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(pt) Apoio Mútuo #2 - Importância da geografia na actividade,anarco-sindicalista (e anarquista social)

Date Thu, 07 Mar 2013 14:49:45 +0200


Algumas das figuras historica­mente mais conhecidas do anar­quismo internacional eram geó­grafos: Élisée Reclus, refugiado da Co­muna de Paris e impulsionador em Por­tugal da Ia Internacional, do anarquis­mo e do sindicalismo revolucionário, nos fins do séc. 19, foi geógrafo e o autor da obra geográfica magistral “A Terra e o Homem” – da qual foi editado há uns anos, por um conhecido diário portu­guês actual, um pequeno resumo. Tam­bém Kropotkin, outra figura do Anar­quismo histórico internacional, foi geó­grafo, tendo inclusive algumas monta­nhas do território russo o seu nome. Po­rém a importância da geografia ­ e so­bretudo da geografia social, econó­mica e ambiental ­ hoje liga­se à necessidade da acção de ligação emergente da nossa actividade aos meios sociais mais explorados e dominados pelo capi­talismo e pelo Estado.

À escala de cada cidade ou vila, de
cada região, de cada província como de
cada país e grupo de países, temos a ne­-
cessidade de ter uma visão de con­-
junto, rápida, clara, elucidativa e evo­-
lutiva da situação das populações traba­-
lhadoras, empregadas e desempregadas,
da localização das principais concentra­-
ções laborais, das fábricas, empresas,
serviços públicos, dos bairros, das zonas
degradadas, dos locais de habitação, de
passagem, de lazer, das principais fon­-
tes de contaminação ambiental das po­-
pulações, das zonas “azuis” de habitação
e luxo da burguesia, etc., etc.

Tal é a função da geografia social,
económica e ambiental – que não será
avatar apenas de geógrafos profissionais
especializados – embora eles possam
ajudar se estiverem implicados na nossa
actividade. A NET e o Google Earth,
com as suas coberturas espaciais de
vastas zonas do globo terrestre, às vezes
em indiscreto pormenor, promovidos
pela “National Geographic” e ao serviço
das CIAs e outras polícias planetárias
com vista ao controlo mundial das po­-
pulações e das regiões, podem ser utili­-
zados por qualquer pessoa interessada
– pelo menos por agora!... Mas o bom e
velho hábito de leitura e utilização das
várias cartas topográficas, mapas geo­-
gráficos, plantas urbanas, mapas turísti­-
cos, etc., “equipando­os” com a infor­-
mação e localizações que se vão desco­-
brindo no terreno, são algo imprescin­-
dível numa actividade que se pretende
militante e continuada. Assim faziam
os velhos militantes anarquistas e anar­-
co­sindicalistas para irem registando a
evolução da sua implantação local e re­-
gional, ou para “baterem o terreno” das
suas actividades de propaganda, agita­-
ção e organização, assim o deveremos
fazer hoje.

Um núcleo de militantes local, um
comité regional, uma secção empresari­-
al, um comité popular, não passam sem
tal instrumento – que logicamente, pela
sua importância táctica, não é algo que
deva ser acessível a pessoas fora da or­-
ganização e constitui um instrumento
de trabalho evolutivo, em cada reunião
organizativa, em cada decisão de acção
colectiva, em cada avaliação da situação
da nossa implantação nos meios labo­-
rais e populares.

Numa situação em que nem sequer
somos ainda aquilo a que os compa­-
nheiros brasileiros chamam de “sindi-­
cato de porta de fábrica”, num momen­-
to em que temos princípios e tácticas
gerais (acção directa, anti­representati­-
vismo, etc.) mas não temos ainda uma
estratégia comum, tácticas, métodos,
etc., para assumirmos perseguir conse­-
quentemente na prática os nossos ob­-
jectivos estatutários de construção de
uma confederação sindical revolucioná­-
ria, à semelhança da velha CGT portu­-
guesa ou mesmo da actual CNT espa­-
nhola, rumo ao comunismo libertário –
que passam pela implantação local e re­-
gional nos meios laborais e populares,
hoje na maioria “controlados” pela
CGTP­IN e pelo PCP (e conviria muito
analisarmos o porquê da sua contí­-
nua implantação nalgumas re­giões), numa
si­tuação em que proclamamos a nossa
von­tade de lutar­mos ao lado dos
demais trabalhado­res, classe
contra classe, na situação so­-
cial miserável em que Troikas, FMIs,
patronato, governos e “concertações so­-
ciais” e seus “concertantes”, todos, estão
a meter a maioria da população de que
fazemos parte, independentemente da
filiação sindical ou partidária dos ex-­
plorados e dominados (mas não do grau
de envolvimento dessa filiação...) é­nos
portanto imprescindível este instru­-
mento prático­teórico que faz parte da
geografia: o mapa monográfico lo­-
cal/regional e o seu completamento
permanente.
O bom conhecimento da geografia­-
social (e ambiental) da cidade ou/e da
região onde vivemos deverá servir na
actualidade para algo mais do que reali­-
zarmos trajectos históricos – embora
eles possam ser sempre úteis na forma­-
ção de militantes e associados. Deverá
servir sobretudo para nos ajudar de
uma forma gráfica a planear, programar
e observar a nossa acção actual, as nos­-
sas limitações e pontos fortes (porque
os há!..), tanto no que já fazemos neste
momento como no que nos falta e é
mais prioritário fazer, em termos de
implantação local e regional.

Avante na implantação local e
regional anarco­sindicalista!
Avante na organização da AIT­-SP!
Avante na resistência social!
Viva o comunismo libertário!

Porto, Fev. 2012
Pego Negro
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