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(pt) A LUTA DAS MULHERES CONTRA A OPRESSÃO Mulheres da FARJ (en)

Date Fri, 14 Dec 2012 18:50:15 +0200


“No início, quando Mujeres Libres organizou-se, eu não estava de acordo com elas porque
eu considerava que para ganhar a luta era preciso combater juntos, homem ao lado da
mulher. E como para mim isso me parecia natural, eu não via razão para uma organiza-
ção de mulheres. Em seguida houve o anúncio de uma organização de Mulheres livres. Fui
até lá, e ouvi três companheiros entrarem no local zombando de Mujeres Libres: “o que
essas mulheres vem fazer aqui? Fazem uma conferência? Porque elas se tomam?”. Isso
me tocou muito profundamente. Assim, quando a conferência terminou, revoltei-me contra
eles e à favor dos debates; manifestei todo o rancor que eu sentia contra os companheiros
que não nos consideravam senão como mães de família ou criadas.” ---- Sara Berenguer, militante de Mujeres Libres, em 1936 parte para o front

Que mulher nunca foi subestimada pelo simples fato de ser mulher? A herança
histórica de inferiorização permanece nos dias de hoje, refletindo a mulher como
o sexo frágil, menos capaz física e intelectualmente, motivada sempre emocional-
mente e privada de racionalização consistente. Mulher esta que é pintada por uma
sociedade que insiste, há tempos, em tomar o mais “fraco” como objeto-proprie-
dade. E tendo por base esta figura projetada da mulher - escrava de deveres morais,
submissa e dependente – hoje, elas ainda são alvo de violência psicológica, verbal e
mesmo física, entre outras.

No Brasil, cerca de 90% dos casos das agressões são cometidos por seus próprios
companheiros, ou ex-companheiros, e cerca de 10% por outros, incluindo parentes.
E muitas destas agressões causam lesões graves e levam ao óbito, no que chamamos
de feminicídio.A vergonha, o sentimento de culpa, a dependência emocional e finan-
ceira são entraves para que as mulheres denunciem seus agressores, e a situação se
complica ainda mais quando existem filhos. Além disso, o julgamento desses casos
por parte da policia e da (in)justiça, vendo-os como crimes passionais, influencia a
sociedade, que também acaba encarando a questão da mesma maneira, desencora-
jando as mulheres a procurarem ajuda e direitos.

Junto à violência sexual – quando não é cometida por seus próprios companheiros ou
ex-companheiros –, ocorre a culpabilização das mulheres, quando são estupradas e abu-
sadas, supostamente devido às suas “vestimentas” ou ao horário em que saíram à noitequando a única explicação é a relação de poder e propriedade sobre a mulher.

Até hoje, mulheres que exercem as mesmas funções que homens, no trabalho, ainda
recebem salários inferiores. E em muitos casos, devido às situações de submissãosofrem assédio moral no trabalho e ainda correm o risco de perder o emprego em
caso de gravidez.

No caso das mulheres por identidade de gênero, como por exemplo as transexuais,
a situação é ainda mais grave. Elas muitas vezes não têm suas identidades reconhecidas, são perseguidas e assassinadas.

Há ainda outras formas de violência cometidas contra a mulher, muitas delas ins-
titucionalizadas (feitas pelo Estado), como o caso de mães em situação de rua que
perdem o pátrio poder e tem seus filhos levados para abrigos e encaminhados para
adoção. A justificativa generalizada, e injusta, é a de serem dependentes químicosquando na verdade tal atitude se dá por elas serem pobres, “invisíveis” socialmentee pela falta de políticas públicas voltadas para essa categoria.

Mulheres são violentadas em nossos círculos de convivência, inclusive em lugares onde
muitas vezes entende-se que esse tipo de discussão está mais do que superada, que é
o meio libertário, nos movimentos sociais e dentro da esquerda em geral, sendo o fato
justificado por puro corporativismo do tipo “alguma coisa ela fez...”.Além de passarem
por constrangimento ao ouvirem “mulheres grávidas ou com filhos não deveriam par-
ticipar”, no caso de atividades ou eventos. E quando sua participação nesses eventos é
avaliada dizem “nossa, fiquei impressionado com o debate, vocês mulheres mandaram
muito bem, não esperava que vocês seriam tão capazes”.

Qualquer manifestação de violência contra a mulher deve ser vista como crime
contra gênero sob a forma de dominação, controle e desigualdade de poder, heran-
ça histórica imposta pela sociedade machista e patriarcal, entranhada no comporta-
mento social e naturalizada, mantendo tais fatos ainda velados.

Além disso, a opressão das mulheres também é uma questão de classe, pois se
aprofunda com a dominação de econômica capitalista, visto que a mulher é mais
ou menos oprimida de acordo com a classe à qual pertence, estando sempre em
posição inferior aos homens dentro da própria classe.

Há quem pense que a discussão sobre gênero está superada, mas a relação hierár-
quica do homem sobre a mulher permanece presente, sendo bastante sintomática
nos lares, nos locais de trabalho, nos espaços de convivência, onde muitas vezes os
discursos não condizem com as práticas, ou se usam dois pesos e duas medidas.
Ademais, a liberdade da mulher está atrelada à libertação de classe, que por sua
vez é inerente à destruição do capitalismo. Para tal, ambos os gêneros devem lutar
juntos contra toda forma de opressão e exploração, por uma sociedade verdadei-
ramente justa e igualitária.
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