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(pt) Colectivo Libertario Evaro* - Uma visão sobre a Greve Geral de 14N
Date
Tue, 04 Dec 2012 11:37:43 +0200
Com o aumento das dificuldades socioeconómicas que actualmente vivemos, a greve geral que
se estendeu pela europa mostrou claramente que os povos estão a ganhar cada vez mais força
na luta contra os estados e a máquina capitalista. ---- Em Lisboa, como em outras cidades
europeias, houve uma forte adesão de trabalhadores(as) e desempregad@s que decidiram
efectivamente ir à luta, e para o povo a luta não é apenas paralisar serviços mas sim
atacar directamente a raiz do mal. ---- A actuação da polícia nessas cidades onde se lutou
foi sem dúvida lamentável, que apesar das ridículas declarações de Miguel Macedo (ministro
da administração interna) quando disse que eram apenas meia dúzia de arruaceiros
profissionais que estavam a atirar pedras, a polícia deteve cerca de 15 pessoas, e varreu
à bastonada homens, mulheres, crianças e idosos das ruas perto e longe da assembleia,
fazendo perseguições pelas ruas, inclusive até ao cais do sodré, e deixando um rasto de
destruição por onde passou.
Já Arménio Carlos (secretário geral da CGTP) deu uma entrevista onde se pode dizer que
“para tar a dizer merda, mais valia tar calado”, declarando que acha lamentável que as
pessoas tenham atirado pedras à policia na luta pelos seus direitos, ou seja, para o
dirigente sindical a greve é uma coisa apenas para sindicalistas e sindicalizados, e a
única “luta” correcta é a organizada pela CGTP.
A comunicação social fez também um belíssimo trabalho do ponto de vista governamental,
onde jornalistas davam descrições depreciativas da actuação da população como por exemplo
dizer que este é um “cenário nada dignificante”… “Nada dignificante” é não ter o que comer
e ser posto da rua da sua própria habitação!!! Era bom que os jornalistas da comunicação
social aprendessem a relatar as coisas sem tomarem partidos.
Cá por Évora bastantes serviços estiveram paralisados, no entanto pelas ruas da cidade as
esplanadas estavam cheias de gente que fez greve mas que decidiram dedicar este dia ao
consumo em massa, obrigando a um contra-balanço do efeito da greve que sendo assim até os
capitalistas agradecem.
O desfile da CGTP correu como era de esperar sem incidentes e terminou com um discurso de
10 minutos na praça do giraldo que falava dos números da greve. Após esse discurso os
sindicalistas recolheram as bandeiras e partiram enquanto trocavam uns sorrisos curiosos
com o gangue do bastão…
No jardim das canas foi feita uma concentração anti-capitalista de carácter semelhante às
concentrações dos movimentos indignados juntando algumas pessoas ao final da tarde.
Em conclusão, apesar da greve ser uma forma de luta importante, muit@s trabalhadores(as)
voltam amanhã para os trabalhos extremamente frustrad@s pois não parece ter sido alcançado
nenhum dos objectivos que @s levaram à luta. Ainda assim, um grande bem-haja a quem
participou! Insistiremos, pois um dia será o nosso dia!
Baltazar Bresci
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MANIFESTO
Quem somos, o que queremos, como nos organizamos
Um grupo de cidadãs e de cidadãos, homens e mulheres, reunidos em Évora decidiu
constituir-se em colectivo de reflexão e de acção como resposta à constante violação e
limitação dos seus direitos e liberdades individuais e colectivas, bem como à constante
diminuição da qualidade de vida e de perspectivas de futuro que a maioria dos
trabalhadores, estudantes, desempregados, reformados ou simplesmente desocupados hoje
enfrentamos.
Face à crise generalizada do capitalismo, e depois de morto o modelo das “democracias
populares”, que mais não foi do que uma outra forma do capitalismo sobreviver ancorado na
ideologia do Estado todo poderoso, é preciso reencontrar alternativas que, aliás,
estiveram desde sempre na prática e na teoria dos sectores mais interventivos do movimento
social e operário em todo o mundo.
As experiências autogestionárias, de acção directa, baseadas nas assembleias de base, com
o mínimo possível de delegação de poderes, assentes no livre pensamento e na absoluta
liberdade de organização, preferencialmente em rede e a partir da base, mantêm todo o seu
carácter de inovação e de radicalidade.
É preciso voltar a colocar sobre a mesa questões como o poder e as relações de poder; o
Estado; o salariato; a luta de classes. Reenquadrar a ecologia no contexto global da
espécie humana e não apenas em termos de ambiente. Debater a violência e o pacifismo.
Perceber como se pode passar de uma sociedade totalitária, onde o poder político e
económico agem apenas em função do lucro e não da satisfação das necessidades do conjunto
da humanidade, para uma sociedade assente na fruição e na utilização da imensa capacidade
tecnológica hoje existente de modo a acabar com o fosso entre rico e pobres, entre fartos
e esfomeados, entre os que têm acesso à generalidade dos bens de consumo e os que deles
estão excluídos, entre os que detêm o poder e aqueles que são totalmente despossuídos de
qualquer grau de influência.
É preciso pensar e perceber o que são os chamados índices de felicidade ou de conforto e
de que maneira, cada ser humano, enquanto tal, pode e deve participar, no chamado
“banquete da vida”, de que hoje muitos milhões de seres humanos são, logo à nascença,
postos à margem.
Queremos perceber também ao detalhe esta sociedade em que nos integramos. Alentejanos e
eborenses consideramos ter muitas palavras a dizer no contexto local, fora dos confrontos
da política partidária, onde a natureza dos interesses em jogo é quase sempre idêntica e
pouco transformadora. Partindo desta nossa realidade sabemo-nos e sentimo-nos cidadãos do
mundo, cosmopolitas, e queremos trazer também até ao espaço que habitamos novas
experiências, outras ideias, formas diferentes de sonhar o futuro.
Não nos resignamos ao cardápio das ideias feitas, prontas a consumir, no “self-service”
partidário. Fiéis à velha máxima da velha Associação Internacional de Trabalhadores de que
a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores ou não o será,
consideramos que todos, organizados e intervenientes, temos uma palavra a dizer na
condução das nossas vidas e na construção de espaços de encontro e de ruptura com a apatia
social e o imobilismo político que parecem caracterizar os dias que correm.
É contra isso que nos batemos e é contra isso que nos vamos bater. A favor de uma vida que
valha, de facto, a pena viver. E não a sobrevida que o capitalismo (nas suas mais variadas
formas) nos tem para oferecer.
Por tudo isto, prometemos não ficar parados e rasgar novas janelas na imensa planície das
ideias e das práticas e convidamos quem esteja de acordo e solidário com este manifesto a
juntar a sua à nossa voz.
Colectivo Libertário de Évora
Évora, Outubro de 2012
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