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(pt) Anarkismo.net: The Economist e a política monetária do Brasil by Bruno Lima Rocha
Date
Wed, 23 Jan 2013 10:16:33 +0200
The Economist é a voz oficiosa do capital financeiro e da lógica rentista em escala
mundial. ---- A pilhéria, feita pelo jornal inglês Financial Times (24/12/2012) a respeito
da gestão de Mantega, é uma conseqüência da primeira crítica oriunda de outra mídia
econômica vinda da Europa quase falida. ---- A edição impressa de 6 de dezembro do
semanário inglês The Economist recomendava a demissão do ministro da Fazenda brasileira e
classificava nossa economia como “moribunda criatura”. Para além do conteúdo pontual da
matéria e seus efeitos nos círculos de opinião no Brasil, o texto reflete uma posição
generalizada nos circuitos financeiros. A “respeitável” publicação inglesa afirma com
todas as letras. "The Central Bank may be tempted to react to the latest figures with
another interest-rate cut. That would be a mistake". Estão criticando Dilma por seus
poucos acertos em política monetária.
Tal análise vai ao encontro dos interesses de seu público-alvo. Ao diminuir o retorno nas
aplicações de curto prazo, os especuladores criticam a diminuição progressiva da taxa
Selic. Isto implica em reduzir suas próprias margens de lucros. Para interpretar as razões
deste ataque um pouco de teoria ajuda.
O economista francês François Chesnais afirmou que a migração de massas de capital em
busca de valorização financeira deveu-se as dificuldades dos conglomerados empresariais em
conseguir uma “razoável” margem de lucro na esfera produtiva a partir da década de 1970.
Por exemplo, as taxas de lucro que atingem mais de 20% no início dos anos ’60, caíram
cerca de 12% em 1982 e 1983. Vamos além com este autor; a lógica rentista desta forma de
acumulação provoca sangrias na esfera produtiva, e neste mecanismo gerado inclusive na
base de fraudes, consiste a mãe de todas as “crises”.
Assim a rentabilidade dos detentores de capital fictício é, proporcionalmente, oposta aos
direitos sociais e o poder de compra da massa salarial. Acrescento a premissa da
impossibilidade de existir equívoco quando os agentes econômicos estratégicos são dotados
de informação perfeita.
O chamado comportamento de manada (insuflado por textos como os aqui criticados) decorre
também do tráfego de informação. Estes rebatem dentro do aparelho de Estado - e dos
organismos multilaterais – em função do mimetismo entre os ocupantes de postos-chave nos
órgãos de autoridade monetária, bancos públicos e ministérios de Economia e Planejamento.
Quando o tomador de decisão não cumpre à risca o receituário publicado a favor de
banqueiros e especuladores, torna-se alvo das baterias de desinformação midiática globalizada.
Bruno Lima Rocha
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