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(pt) Portugal, Acção Directa* #1 - p8 - Colectivo Libertário de Évora - Manifesto (en)
Date
Sat, 19 Jan 2013 13:08:14 +0200
Quem somos, o que queremos, como nos organizamos Um grupo de cidadãs e de cidadãos, homens
e mulheres, reunidos em Évora decidiu constituir-se em colectivo de reflexão e de acção
como resposta à constante violação e limitação dos seus direitos e liberdades individuais
e colectivas, bem como à constante diminuição da qualidade de vida e de perspectivas de
futuro que a maioria dos trabalhadores, estudantes, desempregados, reformados ou
simplesmente desocupados hoje enfrentamos. ---- Face à crise generalizada do capitalismo,
e depois de morto o modelo das “democracias populares”, que mais não foi do que uma outra
forma do capitalismo sobreviver ancorado na ideologia do Estado todo poderoso, é preciso
reencontrar alternativas que, aliás, estiveram desde sempre na prática e na teoria dos
sectores mais interventivos do movimento social e operário em todo o mundo.
As experiências autogestionárias, de
acção directa, baseadas nas assembleias
de base, com o mínimo possível
de delegação de poderes, assentes
no livre pensamento e na absoluta
liberdade de organização,
preferencialmente em rede e a partir da
base, mantêm todo o seu carácter de
inovação e de radicalidade.
É preciso voltar a colocar sobre a
mesa questões como o poder e as
relações de poder; o Estado; o salariato;
a luta de classes. Reenquadrar
a ecologia no contexto global da
espécie humana e não apenas em
termos de ambiente. Debater a violência
e o pacifismo. Perceber como
se pode passar de uma sociedade totalitária,
onde o poder político e económico
agem apenas em função do lucro e não
da satisfação das necessidades do
conjunto da humanidade, para uma sociedade
assente na fruição e na utilização da
imensa capacidade tecnológica hoje existente
de modo a acabar com o fosso entre
rico e pobres, entre fartos e esfomeados,
entre os que têm acesso à generalidade
dos bens de consumo e os que deles estão
excluídos, entre os que detém o poder e
aqueles que são totalmente despossuídos
de qualquer grau de influência.
É preciso pensar e perceber o que são os
chamados índices de felicidade ou de
conforto e de que maneira, cada ser humano,
enquanto tal, pode e deve participar,
no chamado “banquete da vida”, de
que hoje muitos milhões de seres humanos
são, logo à nascença, postos à margem.
Queremos perceber também ao detalhe
esta sociedade em que nos integramos.
Alentejanos e eborenses consideramos
ter muitas palavras a dizer no contexto
local, fora dos confrontos da política
partidária, onde a natureza dos interesses
em jogo é quase sempre idêntica e pouco
transformadora. Partindo desta nossa
realidade sabemo-nos e sentimo-nos
cidadãos do mundo, cosmopolitas, e
queremos trazer também até ao espaço
que habitamos novas experiências, outras
ideias, formas diferentes de sonhar o
futuro.
Não nos resignamos ao cardápio das
ideias feitas, prontas a consumir, no
“self-service” partidário. Fiéis à velha
máxima da velha Associação Internacional
de Trabalhadores de que a emancipação
dos trabalhadores será obra dos
próprios trabalhadores ou não o será,
consideramos que todos, organizados e
intervenientes, temos uma palavra a dizer na
condução das nossas vidas e na construção
de espaços de encontro e de ruptura
com a apatia social e o imobilismo
político que parecem caracterizar os dias que
correm.
É contra isso que nos batemos e é contra
isso que nos vamos bater. A favor de
uma vida que valha, de facto, a pena
viver. E não a sobrevida que o capitalismo
(nas suas mais variadas formas) nos
tem para oferecer.
Por tudo isto, prometemos não ficar
parados e rasgar novas janelas na imensa
planície das ideias e das práticas e
convidamos quem esteja de acordo e solidário
com este manifesto a juntar a sua à nossa
voz.
Évora, Outubro de 2012
“Só serei verdadeiramente livre quando todos os seres humanos que me cercam, homens e
mulheres, forem igualmente livres, de modo que quanto mais numerosos forem os homens
livres que me rodeiam e quanto mais profunda e maior for a sua liberdade, tanto mais
vasta, mais profunda e maior será a minha liberdade.”— Mikail Bakunin
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