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(pt) Brazil, (((A)))Infos Orgãno De Expressão Anarquista #16 - ANTICLERICAL & CIA (en)

Date Fri, 18 Jan 2013 16:08:26 +0200


Sobre deuses que criam almas e/ou que cuidam do seu destino após a morte dos indivíduos --Esses deuses não existem porque almas não existem. Na época em que foram escritos a bíblia e o corão, por exemplo, virtualmente nada se sabia sobre o universo. Acreditava-se que a Terra era o centro do universo, que todas as formas de vida haviam sido criadas simultaneamente em suas formas atuais em um passado recente, e que a matéria vida se distingue pela presença de uma certa "força vital", cuja fonte era usualmente associada a uma ou mais divindades. Isso fica bem claro na mitologia cristã sobre o surgimento do homem, que usa expressões como "fôlego da vida" ou "sopro da vida" para descrever o que teria sido insuflado nas narinas de Adão para transformá-lo de barro em homem.

O texto hebraico usa a palavra
ruah (respiração ou espírito), e o em grego utilizou-se (pnoen),
uma conjugação de (pneuma), que não por acaso é uma raiz que
ainda hoje utilizamos para nos referir a ar -- em português, inglês
e muitas outras línguas. Como se notava que a morte sempre
causava o fim da respiração, e vice-versa, imaginou-se que a
respiração era a própria essência da vida. Pneuma ainda hoje
significa espírito ou fantasma em grego.

Hoje em dia, qualquer criança que passe por uma boa escola
aprende já no ensino fundamental que a Terra não é o centro do
universo, que as formas de vida que conhecemos surgiram em
instantes diferentes ao longo de bilhões de anos, que há séculos se
sabe que a força vital não existe, e que nada há nos seres vivos
além dos elementos químicos que também estão presentes nos
compostos inorgânicos que formam o restante do universo, tais
como hidrogênio, carbono, oxigênio, nitrogênio, etc. Esse é
conhecimento corrente básico e consensual para o qual apontam
uma infinidade de evidências científicas acumuladas ao longo de
muitas décadas de experimentação. No entanto, infelizmente
vivemos uma epidemia de ignorância científica em que grande
parte da população desconheceos elementos mais básicos do
conhecimento disponível. Relativamente poucas pessoas
conseguem apontar corretamente a causa das estações ou o
tempo necessário para a Terra dar uma volta completa em torno
do Sol, por exemplo.

Muitas pessoas percebem que nosso cérebro é responsável pelo
que somos: nossa personalidade, nosso humor, nossas memórias,
nossos julgamentos morais, nossas inibições, nossos pensamentos
e decisões. Uma pancada na cabeça pode acabar com sua
memória. Um copo de álcool pode eliminar suas memórias e suas
inibições, e alterar radicalmente seu senso moral.
Antidepressivos alteram nosso humor. Doenças neurológicas
afetam nossa personalidade e a maneira de nos relacionarmos
com os outros. No entanto, essas pessoas não se dão conta de que
esses fatos são incompatíveis com a ideia de uma alma imaterial
ou transcendente que seria a fonte de nossa consciência. A alma
não pode ser responsável pela memória, pois álcool, sedativos e
pancadas na cabeça não poderiam atingir a alma. Pelo mesmo
motivo, a alma não pode ser responsável por nosso humor,
personalidade, consciência ou julgamentos morais. De fato, se
houvesse qualquer influência externa de uma alma comandando
o cérebro humano e seus processos, as faculdades de medicina
precisariam ensinar teologia dentro dos cursos de neurologia.
Mas não é o caso.

Em suma, até as pessoas minimamente bem informadas sobre
o funcionamento do corpo humano já possuem o conhecimento
necessário para perceber que toda nossa vida mental surge e se
processa em nosso sistema nervoso, e não em uma fonte externa a
ele, o que significa que almas não existem. É claro que isso não
significa que não existe nenhum deus, apenas que não existem
deuses que cuidam de almas. Por outro lado, esse fato dá um
golpe mortal no cristianismo e no islamismo, por exemplo, cuja
essência está nas ações necessárias para dar bom destino a essa
peça de ficção chamada alma ou espírito. Como não existem
almas, não existe nada a ser "salvo", nem céu, nem inferno,
tornando sem sentido toda a teologia do monoteísmo ocidental.
Bem poucas pessoas estariam dispostas a crer em qualquer
divindade nessas condições.

Do sitio eletrônico http://atea.com.br
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