A - I n f o s

a multi-lingual news service by, for, and about anarchists **
News in all languages
Last 30 posts (Homepage) Last two weeks' posts Our archives of old posts

The last 100 posts, according to language
Greek_ 中文 Chinese_ Castellano_ Catalan_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe_ The.Supplement

The First Few Lines of The Last 10 posts in:
Castellano_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe_
First few lines of all posts of last 24 hours

Links to indexes of first few lines of all posts of past 30 days | of 2002 | of 2003 | of 2004 | of 2005 | of 2006 | of 2007 | of 2008 | of 2009 | of 2010 | of 2011 | of 2012 | of 2013

Syndication Of A-Infos - including RDF - How to Syndicate A-Infos
Subscribe to the a-infos newsgroups

(pt) Brazil, Anarkio.net: Colônia Cecília A-Infos 16 (en)

Date Fri, 11 Jan 2013 09:42:26 +0200


A Colônia Cecília foi uma experiência anarquista do italiano Giovanni Rossi, no ano de 1890 no Estado de Paraná. ---- Giovanni Rossi foi membro da I Internacional (torna-se membro em 1873) e desde sua adesão, manteve acesso o projeto de formar uma colônia experimental baseada no princípios de autogestão de sua economia, política e liberdade plena aos participantes. Nos meios libertários sua iniciativa não foi bem vista e criticavam esse caráter de fuga da luta que a imagem de uma colônia fazia. ---- A Colônia Cecília não foi a primeira colônia coordenada por Rossi, anteriormente, na própria Itália, desenvolveu algumas, sendo a mais conhecida a da Cittadella, na aldeia de Stagno Lombardo (norte da Itália) e que é abandonada em 1889. Mas isso não tira de Rossi sua disposição para tal iniciativa.


Após a longa travessia de barco, os pioneiros italianos desembarcam no Brasil, Rio de Janeiro e mudam a decisão de irem para Porta Alegre. Irão para o Paraná, pelo acordo com o governo (ler mais abaixo a respeito). Nos primeiros dias de Abril, ele e seu companheiro Evangelista Benedetti, acampam na região que seria a Colônia, perto da cidade de Palmeira (18 Km).

Não há confirmação oficial de um tratado entre o Imperador e Giovanni Rossi a respeito de doação de terras, portanto é uma afirmação sem apoio histórico, o fato é que ele recebeu do recente governo republicano, a concessão de algumas terras com o acordo de que em 5 anos que as pagasse, transferindo assim a colônia o direito de posse, isso não aconteceu. Neste início, por perto de 16 pessoas, sendo apenas 1 mulher é que começam o trabalho da terra, “sem regulamentos nem chefes”.

Preparam o terreno e constroem alojamentos e depósitos de equipamentos e mantimentos, bem com cercados para os animais recém adquiridos. Tudo corre bem e no final de 1890, Rossi parte para Itália com o objetivo de obter mais voluntários para o projeto. Esses chegam em levas sucessivas, chegando aproximadamente à 200 pessoas em maio de 1891 (ver quadro populacional no livro). A estrutura da recente colônia não suporta o grande aumento, surgindo assim vários problemas consequentemente. Falta espaço nos alojamentos e há falta de alimentos. Em tal situação de emergência, formam um grupo de voluntários para trabalhar nas estradas do Governo. Outra alternativa usada foi a obtenção de crédito com os comerciantes, em Palmeira (lastreado no trabalho nas estradas). No entanto, a comunidade se mantém (produção de tijolo, aumento da horta, ampliação dos alojamentos etc).

No entanto, no aumento da população da colônia e seu estado de pobreza generalizado, gera nos participantes, muitos dos quais, não tinham nenhum contato com o movimento trabalhador internacional ou conhecia as vertentes do socialismo, competitividade e um egoísmo forte se instalam em muitos (a sobrevivência vence a cooperatividade no grupo). Neste meio, instala-se o modelo político parlamentar e a ditadura de algumas famílias, corrompendo os princípios libertários de autogestão e coletividade/liberdade social.

Com um ambiente totalmente desestruturado, muitas famílias retiram-se da colônia, indo para a Curitiba. Em junho de 1891, restavam na colônia, sete famílias em disputa. No mesmo mês, tento a frente sete jovens, reestruturam a colônia em moldes libertários (autogestão e liberdade plena). Esta forma dura uns 4 meses, tento na colônia umas 30 pessoas. Por este período Rossi retorna a colônia, pois ele é a ponte entre a colônia e o mundo proletário, escrevendo e apresentando a colônia ao mundo, convocando voluntários.
No fim de 1891 chega mais dois grupos de famílias, sendo que a população da colônia chega aproximadamente a 100 pessoas. Embora uma revigorada na comunidade, não se alivia muito a situação de competitividade e rivalidade, chegando mesmo a criar uma corporação informal de família (comparação de quem trabalha e quem não trabalha). Algumas famílias procuram se estabelecer independentemente da colônia. Como se verificava, a situação havia estagnado na colônia provocando um descontentamento e forçando a saída de muitos da colônia. Em abril 1892, o decréscimo populacional é muito grande, não há mais do que 40 pessoas na comunidade. Rossi solicita então a Cappellaro ir a Itália, para convocar novos voluntários para colônia.

Neste período, alguns ex-participantes (os Gattai estão no meio) da colônia são presos por roubo, contribuindo para uma má imagem da comunidade (até então era boa e regular nas redondezas da colônia). Após este incidente, observa-se um deterioramento nas relações sociais da colônia e a sociedade brasileira em sua volta, sendo que o governador do Paraná pede observação severa da colônia. A favor esta apenas a imprensa local, que procura desassociar a imagem de criminalidade dos ex-membros da colônia com a própria colônia, este apoio embora importante, é muito pequeno perto da campanha maciça contra a “famigerada colônia”.

No final de 1892, chega uma nova leva de famílias à colônia, subindo o número populacional para umas 80 pessoas. Os problemas anteriores, no entanto, se mantém, o autoritarismo de algumas famílias abafam o ardor libertário das novas famílias que chegam. Em 1893, há como houve anteriormente, saídas das famílias, descontentes com as condutas autoritárias de uns poucos. No período estima-se na colônia umas 50 pessoas. Após 3 anos de experiências da colônia, é apresentada a imprensa anarquista internacional um balanço geral da colônia. Rossi, sendo sincero, com sua perseverança diminuída, apresenta reflexões críticas sobre a colônia, destacando as heranças burguesas que não são abandonadas na comunidade (inveja, gula, autoritarismo, intolerância etc). No aspecto sexual, Rossi apresenta um caso de um triângulo amoroso consentido, por parte do marido, de sua esposa por um outro. O ciúme e a dificuldade de lidar com situação são apresentados por Rossi. A falta de companheiras na colônia é um aspecto negativo que faz a moral cair. A idéia de amor livre (entende-se poligamia feminina) não é bem aceita no meio da comunidade, os conceitos conservadores e tradicionais ainda estão muito presentes nos habitantes da colônia.

O fim da colônia esta marcada por dois fatores: A Revolução Federalista de 1893 (Maragatos e Picapaus). Os primeiros são federalistas, descentralização e autonomia dos Estados enquanto os segundos, republicanos, querem um governo forte e central. Os colonos cecilianos aderem aos Maragatos. Tal adesão à causa federalista promove uma retaliação do governo central brasileiro, confiscando e vendendo as terras da colônia. O apoio não é pela causa, mas pela atitude autoritária do governo (representantes do governo exigem pagamento de impostos e quebram instrumentos de trabalho e alojamentos da colônia).
Não há um fator especifico para o fim da colônia, mas vários que se destacaram ao longo de sua jornada, sendo que a data última da colônia seria em abril de 1894, quando as últimas famílias saem da colônia e se dispersam pelo país.
________
Este texto foi produzido em 1998 para o Círculo de Estudos Dona Tina
_________________________________________
A - I n f o s Uma Agencia De Noticias
De, Por e Para Anarquistas
Send news reports to A-infos-pt mailing list
A-infos-pt@ainfos.ca
Subscribe/Unsubscribe http://ainfos.ca/cgi-bin/mailman/listinfo/a-infos-pt
Archive http://ainfos.ca/pt


A-Infos Information Center