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(pt) Apoio Mútuo - Revista anarco­sindicalista #2 - Crise?

Date Tue, 12 Mar 2013 12:45:17 +0200


Há aqueles que lutam um dia; ---- e por isso são muito bons; ---- Há aqueles que lutam muitos dias; ---- e por isso são muito bons; ---- Há aqueles que lutam anos; ---- e são melhores ainda;---Porém há aqueles que lutam toda a vida;---esses são os imprescindíveis. ---- ­- Bertolt Brecht ---- Existe crise? Não! É apenas o sistema de economia de mercado, associado a uma grande falta de fraternidade, em pleno vigor e com a bênção da sociedade que continua a apostar e apoiar a sua própria miséria e subserviência. ---- A classe média só agora sentiu que existe a “crise”, e graças a ela se socializou essa palavra, porque só desde 2008 deixou de ter poder de compra para manter ou adquirir objectos e modos de vida. Enquanto houve décadas em que uma camada enorme da população vivia no limiar da pobreza, essa classe média brindava a essa situação e no Natal, lá dava uma esmola aos indigentes, para limpar a sua consciência. (Caridade não é solidariedade).

Esta “crise” não é nenhuma fatalidade.
Tal como não é o empréstimo a juros altos e
prazos curtos (em vez de ser pago conforme
o crescimento económico) por parte da
troika. Esta crise não é nenhuma fatalidade,
porque é nada mais nada menos que o capi­-
talismo em marcha e a consequência de po­-
líticas anti­sociais. É óbvio a qualquer pes­-
soa que sem salários altos, não se consome,
como tal, não se produz e então não se em­-
prega nem se pode pagar salários altos.
Simples. Mas para beneficiar uns quantos
amigos e famílias (políticas, maçónicas...),
tem que se passar a conta a quem produz,
para pagar os lucros das Parcerias Público­-
Privadas (PPP), concessões, salários de ges­-
tores públicos, tecnocratas e afins, reformas
por inteiro de políticos (político é profis­-
são?)...

Falamos dos impostos altos e que conti­-
nuam a subir, para alimentar a máquina do
Estado e a banca, mas ninguém questiona
aonde é gasto esse dinheiro, pois o acesso
aos direitos fundamentais e previstos na
constituição da República Portuguesa, tal
como saúde, educação, habitação, justiça... é
cada vez mais limitado e precário.

E andamos a pagar a dívida de quem?
Nossa? Ou de quem a fez? De bancos e de
uma ilha? Que pague quem a fez. Não é?
Porque nunca mais se falou da Islândia?
Que em referendo, decidiu não pagar a dí­-
vida dos outros e está a recuperar economi­-
camente, sem nunca ter metido o garfo nas
questões sociais. Aqui no mediterrâneo
põem o garfo, a faca, e o pior de tudo: nós
agradecemos! Se a razão da nossa austeri­-
dade (que não é para todos) são os merca­-
dos, acabem­se com os mercados! O meu
mercado é o da Ribeira, em Lisboa, esse
sim é que é um feliz mercado: do produtor
ao consumidor!

Os governos que governaram a região
portuguesa, nunca enganaram o povo, nem
nunca governaram mal. O povo é que anda
iludido. Porque esperar justiça social e tri­-
butária de quem vive às custas do labor
alheio, é o mesmo que querer cozer batatas
numa frigideira com óleo quente! Os me­-
dia, na mão de grandes monopólios tam­-
bém contribuem para a desinformação e
estupidificação, sendo uma boa arma de
alienação de massas, onde os fabricantes de
opinião, não hesitam em dar soluções para
esta “crise” e as causas dela, e o pior de tu­-
do: os espectadores aplaudem! E ainda
vendem (e é um best­seller) que antes da
crise é que se vendia bem... A falta de me­-
mória dos portugueses está a enterrá­los
vivos. Tal como a grande arma do Estado e
do capital é o conformismo geral, que é cri­-
ado através da ignorância e do medo!

Que resposta dar a esta “crise”?

Podia aqui afirmar: acabar com as PPP,
gestores públicos, zona franca da Madeira
(80% das empresas são uma caixa de apar­-
tado), cobrar nas transacções na bolsa e as
mais valias, cobrar a riqueza, etc. e investir
mais no ensino (estilo escola oficina no1,
Ferrer ...), na agricultura (rasgar a política
agrícola comum), pescas (cagar na política
de pescas comum), e por aí fora... até a po­-
pulação se emancipar através da autoges­-
tão generalizada e do colectivismo consci­-
ente! Mas parece que as pessoas preferem
continuar o canibalismo quotidiano e a
apoiar a miséria terrorista no qual elas são
criadoras e vítimas! Também não acredito
que se forme um governo (se sabes gover­-
nar­te, não deixes que te governem) consti­-
tuído por mestres da ciência, mundo artís­-
tico, medicina, desporto, humanistas... Co-­
mo tal, vejo como boas alternativas ­ que
nos podem levar mais além ­ experiências
de hortas urbanas, sistema trocal, banco de
horas, cooperativas de produtores e consu­-
midores, o “do it yourself” e a economia
paralela, okupações e demais projectos
saudáveis, para além de continuar a con­-
testação (e informação/consciencialização
sobre a situação actual) a esta “crise” pelas
mais variadas e criativas formas de agita­-
ção social, nunca deixando de parte a auto­-
defesa da liberdade, igualdade e fraterni­-
dade contra qualquer tipo e forma de pato­-
logia autoritária e exploração vil!

O medo de ser livre provoca o orgulho
de ser escravo! Nenhuma agressão sem
resposta!

Skalges
Outono de 2012
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