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(pt) Brazil, Palavras De Luta - 1 - O QUERELA
Date
Tue, 12 Feb 2013 21:13:17 +0200
85 anos sem Sacco e Vanzetti ---- “Durante os três ou quatro últimos dias, muitas pessoas
interessadas no caso Sacco-Vanzetti tinham chegado a Boston, vindas de todos os pontos dos
Estados Unidos. Quando a decisão final do governador do estado no sentido de que Sacco e
Vanzetti seriam executados à meia-noite do dia 22 de agosto se tornou conhecida, muitas
pessoas em muitas cidades dos Estados Unidos pensaram poder escutar o surdo mas amargo
lamento de angústia que se levou de Boston. Isso foi sentido por uma surpreendente
variedade de pessoas. Cientistas e donas de casa, operários e poetas, escritores e
mecânicos da estrada de ferro, até mesmo vaqueiros cavalgando no seu solitário trabalho no
interior distante compartilharam essa estranha e receosa intimidade com as vidas, as
esperanças e os temores de Sacco e Vanzetti.
A execução é tão antiga quanto a humanidade e, indiscutivelmente, o
número daqueles que eram inocentes, mas que foram executados, é grande.
Nunca, porém, uma execução afetara e perturbara tanta
gente antes.”
Extraído da página 93 do romance social “Sacco & Vanzetti”,
de Howard Fast, lançado no Brasil pela editora Best Bolso.
O trecho representa o quanto este caso mobilizou
a solidariedade, princípio básico do anarquismo, em dife-
rentes setores da classe explorada norte-americana. As
mobilizações ecoaram em diferentes cidades do mundo em
que houvesse explorados e exploradas organizados, onde
a resistência e o apoio aos companheiros Sacco e Vanzetti
ganhavam expressões e discursos nos salões operários e
nas ruas. Os famosos sapateiro e peixeiro foram executa-
dos no dia 23 de Agosto de 1927, acusados de homicídio,
mesmo após um dos verdadeiros assassinos ter assumido
a autoria do crime e os inocentado. Sacco e Vanzetti foram
mortos pelo crime de serem anarquistas.
Pocho VIVE!
“Proudhon dizia que há cadáveres galvanizados que transi-
tam pelo mundo. [...]
Quem pretende tornar-se vivo só tem um caminho. Aqui eu
paro de falar dos vivos que estão mortos. Prefiro dar voz aos
mortos que estão vivos. Pocho Mechoso nos diz que ‘há uma
só maneira de viver sem sentir vergonha: lutando. Ajudando
para que a rebeldia se estenda por todos os lados, ajudando
para que se unam o perseguido e o homem sem trabalho,
ajudando para que o “sedicioso” e o operário explorado se
reconheçam como companheiros, aprendam lutando que têm
à frente um inimigo comum.’ Essas são as palavras de Pocho,
que nos chegam ao coração por intermédio do passado e da
história. São os ombros dos gigantes.”
De Rafael Vendetta, “Que outro caminho nos resta?”, extraído
do blog: www.pseudocontos.wordpress.com/2012/08/20/
que-outro-caminho-nos-resta/
Os restos mortais de Alberto “Pocho” Mechoso
foram encontrados, no dia 23 de maio de 2012. Fundador
da Federação Anarquista Uruguaia (FAU), também foi sindi-
calista na Federação dos Operários da Carne e militante
ativo da Organização Popular Revolucionária 33 Orientais
(OPR-33), braço armado da FAU que dava apoio a greves e
realizava sequestros de patrões e expropriações para finan-
ciar a luta durante a ditadura uruguaia.
Em seus últimos anos de vida, “Pocho” militou no
Partido pela Vitória do Povo (PVP), organização que dis-
solveu a FAU. Preso em Buenos Aires em 26 de setembro de
1976, seu corpo foi encontrado com outros sete no fundo
do mar, dentro de barris com cimento.
Casa de cultura do Iririú,
cultura comunitária
Em 2011, o Grupo de Teatro O Canto do Povo, de
Joinville/SC, transformou a sua casa de ensaio em espaço
para produção cultural comunitária. O espaço recebe o
nome de “Casa de Cultura do Iririú”, onde cursos livres de
teatro, iniciação musical e de dança são realizados para a
comunidade. Também ocorrem apresentações de compa-
nhias teatrais locais. Outro evento marcante são as Partilhas
Culturais, quando cada pessoa leva um bolo, uma poesia ou
uma música para compartilhar com as pessoas presentes. A
Casa Cultural do Iririú está aberta e se mantém sem incen-
tivo do Estado e da iniciativa privada, por meio de doações e
contribuições voluntárias, enquanto a gestão é feita de ma-
neira coletiva, esboçando uma prática autogestionária.
Mais informações em : www.facebook.com/cantodopovo
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