
mundo deu-se a recuperação de
saberes ancestrais dos de baixo,
que tinham sido esmagados
pelo progresso e pela moderni-
dade. Neste processo os povos
indígenas jogam um papel decisi-
vo ao dar-se uma vida nova a um conjunto de
saberes ligados à saúde, à aprendizagem, à
relação com o meio e também à defesa das
comunidades, ou seja, à guerra. Aí estão os
zapatistas, mas também as comunidades de
Bagua, na selva peruana, e um sem fim de
experiências que mostram que aqueles sabe-
res são válidos para formas de resistência.
Este conjunto de aprendizagens e novas
capacidades adquiridas na resistência puse-
ram fora de uso e pouco operativa a existên-
cia de vanguardas, de grupos que têm voca-
ção para mandar porque julgam saber o que
é melhor para os outros. Na actualidade, po-
vos inteiros sabem como se podem conduzir
a si próprios, alguns com base no mandar
obedecendo, mas também inspirados nos
princípios que temos podido escutar e prati-
car neste últimos anos: caminhar ao ritmo do
passo dos mais lentos, entre todos sabemos
tudo e caminhamos perguntando.
Isto não quer dizer que já não seja preciso
organizarmo-nos em colectivos militantes.
Sem este tipo de organizações e grupos, inte-
grados por activistas ou como se queira cha-
mar às pessoas que dedicam as melhores
energias a mudar o mundo, a mudança nunca
mais chegaria, porque ela não cai do céu,
nem é oferta de caudilhos e estadistas escla-
recidos. As revoluções que estamos a viver
são frutos dessas múltiplas energias. Somos
muitos e muitas a detoná-las. Mas, uma vez
postas em marcha, a pretensão de dirigi-las
de forma centralizada só pode produzir resul-
tados opostos aos desejados.

http://metiendoruido.com/2013/03/las-
revoluciones-contra-las-vanguardias/
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