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(pt) Portugal, Action Direct #3 - Memória Libertária - Mário Castelhano

Date Sun, 17 Feb 2013 20:39:46 +0200


Mário Castelhano (1896-1940) foi o último coordenador do Secretariado da CGT (Confederação Geral do Trabalho, anarcosindicalista) e director do jornal “A Batalha” antes deste ser suspenso e proibido pelo fascismo. ---- De origem modesta, natural de Lisboa, começou a trabalhar aos 14 anos na Companhia Portuguesa dos Caminhos-de-Ferro. Participou nas greves de 1911, tendo depois colaborado na organização das de 1918 e 1920, motivo pelo qual foi despedido. Passou então a ocupar-se de actividades administrativas no Sindicato dos Ferroviários de Lisboa, na Federação Ferroviária e na Confederação Geral do Trabalho. ---- Membro da comissão executiva da Federação Ferroviária, ficou com o pelouro das relações internacionais e a responsabilidade de redactor -principal do jornal “A Federação Ferroviária”. ---- Dirigiu também os jornais “O Ferroviário” e “O Rápido”.

Participou na reorganização do Conselho Con-
federal da CGT, após o 28 de Maio de 1926, de
onde saiu eleito responsável pelo novo secreta-
riado e redactor-principal de “A Batalha”. Após
a tentativa insurreccional de Fevereiro de 1927,
a repressão policial acentuou-se, a CGT é ilega-
lizada e o jornal “A
Batalha” assaltado e a
sua tipografia destruí-
da, vindo Mário Caste-
lhano a ser preso em
Outubro do mesmo ano
e deportado no mês
seguinte para Angola,
onde ficou dois anos.
Em Setembro de 1930,
foi enviado para os
Açores e em Abril de
1931, para a Madeira,
participando na insurreição desta ilha contra o
Governo. Com a derrota deste movimento, foge
da Madeira, embarcando clandestinamente no
porão do navio Niassa. Em 1933, estava de
novo à frente do secretariado da CGT e faz
parte do grupo que organiza o 18 de Janeiro de
1934, de que se assinalam agora os 79 anos.
O levantamento do 18 de Janeiro – que visava
o derrube do regime fascista – teve a ver, como
pretexto mais próximo, com a decisão de Sala-
zar de impor aos sindicatos estatutos corporati-
vos, de índole fascista. Ou seja, a fascização
dos sindicatos. Algo que os anarcosindicalistas
da CGT não podiam aceitar.

Os militantes anarquistas, embora dizimados
pela repressão dos últimos sete anos– já que foi
contra eles que se dirigiu o mais odioso e im-
placável da repressão, uma vez que o Partido
Comunista era quase inexistente (ou como
escreveu ironicamente José de Almeida, um
destacado militante anarquista dessa altura:
“cabiam todos num banco de jardim”) – decidi-
ram agir.

Apesar de pouco numerosos, os sindicatos
ligados aos comunistas, bem como aos socialis-
tas e autónomos, foram convidados a aderir ao
movimento, em que Mário Castelhano esteve
muito envolvido e que, por motivos diversos –
nomeadamente, algum desleixo organizativo
por parte dos comunistas que alertaram a poli-
cia através de comunicados onde falavam da
acção que iria ser desencadeada e da explosão
de bombas na linha férrea, na zona de Xabregas
– não teve o resultado esperado, com levanta-
mentos operários mais relevantes apenas na
Marinha Grande, Silves, Sines, Almada, Bar-
reiro, Leiria, etc., mas sem atingir os principais
centros populacionais. Largas dezenas de mili-
tantes anarcosindicalistas e alguns comunistas
foram presos. Mário
Castelhano, que tinha
sido um dos elemen-
tos-chave do movi-
mento foi preso a 15
de Janeiro, três dias
antes, e foi condena-
do pelo Tribunal Es-
pecial Militar a 16
anos de degredo. Em-
barcou em Setembro
de 1934, com destino
à Fortaleza de S. João
Baptista, em Angra do Heroísmo, e em Outu-
bro de 1936, para o campo de concentração do
Tarrafal.

Ali, no campo da morte, Mário Castelhano
destacou-se pela sua sólida formação moral,
fundada sob uma forte energia e integridade.
Isso transpareceu frequentemente, por exemplo,
quando o acampamento foi atingido por uma
epidemia. A maioria dos presos estavam aca-
mados e sem medicamentos, mas Mário Caste-
lhano, com a sua autoridade moral e capacidade
de liderança, organizou a assistência aos doen-
tes da melhor forma possível e com o que os
poucos recursos permitiam. Mesas, cadeiras,
tudo foi utilizado para o aquecimento da água
de abastecimento necessária para suprir a ca-
rência em medicamentos. Mas assim que a
crise passou Mário Castelhano sucumbiu em
poucos dias queixando-se de dores no estôma-
go. Morreu no Tarrafal a 12 de Outubro de
1940, juntando os seus restos mortais aos de
cerca de quatro dezenas de anarquistas, anarco-
sindicalistas, comunistas e sem filiação que
perderam a vida neste vil campo de concentra-
ção entre finais dos anos 30 e meados dos anos
50 do século passado
e.m (com internet)
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