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(pt) Portugal, Acção Directa #2 Dez. 2012, Boletim Informativo do Colectivo Libertário de Évora (en)

Date Sun, 20 Jan 2013 15:31:18 +0200


Com a crise e a austeridade ---- Acentua-se o roubo a quem trabalha ---- A marca principal do capitalismo é a apropriação individual e privada, por parte dos patrões e das empresas, das mais-valias do trabalho gerado de forma colectiva. Ao longo do último século e meio, através das suas organizações de classe, muitas delas de inspiração anarquista e anarco-sindicalista, os trabalhadores conseguiram impor melhores condições de trabalho, de segurança, de salários e de protecção social. É aquilo a que, para enganar pacóvios, a classe possidente chama de “Estado Social”. Mas, na verdade, nada disso tem a ver com o “Estado” e muito menos com qualquer “Estado Social” (em que os dois termos se contradizem).

Tem antes a ver com a luta e com as conquistas de milhões de trabalhadores em todo o mundo que, ao longo de gerações, organizados e unidos, conseguiram obter melhores condições de trabalho e melhores salários, à revelia do chamado “capitalismo selvagem” que imperava no início do período industrial e que hoje ainda é preponderante em quase toda a Ásia, África e América Latina. Com melhores salários puderam pagar mais impostos para subsidiar sistemas como a saúde, o ensino, a protecção social (desemprego, reformas, etc.).

Na Europa e na América do Norte, onde os
movimentos operários e sociais tiveram
maior relevo e conseguiram obter maiores
vantagens para os trabalhadores, os tempos
hoje são, no entanto, de recuo. De
recuo nos direitos sociais, nos salários,
nos horários e nas condições de trabalho.
A “crise” está dar um jeitão aos principais
grupos económicos e empresariais
que, mesmo num mercado em retracção,
continuam a acumular lucros fabulosos.
As maiores fortunas continuam a crescer e
o fosso entre os mais ricos e os mais pobres,
em toda a Europa e América do Norte,
não pára de aumentar.

Em Portugal, a estratégia de empobrecimento
levada a cabo pelo actual Governo
vista transformar os trabalhadores em mão
de obra cada vez mais barata, trabalhando
mais horas e cada vez com menos direitos e
menos acesso à saúde, à educação, à
habitação.

A pretexto da “crise “acentua-se a transferência
de riqueza e de direitos de quem
trabalha para os bolsos dos capitalistas, dos
banqueiros e dos empresários, numa autênti-
ca contra-revolução revanchista, face à qual
os sindicatos maioritários são complacentes.
tentando que o descontentamento popular
seja canalizado para a luta políticopartidária
(de que são fiéis serventuários) e
não desenvolvendo um projecto autónomo
de luta, de resistência e de confronto pela
manutenção e ampliação dos direitos dos
trabalhadores.

Num altura em que fecham dezenas de empresas
e em que milhares de trabalhadores
estão a ser despedidos é urgente construir
uma alternativa sindical revolucionária,
anarco-sindicalista, que traga para o debate
e para a prática quotidiana questões tão
relevantes como a autogestão ou a acção directa.
Que volte a colocar a revolução social na
ordem do dia e que faça os novos/velhos
arautos do capitalismo entenderem que o
sistema capitalista não é, definitivamente, o
fim da história e que outro mundo é possível.

"A anarquia é a mais alta expressão da ordem"- Eliseu Reclus

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