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(pt) Anarkismo.net: A-Info #16 - Impressões
Date
Sat, 19 Jan 2013 13:07:08 +0200
De tempos em tempos, a necessidade de
escrever algo que possa ter algum significado
mais amplo se torna mais forte e tenho que
escrever. O problema é que ao deparar com o
fundo branco que solicita as tais letras, nada
sai, nada e isso me exaspera de tal forma que
abandono a iniciativa, mas fica a sensação que
devo escrever, de quem precisa de ar e não
consegue obtê-lo, sendo sufocado pela falta do
essencial.
Aos poucos procuro em vão uma inspiração
que me leve a escrever páginas e páginas. Mas
fica sempre a sensação de vazio. Busco então a
inspiração nos livros.
Oh! Que grande decepção é ir aos livros
buscar inspiração. Com eles, a sensação de que,
além de escrever, tenho que ler, e em muitos
casos, são vazias histórias de imaginações
idênticas e padronizadas, usando uma
codificação que será obsoleta em poucos
milênios. Aquilo que agora é o mais profundo e
avançado, não passa daqui a pouco de mais um
punhado de letras mortas e enterradas em seus
sarcófagos de celulose. Mas tal como um rei
egípcio a espera da vida pós-morte, aqueles
códigos aguardam sua ressurreição.
Mas a forma de voltarem a vida é tornarem-
se significados diferentes do que foram ao
serem impressos e mesmo o autor de tais
combinações, ao repassar as linhas, já não as
conhece.
Quem se transformou? O olhar de quem lê
ou os códigos impressos. Podemos imaginar que
códigos não se transformam, são imutáveis, são
perenes, são eternos (até que uma traça
qualquer a transforme em sua refeição) e
trancafiam em sua estrutura uma fórmula de
compreensão que é sua razão de existir e
permanecer o que é. Mas então por que a
sensação de que se transformam, que guardam
mais de um significado? Não seria apenas uma
ilusão de ótica, em que a pluralidade de
interpretação está não na codificação impressa,
mas em que a interpreta. Um parecer óbvio,
mas que se nós o levamos a sério temos uma
terrível constatação, que onde tenha algo
impregnado de impressão humana, não é senão
uma marca particular e que isso leva a uma
gradiente busca de um suposto significado
único, o que é não acontecerá. As impressões
geram impressões, que geram impressões num
continuum indeterminado.
É necessário imprimir coisas?
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