(pt) Augusto Boal: As Metamorfoses do Diabo

Stefan Merten (merten@dfki.uni-kl.de)
Fri, 26 Sep 1997 10:55:16 +0200


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5/12/96

AS METAMORFOSES DO DIABO O INDIV=CDDUO E O S=C9CULO XXI Augusto Boal

Quando eu era pequeno, usava tamancos. At=E9 que, um dia, comecei a achar cafona usar tamancos. Mudar n=E3o era f=E1cil: eu morava na Penha, lugar quente, sem asfalto, muita poeira, o sapato apertava: p=E9 de atleta =E0 vista. A ascese do tamanco ao sapato, mesmo de mocassim, era dif=EDcil. Ent=E3o eu me dizia, solene: a partir do primeiro dia do ano, nunca mais usarei tamancos. E chegava o ano novo e eu me esquecia da jura.

Quando era adolescente e come=E7ava a me interessar pelas mocinhas da escola, a mais bonita, a que eu amava, disse um dia que eu estava mais gordo do que permitia a sua est=E9tica. Da=ED por diante, jurei apaixonado: "A partir do pr=F3ximo ano, a partir do primeiro dia do ano, nunca mais comerei doces..." Acontece que eu trabalhava na confeitaria do meu pai, e a gula sempre foi um dos meus pecados prediletos... Vinham os Anos Novos e eu passava longe da balan=E7a.

Eu era sincero, mas precisava de uma data para acreditar que a mudan=E7a seria poss=EDvel... no ano que vem. N=E3o hoje, que estava muito pr=F3ximo, nem no futuro indefinido, muito distante: seria com exatid=E3o e rigor no primeiro dia de janeiro, no primeiro minuto. At=E9 l=E1, eu me sentia com a consci=EAncia tranq=FCila pra continuar comendo bombas e madalenas, manjares do c=E9u e barrigas de frade, cal=E7ando tamancos, engordando e sujando os p=E9s.

Hoje n=E3o s=E3o meus p=E9s nem o meu peso o que mais me preocupa: =E9 o futuro da humanidade, coisa s=E9ria. Estamos t=E3o angustiados com nosso futuro, que pensamos que, se pudermos marcar data e hora, como no dentista, nosso futuro ser=E1 menos o que tememos e mais pr=F3ximo do que sonhamos.

Eu comia doce pensando como seria belo e esbelto... no ano seguinte. Mas o ano seguinte estava contido no sorvete de chocolate que comia agora. Eu engordava em dezembro as redondezas que apareceriam em janeiro. Assim vai o mundo: estamos, hoje, cavando a fossa comum que a muitos vai enterrar no s=E9culo XXI.

Minha mulher diz que sou Polyana, s=F3 vejo otimismos. Incorrig=EDvel C=E2ndido. Minha mulher nem sempre acerta. Hoje, quando penso no futuro, eu o vejo ao meu redor, vejo que o Haiti =E9 aqui, o s=E9culo XXI =E9 agora. Rwanda, Zaire, Angola e Mo=E7ambique... quantos holocaustos nazistas j=E1 se cometeram naquele continente, nesta d=E9cada? Quantos est=E3o sendo praticados, neste instante? Na Iugosl=E1via, B=F3snia, na Indon=E9sia, Timor: metade da popula=E7=E3o assassinada. No Brasil, crian=E7as na rua, camponeses sem terra, trabalhadores sem trabalho. =C9 confort=E1vel pensar que esses pa=EDses, com alguma exce=E7=E3o, s=E3o primitivos, cavern=EDcolas. Mas quem vende as armas, eletr=F4nicas ou qu=EDmicas, com que esses trogloditas assassinam milhares e milh=F5es? S=E3o os povos ditos civilizados.

Somos todos respons=E1veis.

***

Na cidade de Bradford, na Inglaterra, um amigo meu faz Teatro do Oprimido em hospitais psiqui=E1tricos. No ano passado, quando come=E7ou uma nova turma, meu amigo explicou a diferen=E7a entre mon=F3logo e di=E1logo. No come=E7o, na Gr=E9cia, teatro era o povo ao ar livre cantando no fim da colheita, todo mundo junto. Depois veio Thespis, e inventou o Protagonista, aquele que falava sozinho, monologava, enquanto que, no coro, todos cantavam juntos. Perguntou se haviam entendido, e m=E9dicos e clientes disseram que sim: mon=F3logo =E9 quando uma pessoa fala sozinha. Veio depois =C9squilo e inventou o Deuteragonista, aquele que podia conversar com o primeiro ator. Inventou o di=E1logo. Isto =E9: - mon=F3logo =E9 quando uma pessoa fala sozinha, e di=E1logo, o que =E9 o di=E1logo?, - perguntou meu amigo, e um cliente respondeu: -"Di=E1logo =E9 quando duas pessoas falam sozinhas".

Aquele paciente era homem sensato. A maioria dos nossos di=E1logos nada mais s=E3o do que mon=F3logos cruzados. E a opress=E3o existe quando um di=E1logo se transforma em mon=F3logo. O di=E1logo deveria prevalecer nas rela=E7=F5es entre homens e mulheres, negros e brancos, pa=EDses e pa=EDses... mas bem cedo um dos termos dessa equa=E7=E3o, pela for=E7a, ao outro imp=F5e sua lei.

Cria-se o mon=F3logo. O ser humano =E9 um animal carn=EDvoro, predat=F3rio, e n=E3o existe di=E1logo construtivo entre a ca=E7a e o ca=E7ador. Entre os pa=EDses, ca=E7ar =E9 a regra. Imperalismo =E9 mon=F3logo, como racismo, sexismo, xenofobia, por=E9m mais profundo e abrangente, porque a tudo e a todos inclui.

As rela=E7=F5es internacionais s=E3o movidas pelo instinto predat=F3rio, como no animal homem. Para disfar=E7=E1-lo, inventou-se o pragmatismo da gentil diplomacia. ( Os australianos podem chorar piedosos o tr=E1gico destino dos vizinhos timorenses, mas nada impede que a Austr=E1lia, como pa=EDs, fa=E7a acordos com a Indon=E9sia para explorar o petr=F3leo daquela ilha torturada. )

O imperialismo muda de nome, mas continua o mesmo. Hoje, chama-se globaliza=E7=E3o. Proclama-se a necessidade de se unificar o mundo, de fazermos todos parte dessa imensa aldeia global, administrada por um s=F3 poder... que n=E3o =E9 nosso, =E9 evidente.

Para sermos globalizados, fagocitados, =E9 necess=E1rio atomizar, isolar os indiv=EDduos, porque se as vacas falassem entre si n=E3o iriam t=E3o inocentes para o matadouro, como dizia Brecht; destruam-se, pois, os sindicatos - Inglaterra, Tatcher, Estados Unidos, Reagan e, no Brasil, um pouco cada governo! - dificultem-se as manifesta=E7=F5es coletivas, organiza=E7=F5es populares, Debates Civis como este - onde o di=E1logo pode existir! - e prendam-se os indiv=EDduos diante das telas de televis=E3o, onde reina o mon=F3logo. Do trabalho =E0 casa e da casa ao trabalho, telenovela de permeio. Gente junta, s=F3 em torno de paix=F5es hipn=F3ticas, como o futebol e o boxe, nunca em debate de id=E9ias fecundantes.

A pol=EDtica cultural da maioria dos pa=EDses capitalistas deixa ao sabor do mercado a escolha de repert=F3rios, estilos e formas de manifesta=E7=E3o art=EDstica; transforma o artista (aquele que cria o novo) em artes=E3o (aquele que reproduz um modelo). Desaparece o indiv=EDduo, confundido ao g=EAnero ao qual pertence. Este =E9 o curioso paradoxo da globaliza=E7=E3o: para globalizar =E9 necess=E1rio isolar o indiv=EDduo, n=E3o para que fortale=E7a sua individualidade, mas para que desapare=E7am suas diferen=E7as, que lhe d=E3o unicidade. N=E3o podemos esquecer que a nossa identidade =E9 feita por aquilo que somos, mas tamb=E9m por aquilo que s=E3o os outros, e nos permite ser o que somos, em nossa rela=E7=E3o com eles. Sou pai porque tenho filhos, homem porque existem mulheres. No globalismo atual isola-se o indiv=EDduo para que perca essa parte essencial da sua identidade: as diferen=E7as. Isola-se o indiv=EDduo para que perca sua individualidade. Indiv=EDduo sem identidade, sem nome: n=FAmero! Isola-se o indiv=EDduo para que seja mero recipiente onde a m=EDdia e o discurso pol=EDtico e econ=F4mico tecnocrata vertam conte=FAdos. Seq=FCestra-se a individualidade do indiv=EDduo, transformado em coisa. O indiv=EDduo, em si, =FAnico, torna-se massa; concreto, abstra=E7=E3o. Elimina-se a descontinuidade entre um indiv=EDduo e outro: o exemplar =E9 a esp=E9cie.

O =E1tomo-homem, radical livre, busca associar-se: prosperam seitas fan=E1ticas religiosas e profanas, milagres coletivos e religi=F5es financeiras. O que se quer globalizar =E9 a massa informe ou uniforme, obediente, e n=E3o homens e mulheres, estruturados, individualizados; o que se pretende =E9 o mon=F3logo, n=E3o o di=E1logo. Se assim continuar, no s=E9culo XXI n=E3o haver=E1 diferen=E7a entre um indiv=EDduo e outro, como n=E3o existe diferen=E7a vis=EDvel entre um e outro gr=E3o de areia, entre um gr=E3o de areia e a praia. Eu, ao contr=E1rio, penso, e penso que devemos pensar, que nos devemos unir e afirmar pelo que nos assemelha, sim, mas tamb=E9m pelo que nos separa, recusando sermos globalizados, massa informe, sem car=E1ter.

Se, por magia, f=F4ssemos capazes de ver este fim de s=E9culo sem dele fazer parte, seria belo observar as metamorfoses pelas quais passa o Diabo, quem diria? L=FAcifer sempre foi o rebelado, o contestat=E1rio. Quem era Satanaz na transi=E7=E3o do feudalismo para o mundo burgu=EAs? Era o her=F3i maquiaveliano, o homem dono da "virt=FA" que, em Shakespeare, podia-se chamar Iago, Ricardo III, Cassio ou Lady Macbeth, e que nos livros de Dale Carnegie passou a se chamar self-made-man, aquele que, independente do ber=E7o, afirma seu poder. Fa=E7o porque posso, n=E3o porque deva. O Diabo - surpresa! - era o Indiv=EDduo! No feudalismo prevalecia o nascimento - filho de visconde viscondinho =E9 - o homem cumpria seu destino; na burguesia, ele o inventava. A lei do homem contra a de Deus, o perec=EDvel contra o eterno, o estilo g=F3tico contra o rom=E2nico.

A burguesia afirmava o primado do indiv=EDduo, mas que ningu=E9m se iluda, n=E3o de todos: se por um lado enfrentava a nobreza, por outro, para vencer, deveria se apoiar no trabalho escravo, ou quase: mais uma vez o indiv=EDduo se separava da massa, do coro, e se tornava protagonista da Hist=F3ria. O indiv=EDduo burgu=EAs equidistava da estrutura feudal e da plebe ignara. Foi esse o primeiro diabo moderno, o Coisa Ruim que se mostrava.

Hoje, o Diabo se esconde nas bolsas e nas multinacionais. =C9 verdade que na revista Forbes ainda se l=EA a lista dos cem mais ricos do mundo, Mr. Buffet e Bill Gates na cabe=E7a, mas quem =E9 o dono das grandes multinacionais? Milhares. Mesmo quem possui uma m=EDsera a=E7=E3o sem direito =E0 voto julga-se dono. Sociedade An=F4nima - o diabo no anonimato. O grande Diab=E3o pulverizado em milh=F5es de diabinhos.

Para crescer, o Diabo-Burgu=EAs, comerciante, banqueiro, armador, precisava destruir as fronteiras alfandeg=E1rias entre um principado e outro, um ducado e um condado, era preciso criar uma s=F3 lei, unificando na=E7=F5es, no mais das vezes, =E0 pancada: quantas na=E7=F5es resistiram ao Estado e ainda hoje existem na Espanha, por exemplo, ou na It=E1lia? Hoje, o imperialismo precisa fazer o mesmo, agora em escala mundial: derrubar fronteiras - outra coisa n=E3o =E9 globalizar. Mas, n=E3o se iludam, os Novos- Diabinhos n=E3o querem se misturar: derrubam fronteiras nacionais, mas n=E3o de classe. E as fronteiras ressurgem, n=E3o entre um pa=EDs e outro, mas dentro de cada pa=EDs. Erguem muros contra imigrantes, no hemisf=E9rio norte, ou cercas eletrificadas em suas mans=F5es, aqui no sul.

Os neo-imperialistas dizem que a globaliza=E7=E3o =E9 moderna. Viva ent=E3o o moderno Imp=E9rio Romano, pois o que era a Pax Romana se n=E3o a globaliza=E7=E3o do poder de C=E9sar? E Gengis Khan? E =C1tila, o Flagelo de Deus, queria o qu=EA? O que queria Hitler com o seu Imp=E9rio dos Mil Anos, se n=E3o o mesmo que querem os imperialistas de hoje? Globalizar =E9 moderno como o Tratado de Tordesilhas, que dividia em dois o mundo, que, hoje, a =DAnica Superpot=EAncia Remanescente quer unificar: uma s=F3 l=EDngua, um s=F3 fast-food, um =FAnico filme mil vezes reescrito por computadores com os mesmos tiros, sangue e fogo, beijos edulcorados e loiras barbies.

Para que isto aconte=E7a =E9 importante esconder a verdade. "O que nos interessa, a gente revela; o que nos incomoda, a gente esconde!" - disse um ex-ministro, hoje embaixador, faz agora tr=EAs anos. "N=E3o importa se o seu candidato vai mal no debate, diga sempre que ele esteve maravilhoso!" - - disse um senador baiano, faz quinze dias. "- Isso sim, =E9 profissionalismo!" - aplaudiu um prefeito, no dia seguinte. "O que importa n=E3o =E9 o fato: =E9 a vers=E3o!" - disse um pol=EDtico mineiro de antigamente.

A vers=E3o, n=E3o a verdade. A mentira mil vezes repetida torna-se mais verdadeira do que a verdade silenciada. Ouvimos mentiras travestidas, e silenciamos. Bastaria olh=E1-las para despi-las - mas j=E1 nem sequer as vemos. Recente foi a venda da Light. O argumento principal: privatizar =E9 moderno - s=F3 a iniciativa privada pode gerir a coisa p=FAblica. Venderam a Light para a EDF, a companhia estatal francesa, venderam a Companhia de Eletricidade carioca para um grupo liderado pela estatal chilena, onde Pinochet ainda =E9 chefe das for=E7as armadas. Privatizar ser=E1 isso? Entregar a economia brasileira a outros governos? O nosso Estado a outros Estados? O Haiti =E9 aqui, o s=E9culo XXI =E9 agora!

Ser moderno n=E3o =E9 um valor em si, e os valores antigos, n=E3o s=E3o, por vetustos, m=E1us: as id=E9ias de solidariedade do cristianismo, completam agora dois mil=EAnios. Devemos jog=E1-las no lixo? E as bombas - at=F4mica e de napalm - s=E3o modernas. Devemos ador=E1-as por sua juventude?

O jovem Barbosa Lima Sobrinho, no JB de h=E1 dois domingos, mostrou que a Vale do Rio Doce foi constru=EDda com dinheiro dos impostos pagos pelo povo e ao povo pertence, n=E3o ao Estado. Se estadistas, que foram eleitos para gerir os bens do povo, se esses gerentes, hoje, querem vend=EA-la, pelo menos deveriam perguntar ao dono se est=E1 de acordo: para isso se inventaram os plebiscitos. Estamos assistindo, paralisados, =E0 transfer=EAncia do dinheiro de todos para o bolso de alguns. Robin Hood =E0s avessas. S=E3o esses nossos gerentes.

Economistas dizem que a economia =E9 complexa. =C9 verdade. Mas tamb=E9m =E9 verdade que a astronomia =E9 complicada. Mas, por mais complicada e complexa que seja a astronomia, existem verdades simples sobre as quais podemos ter certeza: posso jurar que o sol se levantar=E1 amanh=E3 de manh=E3, posso proibi-lo de se levantar durante a noite, mesmo pra fazer xixi, e obrig=E1-lo a que se ponha ao entardecer, j=E1 para a cama, Sol! E minhas ordens n=E3o se discutem: cumprem-se. Com astron=F4mico rigor!

A economia =E9 dif=EDcil, mas f=E1cil =E9 compreender que, se estatais como a Usiminas e a Vale, d=E3o milh=F5es de d=F3lares de lucro di=E1rio ao Estado - - portanto =E0 popula=E7=E3o - se forem vendidas a particulares, dar=E3o o mesmo lucro a bolsos privados. =C9 f=E1cil compreender, =E9 dif=EDcil de engolir...

=C9 elementar que n=E3o devemos vender a galinha dos ovos de ouro - apenas os ovos. E n=E3o existe racioc=EDnio principesco que nos conven=E7a de que =E9 melhor nos desfazermos do que d=E1 lucro e rachar os preju=EDzos. Que isso =E9 moderno. =C9 simples compreender que, se continuarmos pagando um bilh=E3o de d=F3lares mensais pelo servi=E7o da d=EDvida externa, estaremos enriquecendo bancos estrangeiros e tornando ainda mais miser=E1vel o nosso povo. Se os imensos latif=FAndios improdutivos continuarem improdutivos, nossas favelas continuar=E3o sua explos=E3o demogr=E1fica, e mais cedo do que se espera, explos=E3o inteira. O Haiti =E9 aqui, o s=E9culo XXI =E9 agora.

Noah Chomsky veio ao Brasil e disse o =F3bvio: os imperialistas querem a liberdade do mercado para os pa=EDses subalternos, como o nosso, mas querem o protecionismo para eles. O Estado capitalista interv=E9m sempre para financiar empresas privadas, aumentar lucros privados, seja da Boeing atrav=E9s de compras do ex=E9rcito, ou dos semicondutores japoneses atrav=E9s dos bancos. No Brasil, 14 bilh=F5es de d=F3lares o governo j=E1 gastou para salvar bancos privados falidos. E, na, Fran=E7a, "Le Canard Encha=EEn=E9" mostrou que as medidas em favor do emprego, visam sempre a favorecer o empregador e nunca o empregado.

Chomsky veio e disse: o objetivo do neoliberalismo =E9 o de aniquilar o poder de decis=E3o do indiv=EDduo e d=E1-lo inteiro aos bancos, =E0s multinacionais, =E0s organiza=E7=F5es patronais. Tornar as elei=E7=F5es in=FAteis porque o cidad=E3o poder=E1 apenas escolher entre o sandu=EDche do macdonald=B4s ou aquele do burger=B4s king, mas ser=E1 sempre o mesmo sandu=EDche de carne de vaca louca.

Arthur Miller, o dramaturgo, escreveu um artigo, "Privatizemos o Congresso", no qual sugere que deputados e senadores deveriam ser obrigados a vestirem camisas com as cores dos seus patrocinadores: Texaco, Coca-Cola, General Motors, Sony, Mitsubishi - como jogadores de futebol. S=F3 assim saber=EDamos por qu=EA e por quem est=E3o votando.

O Haiti =E9 aqui, o s=E9culo XXI =E9 agora.

O que =E9 que n=F3s, ent=E3o, indiv=EDduos, devemos esperar do s=E9culo XXI? Sobretudo isto: n=E3o devemos esperar nada, temos que agir, hoje, j=E1. Se n=E3o quisermos ver instalado no mundo o anunciado Imp=E9rio dos Mil Anos, o fim da Hist=F3ria, se quisermos ainda existir como indiv=EDduos e n=E3o apenas como estat=EDstica, gr=E3os de areia na imensa praia global, temos que desenvolver organiza=E7=F5es populares que permitam o debate, a pluralidade, a diversidade, a transitividade do di=E1logo, a for=E7a da rejei=E7=E3o, o poder de dizer n=E3o!

Porque o Haiti est=E1 em toda parte, e o s=E9culo XXI =E9 agora!

Muito obrigado.

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