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(pt) Portugal, Acção Directa #4 - p6-7 - Movimentos sociais

Date Mon, 04 Mar 2013 09:15:56 +0200


2 de Março: é preciso evitar que o movimento social seja presa fácil das estratégias políticas ---- Vários colectivos e organizações marcaram uma manifestação para o próximo dia 2 de Março. Muitos dos seus subscritores estiveram também ligados a outros momentos de indignação popular como o 12 de Março, o 15 de Outubro, o 12 de Maio (que acabou por ser um fiasco) e o 15 de Setembro. Em todos estes momentos, embora variasse, houve milhares de pessoas que saíram às ruas mostrando a sua indignação, o seu protesto, a sua revolta. Agora, dia 2 de Março pretende-se o mesmo: mostrar que estamos indignados. ---- Bastará? ---- Não se sabe já isso? São precisos mais dados concretos? ---- Claro que não. Todos sabemos que há uma indignação e uma revolta generalizadas com as condições de empobrecimento, de miséria e de corte em tudo o que são direitos sociais levados a cabo pelo actual governo, sob o álibi da troika.

Daí que, como proposta, este grupo que convoca a
manifestação tenha uma alternativa:
“Exigimos a demissão do governo e que
o povo seja chamado a decidir a sua
vida”, dizem no manifesto que convoca o
protesto. E aqui é que a “porca torce o
rabo“: afinal que alternativa é esta que
nos propõem que apenas significa deixar
tudo como está ou, em contraponto, entre-
gar o governo ao PS que não fará nada de
muito diferente daquilo que o PSD/CDS estão
a fazer?

Mas será que estas dezenas de pessoas que
assinam o manifesto não terão alternativa
melhor? Nunca ouviram falar da auto-
organização; da possibilidade de organi-
zação social por parte de grupos organiza-
dos e em rede, autogestionários; das capa-
cidades do movimento popular em encon-
trar, através das assembleia populares e da
democracia directa, formas de autogover-
no? Nesta altura do “campeonato” virem
propor como mobilização aos movimentos
sociais a “demissão do governo”, enquanto
uma das palavras de ordem centrais, mais
parece uma alternativa mentirosa e (uma
vez que se sabe que mesmo que haja a
queda deste governo qualquer outro que
para lá vá vai fazer o mesmo, ou com mui-
tas semelhanças), não será o mesmo que
pretender desmobilizar o protesto e a in-
dignação a troco de meia dúzia de votos
que não vão servir para nada??

Entre mentiras e não ditos esta palavra de
ordem, embora apetecível para muitos de
nós que sofrem na pele a actuação deste e
de outros governos, esconde por detrás o
que é a farsa do eleitoralismo: BE e PCP
querem eleições porque se contentam com
mais um ou dois deputados, vi-
vem do dinheiro das rendas parla-
mentares e os momentos eleitorais
são óptimos para relegar as lutas
populares e autónomas para se-
gundo plano. Pouco lhes importa
quem ganhe as eleições. Sabem
que não são eles, mas com mais
um ou dois eleitos – se for esse o caso
– sempre podem gritar por vitória

Sem querer pretender que as ma-
nifestações apenas têm este objec-
tivo – e isso não é verdade -, nem
que entre quem as convoca não
haja muitas pessoas de boa fé,
julgo que não vale a pena fazermo
-nos de ingénuos e considerar que
o BE, por exemplo, não tem ali
uma “mãozinha” forte. Isso não
seria grave desde que fosse feito
de maneira aberta, clara e transpa-
rente e que o eleitoralismo des-
bragado de querer hipotecar o
movimento popular em troca de
um pozinhos de percentagem elei-
toral (e vamos a ver se os vão
ter...) fosse posto de parte.

Todos os momentos são bons para
o protesto e para a indignação,
mas o protesto e a indignação têm
que dar origem a momentos de
construção de alternativas sólidas
e consequentes. Pretender que a
consequência e alternativa dos
protestos de ontem, de hoje e do
futuro será uma mudança de
governo (qualquer que ele seja)
e de chicote dá a bem ideia que
os políticos têm dos movimentos
sociais: apenas carne de canhão
para os seus projectos partidários,
particulares e nauseabundos.

Por isso, seria bom o aparecimen-
to de outras convocatórias para
o dia 2 de Março, também elas de
protesto e indignação, que pudes-
sem desaguar no grande mar que
nesse dia serão muitas cidades do
país, mas que não se limitassem
ao reformismo e eleitoralismo
patentes na convocatória original.
Podemos marchar juntos, mas
temos que ter consciência que não
marchamos todos para um mesmo
lado. Uns querem-se representar
no Parlamento e ficam satisfeitos.
Outros, como nós, nunca aceitare-
mos que nos representem!

e.m.

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2o Encontro de Assembleias Populares em Coimbra

Reforçar a comunicação entre as Assembleias de todo o país

O Colectivo Libertário de Évora esteve pre-
sente no II Encontro de Assembleias Popula-
res realizado em Coimbra nos dias 2 e 3 de
Fevereiro. Foi um encontro importante em
que diversos elementos de colectivos de base
de todo o país estiveram reunidos numa tro-
ca muito positiva de experiências.

Participaram nesta iniciativa companheiros
dos Indignados de Lisboa, Assembleia Popu-
lar da Graça, Assembleia Popular de Coim-
bra, Assembleia Popular de Évora, Assem-
bleia Popular de Santarém , a plataforma
antimilitarista PAGAN, vários colectivos
espanhóis , entre os quais a Asamblea Aber-
ta de Compostela, a Comisión Internacional
de Barcelona, a Comisión de Comunicación
de Madrid e o colectivo People Witness,
além de outros elementos a título individual
que integram grupos horizontais e assem-
bleários.

O Encontro começou no sábado, dia 2, com
uma breve ronda de apresentação das pesso-
as e dos colectivos presentes. Cada um ex-
pôs o trabalho já realizado, assim como os
projectos em marcha. Para além disso, anali-
saram-se os problemas e os obstáculos exis-
tentes. A seguir formaram-se grupos de tra-
balho para aprofundar o debate em torno de
três eixos principais: alternativas e soluções
para os problemas identificados (tanto quan-
to a acções como a metodologia de funciona-
mento), construção de ferramentas de comu-
nicação interna e externa e articulação com
outros colectivos e movimentos sociais. À
noite abordou-se a temática em torno das
ocupações, através da projecção dos docu-
mentários sobre as experiências de São Lá-
zaro 94, em Lisboa, e da Es.Col.A da Fonti-
nha, no Porto.

No domingo, dia 3, expuseram-se as ideias
surgidas nos grupos de trabalho. A tarde foi
dedicada à realização de uma oficina sobre a
criação de ferramentas web de comunicação,
com uma aplicação prática no contexto do
Encontro ao desenvolver estruturas para a
existência de uma comunicação fluída entre
os/as participantes. A Assembleia Popular de
Coimbra exerceu uma vez mais o seu papel
de anfitriã, organizando uma cozinha comu-
nitária e facilitando o alojamento através de
uma rede de “Repúblicas” da cidade. Houve
também tempo para a abertura de outros
debates e para o estabelecimento de relações
informais, cumprindo o objectivo transversal
do Encontro: a criação de redes inter-
assembleárias para uma maior coordenação.

R. (com C. da Assembleia Popular da Graça)
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