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(pt) FARJ* LIBERA #155 - ELEIçÕES MUNICIPAIS no rio de janeiro nossas urgências não cabem nas urnas!

Date Tue, 11 Dec 2012 14:40:50 +0200


Mais um ano eleitoral chegou e, mais uma vez, lá estão os políticos nas ruas, nos jornais, nos “santinhos” ou na televisão: prometem transformações, soltam slogans ridículos, dizem que “agora vai ser diferente”. No entanto, passam as eleições e as coisas não mudam muito. Escândalos de corrupção, elevados níveis de violência, precário sistema público de saúde/educação, repressão aos trabalhadores do campo e da cidade e criminalização de movimentos sociais populares. Problemas historicamente construídos pelos ricos e poderosos no sistema de dominação capitalista. ---- Por outro lado, todas as mudanças, direitos e liberdades, duramente conquistados pelo povo, foram frutos da pressão e mobilização dos trabalhadores e movimentos organizados, no clamor das ruas, locais de trabalho e demais espaços sociais.

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“Os trabalhadores tem que aprender que seu poder não está na força
de seu voto mas na sua habilidade de parar a produção.” Voltairine Cleyre (1866-1912)
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E nós, anarquistas organizados, só po-
demos nos colocar de um dos lados
desta “barricada” cotidiana. Denuncian-
do o “esquema” eleitoral e reafirmando
nosso projeto de luta de base, e cons-
trução do poder popular, enquanto ca-
tidos com o governo (caso de Macapá
e Pará). Em entrevistas, Marcelo Freixo
lamentavelmente defende a continui-
dade da política das UPP’s (projeto de
segurança das elites e que conta com
apoio financeiro de empresários) e diz
que terá “pulso firme” com os grevistas.
Seus defensores dizem que tudo não
passa assim de uma “estratégia” para
lidar com a mídia burguesa. Mas O PC
do B, antes oposição ao governo FHC,
também tinha um discurso semelhante,
defendendo as eleições como uma “tá-
tica para a conscientização” ou como
“meio para exposição das contradições
do sistema”.

Hoje, o PC do B senta-se confortavel-
mente nas poltronas do poder. O fato
é que grande parte da base eleitoral
de Freixo é de uma classe média que
não acredita na transformação social
construída com base na organização
popular e por meio da luta com os de
baixo, apostando na comodidade da po-
lítica representativa e crendo no mito
do “candidato salvador” que vai mudar
a realidade por decreto, como se não
houvesse uma classe dominante hege-
mônica, agenciando forças econômicas,
políticas, repressivas e jurídicas em prol
de seus interesses e em detrimento do
povo.

Correndo por fora, com a mesma jus-
tificativa de “politizar” o processo elei-
minhos concretos para uma real trans-
formação social, indo na direção oposta
de governos e partidos comprometidos
com os opressores, dominadores e os
interesses dos de cima. Luta popular e
eleições são incompatíveis, e não pode-
mos derrotar o inimigo utilizando suas
próprias ferramentas, estas viciadas ar-
mas contra o povo, feitas para renovar
e manter a ilusão de que a mudança
passa pelas urnas.

O sistema que mantém nossos inimigos
“não é onipotente, pode ser enfrenta-
do, desestruturado, mas não a partir de
dinâmicas que o retroalimentam” (FAU,
Tempos de Eleições). Por isso a nossa fer-
ramenta é a luta popular nos bairros,
nas comunidades, nos sindicatos e lo-
cais de trabalho, sempre pela base. Essa
é a nossa enxada, a nossa colher de pe-
dreiro, o nosso quadro negro. É assim
que aprendemos a lutar, conquistar e
avançar. É assim que criamos um povo
forte pois nossos sonhos não cabem
nas urnas!

As eleições municipais no Rio de Janeiro

As eleições municipais no Rio segue
toral, estão PSTU, PCO e PCB. Candi-
daturas completamente inexpressivas
e que dizem se utilizar das eleições
como algo “tático”. Na prática, ajudam
a desmobilizar as lutas, reforçam a de-
mocracia burguesa e deformam as pro-
postas do socialismo, com a ilusão de
que ele pode ser alcançado ou constru-
ído pelas urnas.

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Luta popular e eleições são
incompatíveis, e não podemos
derrotar o inimigo utilizando
suas próprias ferramentas, estas
viciadas armas contra o povo, feitas
para renovar e manter a ilusão de
que a mudança passa pelas urnas.
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Nas mobilizações populares
(como no Grito dos Excluídos,
nas assembléias estudantis e sin-
dicais, etc.), por exemplo, empe-
nham-se mais em fazer propaganda de
suas candidaturas do que em reforçar
as lutas pela base. O PSTU aliás, mesmo
com o discurso de “independência” de
classe e flexibilidade “tática”, fez uma
aliança com o PSOL e com o PcdoB no
Pará, onde 80% da campanha foi finan-
ciada com dinheiro de empresas priva-
das!

Mesmo identificando na figura de Edu-
ardo Paes (PMDB), um dos atores po-
líticos que conduziu boa parte dessas
ações à serviço dos ricos, é preciso ter
uma visão mais ampla desse projeto e
o que ele representa. Sem entender o
pacto das três esferas governamentais,
os interesses econômicos da burguesia
e a fraqueza e desmobilização dos mo-
pelo mesmo mecanismo das anterio-
res: candidatos financiados por grandes
empresários da construção civil, da má-
fia dos transportes públicos, do setor
turístico e midiático e demais grupos
capitalistas interessados em lucrar alto
com a cidade “maravilhosa”.

O Estado do Rio de Janeiro continua
sendo o “laboratório” da política de
segurança pública da burguesia nacio-
nal. Que opera por meio de despejos,
remoções violentas, unidades de polícia
para controle dos trabalhadores pobres
e negros, mega-empreendimentos, me-
ga-eventos (Copa do Mundo e Olimpía-
das), numa conformação urbana e social
da cidade para aumentar o faturamento
de diversos setores empresariais. Uma
política de exclusão social, tocada de
forma autoritária pelo poder público,
criando zonas destinadas ao consumo,
onde quem lucra são os ricos e os ne-
gócios milionários das elites econômi-
cas. Interesses defendidos pelo pacto de
classes do governo Lula-Dilma (PT).

Assim, os candidatos a prefeito só
pensam em como “surfar na onda” da
união do poder político com o poder
vimentos sociais, causada em boa parte
pelo projeto do PT (que “desarmou” a
classe) vamos continuar achando que o
problema está em “quem ocupa a pre-
feitura”. É pouco provável achar que
os interesses da burguesia nacional e
internacional serão contrariados com
a mudança do prefeito. Das oito candi-
daturas, cinco são financiadas
e atendem os interesses dos
ricos e poderosos. Das outras três, duas
não tem a menor chance
de ganhar, e o candidato que vem em
segundo lugar, Marcelo Freixo, pagou o
preço de rebaixar totalmente seu pro-
grama político para poder avançar nas
pesquisas, e está sendo pressionado
pela burguesia e setores conservadores
da classe média a rebaixar ainda mais.

O poder político é só parte do pro-
blema. Sem um projeto combativo nas
ruas, locais de trabalho e comunidades,
com força social suficiente para barrar
as intenções das elites, o Rio de Janeiro
continuará a ser um pesadelo para os
pobres e trabalhadores. A desmobiliza-
ção da classe é o verdadeiro problema
a ser enfrentado. Devemos trabalhar
incessantemente para continuar cons-
truindo organismos de poder popular,
econômico. Aspásia Camargo tenta pe-
gar carona na popularidade eleitoral de
Marina Silva e sua “ecologia” para ricos,
que pinta de verde um capitalismo que
é movido à destruição e exploração do
meio ambiente, mas que traz o discurso
do “moderno” e do “sustentável”. Otá-
vio Leite é a continuidade do projeto
tucano de privatização dos serviços
públicos e portanto, mais sucateamen-
to dos transportes, da educação e da
saúde. A aliança de Rodrigo Maia e sua
vice, Clarice Garotinho, ambos filhos de
antigos “coronéis” políticos, prova que,
na política parlamentar, vale tudo pela
“fatia do bolo”: antigos “inimigos” agora
se abraçam.

A “novidade” é a candidatura de Mar-
celo Freixo do PSOL que avança nas
pesquisas, com a defesa da bandeira
da política parlamentar feita com ética,
com reformas sociais e com espaços
de participação da sociedade. Um pro-
jeto que mostra-se bem mais recuado
do que o do PT nos anos 80, apesar de
todo um discurso moderno e que bus-
ca contemplar diversas causas da atua-
lidade, chamando para uma “primavera
amarela” que seduz mais pela forma do
que pelo conteúdo. Mas vale lembrar
que, mesmo sob uma aura de morali-
dade, o PSOL já tinha aceitado dinheiro
do Grupo Gerdau em 2008 (cem mil
reais para a candidatura de Luciana
Genro) e um de seus fundadores (Mar-
tiniano Cavalcante) foi denunciado por
receber 200.000 reais de uma das em-
presas-laranja de Carlinhos Cachoeira
(réu do mensalão!). Sem contar que
nesta eleição, o PSOL, supostamente
de oposição, fez alianças com partidos
abertamente burgueses ou comprome-
nos locais de trabalho, nas ruas, nos
bairros e comunidades, que possam en-
frentar a burguesia.

Quem entrar no governo terá que con-
tinuar a rezar a cartilha dos poderosos
ou será obrigado a isso. E muitos candi-
datos, como foi com Lula e agora Frei-
xo, utilizam-se também do discurso po-
pulista, ou do martírio do “lutador pela
justiça”, como forma personalista de
canalizar e desmobilizar as lutas para
suas figuras “paternais”. Por que espe-
rar um mártir, um candidato-herói ou
um salvador, se o poder está nas bases
e não no teto da reação que as limita?
Esse foi o caso da Revolução Espanhola
onde o povo foi às ruas, autogestionou
fábricas, coletivizou os campos e socia-
lizou a produção, assim como em Oa-
xaca em 2006, Chiapas em 1994, e ou-
tros exemplos onde o povo construiu
o poder popular de baixo pra cima! O
poder popular não se toma, se constrói
de baixo pra cima!

Nossos sonhos
não cabem nas urnas!
Voto nulo nas urnas!
Nos bairros, nos
sindicatos, nas
comunidades, nas
lutas a nossa política
é a do Poder Popular!
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