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(pt) CAB: Revista Socialismo Libertáriio - N.1 jun/12 (en)

Date Sun, 09 Dec 2012 12:01:59 +0200


SUMÁRIO ---- Editorial 04 ---- Nossa Concepção de Poder Popular 08 ---- Declaração de Princípios da CAB 20 ---- Organizações que Compõem a CAB 22 ---- Revista Socialismo Libertário Tiragem: 500 exemplares Impressão em São Paulo - Junho de 2012 Contato: secfao@riseup.net ---- Editorial ---- Há 150 anos, homens e mulheres aspiraram à união e à coordenação internacional do incipiente movimento operário, para, através do federalismo e da livre associação, reunir a força necessária para golpear e derrubar o capitalismo. Durante esse processo, os anarquistas estiveram presentes e constituíram parte significativa desse esforço militante. ---- Estivemos nas barricadas da Comuna de Paris, em 1871, nas experiências comunais das revoltas na Macedônia, em 1903, nas lutas e nos sonhos criados pela Revolução Mexicana de 1911, nos combates encarniçados da Revolução Russa, de 1917.

Aspiramos e construímos nossos sonhos libertários durante a
Revolução na Manchúria (1929-1931), a Revolução
Espanhola (1936-1939) e a Revolução Cubana, de
1959. Mais tardiamente, estivemos nas universidades e
fábricas nos acontecimentos do Maio de 68 e nas lutas
contra as ditaduras da América Latina. Fizemos parte
da Primeira Internacional (1864-1877), da Segunda
Internacional (1889-1916) e da Internacional Anarco-
Sindicalista, de 1922. Impulsionamos sindicatos de
intenção revolucionária e organizações anarquistas
nas Américas, na Europa, na Ásia, na África e na
Oceania. Temos mantido permanentemente, desde o
surgimento do anarquismo, nossa presença em meio
às lutas sociais nos cinco continentes.

Em solo nacional, nos misturamos, desde
a Primeira República, aos combates classistas nos
bairros, nas ruas e nas fábricas, sempre com a utopia
da transformação radical sublinhando nossas ações.
Há 100 anos, no estado de São Paulo, militantes
operários decidiram dar um basta à educação
vigente, elitizada, restrita e a serviço do pensamento
dominante; unindo pensamento e ação, plantaram as
sementes das escolas modernas. Cinco anos depois, o
movimento operário realizou uma greve geral em
vários estados, como São Paulo, Rio de Janeiro e
Rio Grande do Sul. Tais mobilizações, ocorridas
em 1917, há 95 anos, também contaram com a
presença da militância anarquista, que ajudou a
constituir o que chamamos hoje de luta sindical.
Os anarquistas também construíram espaços
específicos para o debate de suas questões, para
estabelecer acordos, analisar a realidade em que
viviam, produzir declarações públicas e planejar
suas ações. Esse foi o caso dos grupos anarquistas
formados no início do século, tais como a Aliança
Anarquista do Rio de Janeiro, em 1918 – que teve
vida curta, atingida duramente pela repressão
– e o Partido Comunista (libertário), de 1919.
Esta iniciativa organizacionista, recorrente,
jamais foi apagada pelo tempo. No contexto
da redemocratização (depois do Estado Novo
getulista), os anarquistas brasileiros, após anos
de ditadura, tentaram, apesar das dificuldades,
reorganizar-se numa Federação Anarquista de
âmbito nacional. Atuam neste período, de 1946 a
1959, a União Anarquista de São Paulo, a União
Anarquista do Rio de Janeiro, o grupo anarquista
Ácratas do Rio Grande do Sul e individualidades
de outros estados.

Nesse processo, há 55 anos foi realizada
a Conferência Anarquista Americana, em
Montevidéu, no Uruguai, contando com a
presença de delegados do Brasil, da Argentina,
dos Estados Unidos, do Paraguai, do México e
do próprio país sede, servindo como um desses
espaços para a articulação e o fortalecimento do
anarquismo.

Todas essas iniciativas demonstram a
vontade histórica dos anarquistas de se organizar
para intervir com maior vigor no terreno da luta
de classes: se há luta, há resistência; se há dominação,
há organização e vontade de transformação social.

Hoje, neste pedaço de terra da América
Latina chamado Brasil, no décimo aniversário do
Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), nós,
organizações anarquistas que constituímos parte
do FAO, humildemente damos continuidade às
aspirações, aos sonhos e às lutas de milhares de
mulheres e homens que viveram para aportar grãos
de areia na construção de outra sociedade, socialista
e libertária. São 10 anos de uma caminhada que,
ainda que modesta, julgamos conseqüente, com
todas as dificuldades e desafios que implicam
tal intento. Temos buscado a construção de uma
organização nacional, desde baixo, construída pela
base, de forma sólida e madura, nesse imenso e
diverso território, sem nunca perder do horizonte o
objetivo da revolução social.

No Brasil, parte de nossa geração, privada
do contato com os nossos “velhos” combatentes,
teve de se apoiar, em grande medida, em suas
próprias realizações. Somos fruto de anos de
debates e articulações que visaram reorganizar o
anarquismo brasileiro, para que ele pudesse incidir
nas lutas de seu tempo. Somos fruto das iniciativas
que buscaram formas distintas de associação e
organização de classe, experimentos e experiências
de contracultura, com todas suas contradições e
limites. A depender da região, somos fruto do contato
direto com gerações mais antigas do anarquismo,
cujo esforço jamais pode ser esquecido. Somos,
enfim, uma geração de jovens que começou a militar
entre os anos 1980 e 1990 e que, a partir de então,
assumiu para si a tarefa de atualizar o anarquismo,
visando constituir uma ferramenta de luta, a partir
de organizações específicas anarquistas inseridas
socialmente, que contribuísse com a construção de
um horizonte de auto-organização e emancipação
das classes oprimidas.

O contato que, em 1994, foi travado com
a Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e, conse-
qüentemente, com toda sua história – desde 1956,
a FAU atuou ininterruptamente, parando apenas
quando boa parte de seus militantes foram presos,
mortos, seqüestrados ou desaparecidos –, foi mar-
cante neste processo. As relações políticas com a
FAU foram decisivas para a opção que fizemos em
relação ao modelo de organização especificamente
anarquista que hoje adotamos.

Por razão dessas relações, a Federação
Anarquista Gaúcha (FAG), do Rio Grande do
Sul, foi fundada, em novembro de 1995; e, desde
então, o intento conjunto se fortaleceu com outras
organizações posteriormente fundadas. O projeto de
construção de uma organização nacional anarquista,
fundamentada no modelo organizativo da FAU, foi
impulsionado no Brasil por um processo que ficou
conhecido como Construção Anarquista Brasileira.
A primeira tentativa nesse sentido foi a fundação, em
1997, da Organização Socialista Libertária (OSL),
com núcleos no Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio
de Janeiro e Pará, que terminou se revelando uma
iniciativa precipitada.

Em 2002, uma nova tentativa, pautada
em grande medida no acúmulo das experiências
anteriores, decidiu criar um fórum, o FAO. Era
um passo inicial, que tinha por objetivo permitir
o acúmulo necessário de debates, de acordos e
de experiências práticas, para a fundação de uma
organização anarquista nacional. A lição dos
anos 1990 tinha sido aprendida: não podíamos
começar a “construir uma casa pelo telhado”.

Desde a fundação do FAO, algumas or-
ganizações deixaram de existir e outras se con-
solidaram e vêm sendo decisivas para esse esforço
coletivo: o Coletivo Anarquista Zumbi dos Pal-
mares (CAZP), de Alagoas, que comemorou em
abril seus 10 anos; a Federação Anarquista do Rio
de Janeiro (FARJ), que já vai para seus 9 anos e
a Organização Anarquista Socialismo Libertário
(OASL), de São Paulo, que vai para seu 3o ano de
atividades.

Outras organizações vêm aos poucos se
somando ao processo e mantendo proximidade
com o FAO, estreitando os laços orgânicos: o
Coletivo Anarquista Bandeira Negra (Santa
Catarina), o Coletivo Anarquista Luta de Classe
(Paraná), o Coletivo Mineiro Popular Anarquista
(Minas Gerais), a Organização Resistência
Libertária (Ceará), o Coletivo Anarquista Núcleo
Negro (Pernambuco), o Coletivo Libertário
Delmirense (Alagoas) e outras iniciativas,
que estão em processo de nucleamento ou de
articulação.

O aniversário de 10 anos do FAO é
especial para nós, já que, há mais de um ano,
temos debatido e apontado a necessidade de
darmos um passo a mais na direção do nosso
projeto nacional. Queremos avançar, porém, sem
tirar o pé do chão, no sentido de proporcionar
uma maior organicidade entre as organizações
e de responsabilidades e compromissos mais
profundos. Para isso, decidimos passar de um
fórum para uma coordenação: o FAO, por razão
desse ganho de organicidade conquistado nos
últimos anos, se torna a Coordenação Anarquista
Brasileira (CAB). Assim, maiores esforços se fazem
necessários, e a responsabilidade que assumimos com
esse passo também é grande. No entanto, as aspirações,
os sonhos e a vontade que temos de construir outra
sociedade, em que nós, classes oprimidas, sejamos
donas de nossos próprios destinos, é tamanha, que não
nos intimidamos.

É por isso que, nesse 10o aniversário do
FAO, data do congresso de fundação da CAB,
reafirmamos nosso compromisso militante de nos
somar na construção de um povo forte, que ponha
abaixo o sistema de dominação capitalista a partir
da luta direta, pela base, da construção federativa de
nossas próprias instâncias de auto-organização, de
autogestão e de democracia direta. Amparados nas
experiências históricas daqueles que nos precederam,
comemoramos a fundação da CAB como mais um
importante passo na presença do anarquismo nas lutas
sociais contemporâneas.

Neste primeiro número da revista Socialismo
Libertário, apresentamos um texto com nossas
concepções sobre o poder popular, tema que julgamos
essencial. Esperamos ter condições de, nos próximos
números, aprofundar questões teóricas, estratégicas
e conjunturais, de maneira a estimular esse processo
nacional.

Em memória aos milhares de militantes anarquistas
que fizeram história!

Em memória aos oprimidos e às oprimidas, de
ontem, hoje e sempre!

Viva a revolução social! Viva a anarquia!
Rumo à organização nacional!
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