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(pt) Portugal, Boletim do Colectivo Libertário de Évora - Acção Directa #3 - p1

Date Sun, 10 Feb 2013 11:38:13 +0200


Évora 2013 ---- David acabou este ano o curso superior na Universidade. Ouviu falar do
“Impulso Jovem”. Foi-se inscrever no Centro de Emprego. ---- Ali soube que era a ele que competia arranjar trabalho. Ficou na mesma. Sem contactos no mundo laboral, a informação de pouco o serviu. -- Desde Setembro nunca mais lhe disseram nada. Nem vale a pena: já está em Inglaterra. -- A Maria acabou agora o subsídio de desemprego. -- Continua sem trabalho. Dizem-lhe que não tem direito ao subsídio social de reinserção. O marido está também desempregado. Correm o risco de ficar sem a casa. -- Maria diz que lhe pode acontecer tudo, mas que não vai deixar a filha passar fome. Na cidade todos os dias são
mais as placas de “vendese”. Muitas lojas começaram já a fechar. Sinal dos tempos: está um PSP, fardado e armado, a guardar uma loja de compra de ouro.

Pelos vistos, um negócio que vai de
“vento em popa”! Outro
sinal: por toda a cidade vê-
se gente a remexer nos cai-
xotes de lixo, à procura de
algo que lhes possa matar a
fome e tirar o frio do corpo.
“Retratos” de uma cidade e
de um país à beira da asfixia
económica e social. Por mais
Embraers que abram, com a
sua meia centena de traba-
lhadores, é difícil esconder
debaixo do tapete o desastre
social e económico que todos
os dias se agrava na região.
A.

São os próprios números oficiais que o indicam

Austeridade mata a economia

A meio do mês de Ja-
neiro o Banco de Portu-
gal veio confirmar o
que todos já sabíamos:
a recessão vai-se agra-
var. Segundo o Banco a
recessão em 2013 qua-
se vai atingir os 2%, o
dobro do que o governo
previa. A economia
está parada e o desem-
prego e a precariedade
rondam os 2 milhões de portugue-
ses. Os cortes sociais e laborais, a
destruição da economia e do sec-
tor produtivo (que teve em Cava-
co Silva um dos principais arau-
tos) estão a conduzir, mais uma
vez, os portugueses para a misé-
ria e para a indigência, lembrando
os tempos do fascismo. As orga-
nizações que se dizem dos traba-
lhadores limitam-se a esboçar,
num faz de conta repetido, gestos
de inutilidade, na maior parte dos
casos. A única alternativa que
oferecem é mais do mesmo: subs-
tituir este por outro governo. Pe-
rante este cenário, não pode haver
dois caminhos. Há apenas um: o
da construção de um espaço com-
bativo, consequente, saído das
ruas, das fábricas, das empresas,
dos bairros, agregador, que inclua
todos os que queiram participar e
que defina um programa de luta e
combate efectivo, autónomo e
autogestionado, de forma a alterar
as políticas restritivas da actual
maioria, e que tenha como objec-
tivo não a armadilha reivindicati-
va de mudança de governo – com
que sempre nos enganam, dizendo
que um é melhor do que outro,
quando todos são a mesma trampa
– , mas sim de mudança completa
de paradigma social.

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Nós
Entre os vários projectos
que o Colectivo Libertário
de Évora tem para este
ano de 2013 destacam-se:
- dar continuidade à edição
do Boletim Acçâo Directa,
dentro da regularidade
possível;
- promover mensalmente
uma sessão de cinema ou
de debate sobre temas
alternativos e/ou da actua-
lidade (este mês teremos já
em data a anunciar a pas-
sagem do filme argentino
“El Trueque”, com debate
sobre o sistema de troca);
- realizar quinzenalmente
reuniões abertas, num
espaço próprio (o que
deverá acontecer em bre-
ve), permitindo que mais
pessoas apareçam e cola-
borem nas iniciativas do
Colectivo;
- preparar a realização de
uma Semana Libertária em
Évora - antes ou depois do
verão -, num espaço públi-
co e associativo
(preferencialmente uma
colectividade), que consta-
rá de debates, música,
filmes, exposição sobre o
movimento libertário, feira
do livro, etc.;
-participação em movi-
mentos sociais e laborais,
de protesto e indignação,
que venham a ter lugar
durante 2013, dando espe-
cial importância aos movi-
mentos de cariz assemble-
ario, não partidários e de
base.
-no âmbito específico do
movimento libertário,
contribuir para a constitui-
ção de uma rede entre os
grupos e os colectivos hoje
existentes que permita a
entreajuda e a definição de
objectivos em comum.
CLE
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Última hora: Kemet anula despedimento colectivo

Os 154 trabalhadores da Kemet Electronics de Évora, ameaçados de
despedimento colectivo (metade do efectivo da fábrica), foram avisa-
dos pela empresa de que o processo “estava anulado” e que já não iria
para a frente. Os trabalhadores tinham nova greve agendada para os
dias 17 e 18. A empresa pretendia deslocalizar parte da produção para
o México. Mais uma prova de que quem luta pode ganhar ou perder.
Quem não luta perde sempre!
Pag. 3

Nesta edição:
David Graeber:
Uma nova voz
anarquista
e militante
Pág.4

Nos 79 anos
do 18 de Janeiro
evocamos Mário
Castelhano
Pág.7
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