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(pt) Palavras De Luta - Informatvo do Coletivo Anarquista Bandeira Negra - A ilusão do Voto por CABAN

Date Sun, 10 Feb 2013 18:00:49 +0200


Chegam as eleições e discursos pomposos de democracia são feitos em todas as mídias. Candidatos assumem para si o dever de administrar e legislar o bem público, tudo em nome da democracia. Querem nos fazer acreditar que o maior símbolo de realização democrática é o exercício do voto e, é aqui que a democracia aparece para a população, é só aqui que a “democracia” invade a vida social. ---- O sistema de representatividade, vigente nas eleições, é criado e mantido pelos grupos dominantes de nossa sociedade, os lacaios e exploradores do povo que dessa forma mantêm seus próprios interesses, sejam políticos ou econômicos. É uma ilusão pensar que, um partido, aliança ou indivíduo possa, de fato, ser o mais fiel representante de milhares e milhares de pessoas. O que está em jogo é, na verdade, uma luta das elites pelo poder e o trabalhador não passa de uma mera marionete no meio dessa disputa.

Cada vez mais, a política passa a ser encarada com
total descrédito pela massa. A cultura do delegacionismo –
“eles farão por mim” – cria uma falsa ilusão de que a política
é suja e deve ser praticada apenas pelos políticos profis-
sionais, a “política para os políticos”.

O verdadeiro sentido das eleições não é o de levar
adiante um processo democrático de inclusão e participa-
ção popular, onde a população possa aumentar a sua par-
ticipação nas esferas de decisão, mas o de representar um
retrocesso e um distanciamento do fazer política – este é o
principal objetivo dos partidos envolvidos nesse processo,
o logro das eleições com o número de votos.

Os partidos de esquerda, comumente chamados de
populares, hoje encostam-se no muro da moderação, tor-
nando-se conciliadores de classe. Alimentam a falsa espe-
rança de que uma mudança de fato poderá ocorrer, caso se
elejam alguns autodenominados representantes do povo.
Em vez disso, apropriam-se da manutenção de um sistema
eleitoral, político, jurídico, econômico e social totalmente
controlado pelas elites.

No perfil das siglas, o que se observa, apesar de
muitos partidos se considerarem da situação ou da oposição,
é que o quadro permanece inalterado: quem sobe e quem
desce faz parte de um jogo de dominação e exploração que
necessita subsistir para sua continuidade, para a manuten-
ção de um Estado que defenda os interesses dos poderosos
e se apresente para o povo como democrático.

O atual regime, de usurpação e espoliação do tra-
balho e da natureza, busca através do sufrágio universal sua
legitimidade. A adesão de suas vítimas – cidadãos (dimen-
são política) e trabalhadores (dimensão econômica), nos
mecanismos do Estado, chancela o que este mesmo repre-
senta: a tomada de posse do Poder pela classe dominante.
Já dizia Sebastien Faure “O Estado é o guardião das fortunas
adquiridas; é o defensor dos privilégios usurpados; ele é a
muralha que se ergue entre a minoria governante e a multi-
dão governada; é o dique alto e largo que põe um punhado
de milionários ao abrigo dos assaltos que lhe lança a tor-
rente agitada dos espoliados.”

Está aberta a caçada! Candidatos disputam com
propostas, personalismo, estratégias de marketing, cada
eleitor, ou melhor: cada voto. Pois basta olhar para o espe-
táculo marcado por drama, comédia, farsa, do trágico ao
sentimental, para perceber sua obsessão pelo voto. E ain-
da proclamam que votar é realizar um dever sagrado. Mas
sejamos justos: em alguns partidos que fazem parte desse
jogo, impregnado de podridão, existem homens e mulheres
honestos(as), que procuram de fato ajudar as suas comuni-
dades ou os movimentos sociais que pensam representar.
No entanto, além de somarem uma reduzidíssima quanti-
dade, encontram-se perdidos no meio de tanta corrupção e
falsos acordos e, se não acabarem incorporados ao esquema
fétido, estarão reduzidos à impotência.

O período eleitoral, no lugar de representar um
período democrático e de participação popular, representa
de fato um pequeno período onde entregamos nosso poder
de fazer política, de discutir as questões da cidade, do esta-
do ou da nação e de decidir sobre elas, àqueles que se apre-
sentam como políticos profissionais. Permitimos que eles
decidam nossas vidas por nós, decidam sobre as creches, os
hospitais, as escolas, sobre nossos salários, sobre o preço
da nossa comida, nos roubem através de impostos e nos
façam sustentá-los em seus palácios cheios de privilégios
concedidos por nós.

Afinal, já dizia Elisée Reclus, geógrafo francês: “vo-
tar significa abrir mão do próprio poder. Eleger um senhor,
ou muitos senhores, seja por longo ou curto prazo, significa
entregar a uma outra pessoa a própria liberdade” . Critican-
do radicalmente o modelo atual de representatividade, vo-
tar é legitimar as origens do Estado, é fortalecer seu poder,
ser cúmplice de seus crimes. É delegar nosso poder de de-
cisão a outros.

O sistema de eleição reflete um absurdo: acreditar
que alguém possa emitir opinião e legislar sobre todas as
questões: saúde, agricultura, transporte, comércio, indús-
tria, educação, guerra, moradia, etc., e até mesmo sobre seu
próprio salário (??!!). Permite que o banditismo e a cor-
rupção façam parte do dia-a-dia da administração do bem
público.

Não acreditar no jogo das eleições é apenas um
passo que podemos dar, porém, para que ele seja efetivo de
fato, devemos ir além e participar da vida política da cidade,
de nossos bairros, de nossas escolas, hospitais, creches.
Precisamos nos organizar, entre nossos pares e ir às ruas
quando aumentam a tarifa de ônibus, o preço do pão, quan-
do fecham nossas escolas, quando precisamos de mais hos-
pitais, quando privatizam a saúde, a educação, etc.

Precisamos dar uma lição nesses políticos e esta
lição vem das ruas, como demonstraram recentemente
vários companheiros trabalhadores de outros países: na
Argentina, após a era Menem, os panelaços derrubaram
5 presidentes em 2 semanas; na Bolívia, o povo enfrentou
a privatização da água; no Equador, também foram desti-
tuídos presidentes; mais recentemente, os povos árabes
demonstraram sua capacidade de luta contra os velhos
ditadores que, por anos exploravam o povo. Nos anos de
2004 e 2005, em Florianópolis, fomos às ruas e logramos a
redução daquela tarifa que a prefeitura tentou impor. Isso
é fazer política além do voto! A capacidade de mobilização
popular gera uma força social que, se não contida pelos po-
deres reacionários do Estado, pode causar sérios danos à
estrutura de dominação e exploração.

Nosso poder está nas ruas, nosso poder é popular.
Enquanto uns votam com os de cima, nós escolhemos lu-
tar com os de baixo, o povo, aqueles que vivem sustentando
essa injusta pirâmide social que representa a nossa socie-
dade desigual e desumana.

Viva o Poder Popular!
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