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(pt) Grupo de Estudos e Formação Política Anarquista – Barra do Garças/MT - Curso III Ideologia, Teoria e Anarquismo - Organização Anarquista Especifista de Mato Grosso

Date Tue, 25 Dec 2012 11:02:08 +0200


11 DE DEZEMBRO DE 2012 DEIXE UM COMENTÁRIO ---- Olá pessoal, estamos já nos preparando para o segundo encontro do Grupo de Estudos e Formação Política Anarquista. Esse segundo curso estaremos discutindo o curso 3 do módulo I. ---- Mais uma vez estamos contando com a participação das pessoas interessadas em conhecer mais sobre o Anarquismo. ---- Um forte abraço! ---- Link para pegar o material: http://rusgalibertaria.files.wordpress.com/2012/11/modulo_01.pdf ---- Link do Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/435656836489733/ ---- Email da Rusga Libertária: rusgalibertariafao@riseup.net ---- Não tá morto quem peleia! ---- PROGRAMA DE FORMAÇÃO ---- Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL) ---- Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) ---- MODULO I ---- IDEOLOGIA ANARQUISTA ---- Curso 1: O que é Anarquismo ---- - Nicolas Walter. “O que é Anarquismo”. ---- - Errico Malatesta: “Anarquia e Anarquismo”.

Curso 2: Anarquismo Social
- FARJ. “Anarquismo Social”.
- Murray Bookchin. “Anarquismo Social ou Anarquismo de Estilo de Vida – Excertos”.
- Frank Mintz. “Anarquismo Social – Excertos”.

Curso 3: Ideologia, Teoria e Anarquismo

- FAU. “Huerta Grande”.
- FAU. “O que é Ideologia?”

CURSO 3
IDEOLOGIA, TEORIA E ANARQUISMO

HUERTA GRANDE

A IMPORTÂNCIA DA TEORIA

Federação Anarquista Uruguaia (FAU)

Para entender o que acontece(a conjuntura) é preciso poder pensar corretamente. Pensar
corretamente significa ordenar e tratar adequadamente os dados que se produzem, em quantidade, sobre a realidade.
Pensar corretamente é a condição indispensável para analisar corretamente o que acontece em um país em um momento dado da História desse país ou de qualquer outro. Isso exige instrumentos.
Esses instrumentos são os conceitos. Para pensar com coerência é necessário um conjunto de
conceitos coerentemente articulados entre si. Se exige um sistema de conceitos, uma teoria.
Sem teoria se corre o risco de pensar cada problema só em particular, isoladamente, a partir de pontos de vista que podem ser diferentes em cada caso. Ou em base a subjetividades, palpites, aparências, etc.
O partido pode evitar graves erros porque pensou a si mesmo a partir de conceitos que têm um grau importante de coerência. Também cometeu erros graves por um insuficiente desenvolvimento de seu pensamento teórico enquanto Organização.
Para propor um programa é preciso conhecer a realidade econômica, política, ideológica de nosso país. O mesmo vale para se formular uma linha política suficientemente clara e concreta. Se conhece-se pouco e mal não haverá programa e só poderá haver uma linha muito geral, muito difícil de concretizar em cada lugar em que o partido trabalhe. Se não há uma linha clara e concreta não há política eficaz. A vontade política do partido corre então o risco de diluir-se. O "voluntarismo" se converte em fazer com boa vontade o que vai aparecendo. Mas não se incide de modo determinado sobre os acontecimentos, na base de sua previsão aproximada. Se é determinado por eles e perante eles se atua espontaneamente.
Sem linha para o trabalho teórico, uma Organização, por maior que seja, é confundida por
condições que ela não condiciona nem compreende. A linha política pressupõe um programa, ou seja, as metas que se quer alcançar em cada etapa. O programa indica que forças são favoráveis, quais são os inimigos e quem são os aliados circunstanciais. Mas para saber isso é preciso conhecer profundamente a realidade do país. Por isso, adquirir agora esse conhecimento é a tarefa prioritária.

E para conhecer é preciso teoria.

O partido necessita de um esquema claro para poder pensar coerentemente o país e a região
(América Latina) e as lutas do movimento operário internacional através da História. Precisamos ter um cabedal eficaz para ordenar a massa crescente de dados referentes à nossa realidade econômica, política e ideológica. Precisamos ter um método para tratar esses dados. Para ver quais são os mais importantes, quais se precisa primeiro e quais depois. Para poder assim administrar corretamente nossas forças disponíveis para cada frente de trabalho. Um esquema conceitual que permita vincular umas coisas com outras, seguindo uma ordem sistemática, coerente e que nos sirva para o que queremos fazer como militância de partido. Que nos aproxime exemplos de como trabalhar com esses outros esquemas conceituais que atuam em outras realidades.
Mas este trabalho de conhecer nosso país teremos que fazer nós mesmos, porque ninguém vai fazer por nós.
Não iremos inventar esquemas teóricos a partir do zero. Não vamos criar uma nova teoria em todos os seus termos. E é assim por causa do atraso geral do nosso meio e suas instituições especializadas e nossa escassa disponibilidade para empreender essa tarefa.
Teremos, então, que tomar a teoria conforme vamos elaborando, analisando-a criticamente. Não podemos aceitar qualquer teoria de olhos fechados, sem crítica, como se fosse um dogma.
Queremos estudar e pensar o país e a região como revolucionários. Então, entre os elementos que incluem as diferentes tendências da corrente socialista, tomaremos sempre os elementos que melhor nos sirvam para isso: para pensar e analisar de forma revolucionária o país, a região ou outras regiões e experiências.
Não iremos adotar uma teoria para pô-la em um "cartazinho de moda". Para viver repetindo
"citações" que outros disseram em outros lugares, em outro tempo, a propósito de outras citações e problemas. A teoria não é para isso. Para isso a usam os charlatães.
A teoria é um instrumento, uma ferramenta, serve para fazer um trabalho, serve para produzir o conhecimento que necessitamos produzir. A primeira coisa que nos interessa conhecer é o nosso país.Se não nos serve para produzir novos conhecimentos úteis para a prática política, a teoria não serve para nada, se converte em mero tema de palestra improdutiva, de estéril polêmica ideologizante.
Quem compra um grande torno moderno e, ao invés de tornear fica falando do torno, faz um mal papel, é um charlatão. Da mesma forma aquele que, podendo ter um torno e usá-lo, prefere tornear à mão, porque era assim que se fazia antes...

ALGUMAS DIFERENÇAS ENTRE TEORIA E IDEOLOGIA

Cabe aqui pontuar algumas diferenças entre o que habitualmente se chama teoria e ideologia.
A teoria aponta para a elaboração de instrumentos conceituais para pensar rigorosamente e conhecer profundamente a realidade concreta. É neste sentido que se pode falar da teoria como equivalente à ciência.
A ideologia, em troca, é composta de elementos de natureza não científica, que contribuem para dinamizar a ação, motivando-a, baseada em circunstâncias que, ainda que tendo relação com as condições objetivas, não derivam dela, no sentido estrito. A ideologia está condicionada pelas condições objetivas, ainda que não seja determinada mecanicamente por elas.
A análise profunda e rigorosa de uma situação concreta, em seus termos reais, rigorosos, objetivos, será assim uma análise teórica de caráter o mais científico possível. A expressão de motivações, a proposta de objetivos, de aspirações, de metas ideais, isso pertence ao campo da ideologia.
A teoria torna precisa, circunstancializa as condicionantes da ação política: a ideologia motiva-a e a impulsiona, configurando-a em suas metas "ideais" e seu estilo.
Entre teoria e ideologia existe uma vínculação estreito, já que as propostas destas se confundem e se apoiam nas conclusões da análise teórica. Uma ideologia será tanto mais eficaz como motor da ação política, quanto mais firmemente se apoie nas aquisições da teoria.

OS ALCANCES DO TRABALHO TEÓRICO

O trabalho teórico é sempre um trabalho que se sustenta e se baseia nos processos reais, no que acontece na realidade histórica. Sem dúvida, como trabalho, se situa inteiramente no campo do pensamento: não há conceitos que sejam mais reais que outros.
A respeito disso cabe pontuar duas proposições básicas:
1 - A distinção entre a realidade existente, concreta, os processos reais, históricos e por ouro lado os processos do pensamento, apontados ao conhecimento e compreensão daquela realidade. É necessário, para dizer em outros termos, afirmar a diferença entre o ser e o pensamento, entre a realidade tal como é e o conhecimento que sobre ela se pode ter.
2 - A primazia do ser sobre o pensamento, da realidade sobre o conhecimento. Dito de outra
maneira, é mais importante, pesa mais como determinante do curso dos acontecimentos o que se passa na realidade, do que o que sobre esses fatos se possa pensar ou conhecer.
A partir destas afirmações básicas, cabe realizar certos apontamentos para precisar os alcances do trabalho teórico, ou seja, o esforço do conhecimento guiado por propósitos de conhecimento rigoroso, científico.
O trabalho teórico é sempre realizado a partir de uma matéria prima determinada. Não parte do real concreto, da realidade propriamente dita, senão que parte de informações, de dados e noções sobre esta realidade. Este material primário é tratado, no processo de trabalho teórico, por meio de certos conceitos úteis, de certos instrumentos do pensamento. O produto deste tratamento é o conhecimento.
Dito em outros termos: só existem, propriamente falando, objetos reais, concretos e singulares (situações históricas determinadas, em momentos determinados). O processo do pensamento teórico tem por fim conhecê-los.
Às vezes o trabalho de conhecimento aponta para objetos abstratos, que não existem na realidade, que só existem no pensamento, mas que são instrumentos indispensáveis, condição prévia para poder conhecer os objetos reais (por exemplo o conceito de classe social, etc.). No processo de produção de conhecimento, portanto, se transforma a matéria prima (percepção superficial da realidade) em um produto (conhecimento rigoroso, científico, dela).
O termo "conhecimento científico" deve se tornar preciso no que diz respeito à realidade social.
Aplicado a esta realidade, alude à sua compreensão em termos rigorosos, o mais aproximado
possível da realidade tal como ela é.
Fica dito com isso que o processo de conhecimento da realidade social, como o de toda realidade objeto de estudo, é suscetível de um aprofundamento teórico infinito. Assim como a física, a química e outras ciências podem aprofundar infinitamente o conhecimento das realidades que constituem seus respectivos objetos de estudo, a ciência social pode aprofundar indefinidamente o conhecimento da realidade social. Por isso é inadequado esperar um conhecimento "acabado" da realidade social para começar a atuar sobre ela tratando de transformá-la. Não menos inadequado é tentar transformá-la sem conhecê-la a fundo.
O conhecimento rigoroso, científico, da realidade local, de nossa formação social, só se conquista trabalhando sobre informações, dados estatísticos, etc., por meio dos instrumentos conceituais mais abstratos que proporcionam e constituem a teoria, Através da prática teórica busca-se a produção desses instrumentos conceituais, cada vez mais precisos e mais concretos, que conduzam ao conhecimento da realidade específica de nosso meio.
Somente a partir de uma compreensão teórica adequada, ou seja, profunda e científica, podem desenvolver-se elementos ideológicos (aspirações, valores, ideais, etc.) que constituem os meios adequados para a transformação de tal realidade social com coerência de princípios e eficácia na prática política.

A PRÁTICA POLÍTICA E O CONHECIMENTO DA REALIDADE

Uma prática política eficaz exige, portanto, o conhecimento da realidade (teoria), a postulação harmônica com ela de valores objetivos de transformação (ideologia) e meios políticos concretos para conquistá-la (prática política). Os três elementos se fundem em uma unidade dialética que constitui um esforço pela transformação social que o partido postula.
Pergunta-se: devemos esperar um desenvolvimento teórico acabado para começar a atuar? Não. O desenvolvimento teórico não é um problema acadêmico, não parte do zero. Se fundamenta, se motiva e se desenvolve a partir da existência de valores ideológicos, de uma prática política. Mais ou menos corretos, mais ou menos errôneos, estes elementos existem historicamente antes que a teoria, e motivaram seu desenvolvimento.
A luta de classes existiu muito antes de sua conceituação teórica. A luta dos explorados não esperou a elaboração do trabalho teórico que desse razão para ela desencadear-se. Seu ser, sua existência, foi anterior ao seu conhecimento, à análise teórica de sua existência.
Por isso, a partir dessa comprovação básica é que surge como fundamental e prioritário a atuação, a prática política. Somente a partir dela, em sua existência concreta, nas condições comprovadas de seu desenvolvimento, pode chegar a elaborar-se um pensamento teórico útil. Que não seja uma gratuita acumulação de postulações abstratas com mais ou menos coerência e lógica interna, mas sem coerência com o desenvolvimento de processos reais. Para teorizar com eficácia é imprescindível atuar.
Podemos prescindir da teoria em nossas urgências práticas? Não. Pode existir, admitimos, uma prática política fundamentada somente em critérios ideológicos, ou seja, não fundamentada ou insuficientemente fundamentada em adequadas análises teóricas. Isso é o habitual em nosso meio.
Ninguém poderá sustentar que existe, em nossa realidade e ainda na região americana, uma análise teórica adequada; uma compreensão conceitual suficiente, menos ainda. Esta comprovação é extensiva, por outra parte, ao conjunto da realidade. A teoria é esboçada em uma etapa apenas inicial de desenvolvimento. Apesar disto, há muitos decênios se combate, se luta. Esta comprovação não deve conduzir ao desdém da importância fundamental do trabalho teórico.
À pergunta formulada antes cabe responder então: o prioritário é a prática, mas na condição de eficácia desta radica no conhecimento o mais rigoroso da realidade.
Em uma realidade como a nossa, com a formação social de nosso país, o desenvolvimento teórico tem que partir, como em todas as partes, de um conjunto de conceitos teóricos eficazes, operando sobre uma massa o mais ampla possível de dados, que se constitua a matéria prima da prática teórica.
Os dados por si só, tomados isoladamente, sem um tratamento conceitual adequado, não dão noção da realidade. Simplesmente adornam e dissimulam as ideologias a cujo serviço se funcionalizam aqueles dados.
Os conceitos abstratos, em si mesmos, sem se encaixar em uma base informativa adequada, não aportam tampouco ao conhecimento das realidades.
O trabalho no campo teórico que se desenvolve em nosso país, flutua habitualmente entre ambos extremos errôneos.

O QUE É IDEOLOGIA?

Federação Anarquista Uruguaia (FAU)

Todo atuar humano, em todas as vastas expressões de sua multiplicidade, pressupõe uma
fundamentação ideológica que o sustenta como pensamento e ação. A esta condição inexorável do fazer do homem, não escapa a formulação de qualquer linha política, nem o processamento da prática política concreta. Portanto, é preciso definir a ideologia, que por trás de cada ato humano situa-se e faz compreensível esta ação. Então, isso nos coloca frente à pergunta. O que é ideologia?
Expressando-nos em termos concretos, ainda que totalmente rigorosos, podemos assegurar que a ideologia é uma estrutura conceitual que considera, fundamentalmente, duas finalidades, que vamos referir no político. Por um lado, a ideologia indica um objetivo para a prática política, propõe um modelo social a ser alcançado. Ou seja, que tem um propósito finalista. Não é possível conceber uma prática política revolucionária sem a formulação de uma finalidade. Assim, a ideologia forma parte organicamente, enquanto tal, de toda totalidade social.
Todo movimento que pretende transformar o mundo propõe um objetivo a alcançar, que implica em um modelo social de caráter ideal: uma utopia social, por assim dizer. Ainda aquelas teorias, como a marxista – insistiram que a prática política deve fundamentar-se em um estudo detalhado da realidade, na análise prevalente das chamadas condições objetivas ou reais – não deixam de formular um objetivo. E ainda quando o próprio Marx e seus seguidores procuraram determiná-lo em seus traços gerais, não deixam de constituir um modelo ideal expressado em termos abstratos e, portanto, de caráter utópico.
Podemos afirmar que o socialismo formula como objetivos traços utópicos, na medida em que a sociedade comunista do futuro só pode ser prevista em seus traços mais essenciais e gerais, naquilo que diz respeito a suas características. Contudo, não deixam de ser formulados como objetivos. E o que é mais importante, esta formulação como objetivo da sociedade comunista, condiciona o caráter do processo que as lutas deverão experimentar para seus ganhos. Em outros termos, quando tratamos do tipo de sociedade finalista para a qual nos inclinamos, implicitamente estamos condicionando os meios que vamos empregar para sua concretização. Ninguém pode determinar, seriamente, como objetivo final, a construção de uma sociedade comunista e empregar para isso um método de ação ou uma prática política que sejam próprios do patrimônio ideológico da burguesia.
Por outro lado, a ideologia cumpre com uma segunda finalidade essencial: proporcionar os
elementos conceituais que permitam pensar a realidade. Uma ideologia é um sistema de
representações, de imagens de idéias e de conceitos. E por que não dizer, que também integram este sistema os mitos. É muito importante não esquecer que o pensamento não é influenciado pelos conceitos e que estes são instrumentos tão concretos como qualquer outro. Assim como é necessário um martelo para pregar um prego, e ele deve ser fabricado, os conceitos são necessários para pensar, e eles devem ser produzidos. Precisamos de ferramentas conceituais para poder pensar.
A história do pensamento humano foi, e continua sendo, um processo de produção de instrumentos conceituais que vêm permitindo a possibilidade de conformar um pensamento científico. Por isso o trabalho dos teóricos socialistas foi inestimável, já que elaboraram e determinaram que fossem utilizados conceitos que permitiram compreender o funcionamento da sociedade capitalista, seus fundamentos, suas contradições, e prever qual será o decurso futuro da sociedade.
Os conceitos possuem uma existência e um papel histórico no seio de uma determinada sociedade.
Graças a eles, e por sua influência, é possível aprender a realidade, entendê-la e transformá-la. É vital, então, para a atividade política de qualquer organização revolucionária, não só formular um modelo social finalista em direção ao qual se deve caminhar, mas também conhecer, da maneira mais aprofundada possível, a realidade em que se atua e, com base nisso, realizar sua previsão de futuro. Carecer de alguns destes elementos é cair na grave contradição entre a prática política da organização e o processo histórico em que se atua. É incorrer em um erro que só pode ter como resultado a incoerência, a desintegração ou a contenção do fenômeno revolucionário. Erros deste tipo são: pensar que a realidade do Uruguai de hoje admite a possibilidade de voltar ao passado; supor que, por meio das instituições do sistema social vigente, é possível chegar à sua transformação, ou considerar que há possibilidade de desenvolvimento dentro das fronteiras capitalistas, que permita a superação das atuais dificuldades de caráter político e econômico-social.
A linha política e as formas organizativas da ação revolucionária devem resultar de uma análise da realidade e de uma previsão do futuro. Esta análise é processada por meio do pensamento e da ação em interação dialética. O sistema de representações e conceitos (que possui uma lógica e um rigor próprios), que investiga o porquê e o para quê da realidade social, é o que permite a revisão, e que, por sua vez, condiciona a ação política concreta.
Voltando a nossa primeira afirmação: não é possível pensar nem agir sem ideologia, não há conduta humana aideológica; a ideologia é pensamento e ação. De maneira esquemática, poderíamos dizer que a ideologia é uma estrutura ou sistema de conceitos que permite:
1. A formulação de um objetivo finalista (que deve ser explicado da maneira mais clara possível).
2. A apreensão ou compreensão definida da realidade em que se vive, por meio de sua análise profunda e exaustiva.
3. A previsão mais aproximada possível do futuro desta realidade, de sua transformação, tanto naquilo que seja espontâneo, quanto deliberado. Ou seja, em nosso caso, a ideologia não admite o caráter de espectador interessado e analítico das condições ou transformações espontâneas da realidade, mas nos obriga a pensar voluntariamente, voluntariosamente, no sentido de seu futuro...
* Retirado de Juan Mechoso. Acción Directa Anarquista: una historia de FAU. Montevideo:
Recortes, s/d, pp. 223-224.
* Tradução: Felipe Corrêa
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